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O PARADIGMA DA DESPROPORÇÃO


1. QUE DIAGNÓSTICO FARIA DE NOSSO ECOSSISTEMA TERRA UM OBSERVADOR EXTRATERRESTRE?

     Somos todos sistemas-parte de um imenso e único sistema de intercâmbio, interdependente, complementar, como partes subsidiárias. Numa ponta do sistema somos usuários ou consumidores de inputs, de (bens) satisfatores para nossas necessidades; na outra somos prestadios ou ofertantes de satisfatores para as necessidades dos demais. Nesse processo - que podemos chamar de USUPRESTADIO ou PRESTUSUÁRIO - estamos todos os participantes do ecossistema: a água, o vento, as plantas, os animais, os humanos com suas classes, seu trabalho, suas idéias, seus amores, etc.



     Este modelo gráfico ilustra o conceito de sistema com seus conceitos de insumo, trabalho/transformação, produto e circuito de feedback. Em nossa linguagem sistêmica triádica, “insumos” e “produtos” quer dizer satisfatores das necessidades de um sistema qualquer. Como os sistemas são tri-unos, trilaterais, tricerebrais, os satisfatores podem ser classificados em três categorias, tri-unos, trilaterais ou tricerebrais. No interior do gráfico de sistema, aparece uma como “âncora” que representa a natureza triforme e tridimensional da energia ou o princípio triádico. A seqüência de três sistemas completos sugere que todos os sistemas estão em rede, mas não linear como pode sugerir a ilustração acima. O ecossistema – ou sistema total que engloba todos os ocupantes do planeta – é todo trançado, entrelaçado, como uma teia de aranha, mas tridimensional ou cúbica, como uma espiral ou uma galáxia, vibrando e retorcendo-se em alta velocidade.

     Um observador extraterrestre poderá observar que:

     - o ambiente físico-geológico (dinâmica potencia/ambiental) está depredado, contaminado, e todo esburacado.

     - no uso de sistemas de informação (dinâmica noológica, mental) estamos todos desorientados: as plantas, as baleias, os pingüins, as formigas, as aves migratórias, as classes humanas altas, as baixas, os ricos, os pobres, os católicos, os budistas, a direita, a esquerda (os cientistas, os políticos e os executivos transnacionais mais que todos).

     - a imagem do valente e responsável macho encolheu; e a da moça de família e da santa mãezinha como sustentáculo do lar (dinâmica individual e familiar) já não existe. O santo lar e o sagrado leito transformaram-se num intenso campo de batalha que, entretanto, continua produzindo e lançando no mercado grande número de pequenos guerreiros (filhos,) futuros adultos igualmente confusos. No mundo animal e florestal, a demografia caminha para a extinção apesar de bravatas biotecnológicas.

     - as relações de produção e distribuição de bens satisfatores (dinâmica prestusuária ou economia) entre todos os comensais do ecossistema planetário têm concentrações imensas em alguns poucos pontos e, vazios espantosos na maior parte do planeta para humanos, para animais, para as plantas, para a água, o oxigênio, etc.

     - as relações de convivência entre espécies são um desastre causado pela espécie humana; e as relações de convivência entre classes, grupos, partidos políticos, nações e seus Estados continuam turbulentas como sempre (dinâmica de grupo ou regulação do poder, política de coexistência ou convivência em todo o ecossistema) entre o caos e a tirania com breves descansos de democracia real, para todos, em todos os aspetos.

     - as expectativas em relação ao novo milênio, o futuro, o progresso, a conquista do sistema solar, o destino do ser em relação ao infinito, o eterno, o absoluto (dinâmica universal) que é o reino da utopia, da ficção científica, das finalidades últimas, das religiões, de todas as mitologias, da ficção religiosa, estão entre extremos de pessimismo e de otimismo: por um lado nota-se o esgotamento de recursos, a extinção de espécies e o desmontagem do ecossistema ou planeta: a idéia de progresso está desmoralizada e o futuro comprometido; por outro, o ressurgimento do fundamentalismo ou radicalismo religioso, místico, esotérico, mágico, por toda parte, cria una impressionante plataforma de otimistas simplórios.

     Acima, foram usados seis conceitos que formam um quadro referencial para classificar realidades que se      interpenetram, pois não se podem separar umas das outras:
     dinâmica universal (sentido maior da vida);
     dinâmica de grupos (poder e convivência);
     dinâmica prestusuária (economia);
     dinâmica individual (personalidade e carreira);
     dinâmica noológica (uso do cérebro) e
     dinâmica ambiental (estoque de recursos).

     O observador extraterrestre poderá observar também grandes avanços em ciência, inventos tecnológicos e de produção, mas com efeitos colaterais desastrosos que são os produtos-problema ou produtos negativos:
     - megalópoles e explosão demográfica (SO1-Parentesco);
     - poluição, lixo e stress (SO2-Saúde);
     - desnutrição, fome e falta de água (SO3-Manutenção);
     - crescente hostilidade, ódios raciais, étnicos e nacionais (SO4-Lealdade);
     - diversão alienante, desencanto e solidão, drogas e outros sucedâneos (SO5- Lazer);
     - transportes urbanos anti-ecológicos;
     - monopólio e manipulação da informação mundial e propaganda (SO6-Viário);
     - atraso na educação básica, analfabetos funcionais, condicionamento mental e ideológico, e aliança suicida      da ciência com a tecnologia de morte (SO7-Educação);
     - riqueza e pobreza extremamente polarizadas, inflação, guerra econômica, manipulação de mercados e      moedas (SO8-Patrimonial);
     - produção transnacional sem vínculo ecológico e com as necessidades reais, falsa criação de riqueza pela      especulação financeira, com desemprego e subdesenvolvimento crescentes (SO9-Produção);
     - materialismo e comercialização das religiões messiânicas (S1O-Religioso);
     - fabricação de armamentos, guerras sem sentido, violência urbana (S11-Segurança);
     - corrupção política, ingovernabilidade, imperialismo (Sl2-Político-Administrativo);
     - justiça vinculada ao econômico, decadência ético-moral-legal, desrespeito à vida e aos direitos básicos      (S13-Jurídico);
     - valores e êxito reduzidos a acumulação econômica (S14-Precedência) etc.

     Nesta listagem anterior, foi utilizado o referencial dos 14 subsistemas que define as necessidades, define os (bens) satisfatores, as instituições privadas e públicas que se dedicam a produzir, distribuir e regular o uso e desfrute desses satisfatores. Juntando os conceitos anteriores num modelo gráfico, um observador extraterrestre veria esta construção social brotando do espaço físico:


     Este modelo gráfico quer representar, como num mapa, os componentes essenciais de um sistema ou ecossistema movido por seu dinamismo tri-uno. Na parte inferior, o gráfico ilustra a evolução ou complexização da energia em seu formato tri-uno – três forças, três elementos, três sentidos – formando sistemas tri-unos, com seu dispositivo de feedback, até o aparecimento do cérebro tri-uno dos mamíferos, principalmente o humano. Daí em diante, os seres humanos com seu potencial tri-cérebro-grupal – três cérebros que geram três subgrupos disputando satisfatores – criaram a cultura, projetando sempre o mesmo formato de três, ilustrado pelas setas que nascem de cada parte do cérebro rumo ao poder político, econômico e sacral, ao alto do gráfico. Os catorze subsistemas ou setores – na vertical - são um desdobramento das necessidades de reprodução e sobrevivência ambiental, individual, empresarial, grupal e universal. Cada um dos catorze subsistemas ou campos de necessidades podem ser detalhados pelos 4 fatores operacionais – à esquerda – que indicam localização no espaço-tempo, indicam os três subgrupos de atores e seus níveis, bem como o conjunto de ações, técnicas, custos e resultados. São uma formalização dos conhecidos pronomes interrogativos – onde, quando, quem-com-quem-contra-quem, o que, como, por que, com que, resultados esperados.

     O observador extraterrestre verá belezas e maravilhas; e verá horrores e tristezas, tanto pelas seis dinâmicas como pelos catorze subsistemas ou simultaneamente; verá justiça e equidade numas poucas partes e o contrário nas outras; verá democracia total ou parcial em algumas partes e tiranias e caos nas demais; verá uns quantos seres humanos como cidadãos nacionais e planetários conscientes e participantes e, a maioria, como massa de marionetes sem consciência cidadã, sem poder ultrapassar o nível biológico, impotentes frente ao poder político-econômico dos depredadores.


     2. PORQUE AS MARAVILHAS E OS HORRORES SÃO TÃO PRÓXIMOS E PRESENTES EM TODO O ECOSSISTEMA?

     Maravilhas e horrores se misturam porque o ecossistema tem umas características que é preciso levar em conta e que temos que aprender a regular melhor, de acordo com alguns princípios chamados - ético-morais-legais, ou multidimensionais, ou de interesse ecossistêmico (e não só individual, ou empresarial, ou nacional, ou só dos subgrupos oficiais dominadores, ou somente da espécie humana), princípios esses transformados, primeiro em filosofia ético-jurídica e depois em regras, normas e leis reguladoras das interações entre todos, com instituições encarregadas de sancionar sua observância. Vamos recordar as características do ecossistema que nos dão uma nova percepção do que seja a realidade.

ESPAÇO (ambiente físico)A energia forma os sistemas triúnos, de expansão holográfica, que se interligam e intercambiam energia por inputs e outputs, para operar o fluxo energético; por isso seus extremos são superpostos no espaço-tempo como escamas de peixe. Os sistemas formam uma rede universal, vertical (hierarquias), horizontal, transversal, trançada, quântica, biológica, mental, grupal, societária, planetária, etc. São os diversos níveis de organização e manifestação da trança energética, em forma fractal, ondulatória. Segundo a física quântica haverá que redefinir “realidade” e sua percepção como um ordenamento de conjuntos triádicos, cada nível com seu código ou plano estrutural/desenvolvedor. Cada nível sistêmico acrescenta complexidade e características “emergentes”. Como a rede universal tem detalhes e interconexões não de todo desvendados, o risco das ilimitadas iniciativas intervencionistas da biotecnologia oficialista se deve mais à sua arrogância e ao vício da riqueza que ao desejo de cooperar e conviver com a natureza.

     CRONOLOGIA - tempo ou movimento co-evolutivo dos sistemas
Os sistemas estão sempre em movimento transformativo-evolutivo, por ciclos ondulatórios regulares, irregulares, em escalas recorrentes, fractais. Cada ciclo é uma epigênese (ramificação diádica ou triádica com recorrência) do anterior, sem fim, podendo progredir, regredir, perder-se... Probabilismo, plausibilidade ou propensão: incerteza

PERSONAGENS, Atores ou Actantes
Os agentes, as forças, os sujeitos de qualquer sistema têm três posições e formam três subgrupos complementares, reversíveis ou em rodízio (nada é só sujeito ou só objeto, só causa, só conseqüência): OFICIAL (regente); ANTIOFICIAL (divergente); OSCILANTE (convergente) que ora ficam isolados, ora cooperam, ora competem (2 contra 1).

Os três subgrupos derivam do desempenho dos três cérebros ou tricerebrar. Por isso, o comportamento se diz “tri-cérebro-grupal”. Os três subgrupos se criam, se apóiam e se definem reciprocamente e se hierarquizam em poucos ou muitos níveis. O modo de tricerebrar do oficial se diz “oficialismo”; o do antioficial se diz “antioficialismo”; e o do oscilante se diz “oscilância”, cada qual com seu arsenal típico para tirar vantagens máximas sobre os demais. É o jogo triádico ou democracia triádica da energia. A experiência histórica mostra que pessoas, subgrupos e países que exercem o oficialismo, seja na família, escola, empresa, religião, política, economia etc., tendem a romper os limites da proporcionalidade e transformar-se em disfarçados ou cínicos tiranos, déspotas, e opressores em relação aos oscilantes, suscitando o antioficialismo, a reação revolucionária e a guerra civil ou internacional.

PROCEDIMENTOS
Os sistemas e seus subgrupos são movidos pela busca e acumulação de satisfatores, maximocraticamente, baseando-se em informação, criatividade e esforço ou luta com todos os meios possíveis. É o comportamento tri-cérebro-grupal, que pode desempenhar-se com ondas gama, beta, alfa, theta, delta etc. O conhecimento lógico/científico não é tão objetivo ou “real” como pretendem os monádicos; é um misto proporcional de subjetivo/intuitivo/objetivo, o que o torna aproximativo porque é em parte “real” e em parte “criado”, inventado, adaptado aos vícios de percepção de cada tricerebrar.

     A rede ecossistêmica global precisa manter-se nos limites da proporcionalidade entre os extremos da neguentropia (máximo) e entropia (nada, mínimo) para que haja intersustentabilidade e continue a existir. Para isso existe e tem que funcionar o Ciclo Cibernético de Feedback individual, coletivo, universal.

     Até agora as desigualdades, a injustiça, o sofrimento continuam catastróficos porque todos os indivíduos, os subgrupos, os países temos um impulso para o máximo, exercendo a maximocracia de acordo com o alcance do arsenal de cada subgrupo, sendo que o oficialismo é o que sempre vai mais longe no abuso. E não se encontraram métodos eficazes e duradouros para regular ou controlar os maximocráticos mais ferozes. Isso explica porque temos ciclos de abundância e de escassez, de paz e de guerra, de cooperação e de competição, de democracia e de tirania, de beleza e de horrores na grande rede sistêmica.

     Essa é uma nova maneira de nos entendermos a nós mesmos:


     - cérebro lógico - educação, informação, pensamento crítico; e poderá ser também uma nova maneira de nos      sentirmos:
     - cérebro emocional - convivência solidária, criatividade, ética, mística; e poderá ser também uma nova      maneira de nos construirmos, de sobreviver:
     - cérebro operativo: trabalho, negócios, administração.


     3. SE ESTE É UM NOVO PARADIGMA OU MODELO DA REALIDADE, COMO ERAM OS PARADIGMAS      ANTERIORES E SEUS PRINCÍPIOS ÉTICO/REGULA- DORES?

     Primeiro, os humanos viviam em bandos, guiados só por seu instinto de SOBREVIVÊNCIA/REPRODUÇÃO como qualquer animal, nos quais predomina o cérebro central, também denominado reptílico-animal. Charles Darwin caracterizou isso em sua “Origem das Espécies” em que estabeleceu a lei da evolução impelida pela disputa selvagem, regulada pela seleção natural que privilegia os mais aptos, os que lutam melhor. A lei da selva. Entretanto, pouco a pouco, a espécie humanóide foi-se diferenciando e conquistando poder de influenciar o ambiente mais que os outros animais. Descobriu a arte, descobriu o método de produzir conhecimento e inaugurou a disputa com crueldade organizada: guerra, tortura, monopólio, armas, etc. Predominou o cérebro central, reptílico, subjugando o esquerdo-racional e o direito-moral-ético.

      Este modelo gráfico quer representar o fenômeno tri-cérebro-grupal e seus quatro níveis, cada um com o título de seu respectivo conteúdo. No canto extremo esquerdo, está uma seta de polarização – minimocracia e maximocracia – indicando que a evolução animal e humana estão emendadas no nível 1 (um), onde param todos os animais, exceto o humano que prossegue em sua evolução pelos níveis 2, 3, 4 e mais. O tricerebrar é considerado 38% genético, inato ou hereditário; o resto é construção social sistêmica, bem ou mal feita, a partir da família como sistema. No canto extremo direito, está uma seta e uma espiral para indicar um gradiente ou escala graduada que vai do mínimo consciente, autodeterminado, civilizado (máximo de determinismo, primitivismo, escravidão biológica) ao máximo de livre arbítrio, consciente, civilizado, elevado. Os três blocos de conceitos abaixo e acima do cérebro apresentam palavras-chave para referir-se ao inferior e ao superior dos três processos mentais-grupais, que se poderia resumir, para o cérebro esquerdo – ignorante e sábio; para o central – pobre/dominado e rico/dominador; para o direito – grosso/psicopata e refinado/solidário, respectivamente. Este gráfico pode ajudar a situar ou dar mais precisão à linguagem para referir-se a toda a temática mencionada acima.

     Nos últimos 5.000 anos os humanos começaram a orientar-se pelos paradigmas religiosos ou tradições espirituais, nascidos do cérebro direito límbico-intuitivo, com toda a força posta nos valores de amor, verdade, justiça, caridade com os semelhantes e salvação eterna como recompensa. As religiões são grandes sistemas ético-morais, fundamentados no cérebro direito, quase completamente segregado do esquerdo e do central. O budismo denunciou a maximocracia tri-cérebro-grupal como a fonte do sofrimento e pregou a renúncia voluntária. O cristianismo pregou o amor, o perdão, a equidade. O judaísmo, e o protestantismo depois, nunca aceitaram isso, nunca renunciaram à maximocracia, à usura e a proclamar-se a raça messiânica, superior...

     O paradigma cristão predominou ao redor do Mediterrâneo, como prolongação do império romano, por uns 15 séculos. Chegou a ser um império mundial com todo o autoritarismo e crueldade de qualquer outro império. Tinha uma ética da pobreza (para os oscilantes), proibia os juros sobre empréstimos de dinheiro (medida anti-usura) e viveu em pugna permanente com os “bárbaros” do norte (anglo-saxãos), os judeus e os árabes (os diferentes). Tinha que haver um só rebanho (império) e um só pastor (Papa). Cerca do ano 800, os cristãos da Europa Oriental se separaram (cisma), formando o cristianismo ortodoxo.

     A partir de 1500, com os descobrimentos e o movimento protestante e burguês, os judeus, os comerciantes e banqueiros das cidades (burgueses) se emanciparam da Igreja Católica e dos senhores feudais. Em comum, protestantismo e judaísmo entronizaram a “teologia da prosperidade” ou ética protestante, segundo a qual, a salvação se consegue por trabalho, progresso e riqueza (religionização do dinheiro): A Reforma. Com isso floresceu a livre economia (mercantilismo) nos países anglo-saxãos, acompanhada depois por democracia e desenvolvimento tecnocientífico (cérebro central e esquerdo, menosprezando o direito) em ciclos sucessivos, conhecidos como revoluções industriais ou tecnológicas. Mas estava também reaberto o caminho para a maximocracia dos subgrupos oficiais, sacramentada pelo primeiro economista inglês - Adam Smith – ao afirmar que, como os humanos não podem prever as conseqüências de seus atos, é melhor deixar de preocupar-se com isso e esperar que tudo seja ajeitado pela “mão invisível” da natureza (a suposta sabedoria da Divina Providência ou do mercado) depois reforçada por Charles Darwin com a teoria da seleção natural pela sobrevivência do mais apto (biológica e mercadologicamente).
     Por maximocráticos e desproporcionais, os últimos 500 anos de progresso espetacular, tiveram como efeitos colaterais, nos últimos 150 anos, a usura concentradora, a tendência ao imperialismo e aos monopólios que provocaram duas guerras mundiais sangrentas e a histórica reação do marxismo/socialismo, derrotada pelo império anglo-americano entre 1989-1991.

     3.1. ALGUNS AUTORES E FATOS DA IDADE MODERNA

     Idade Moderna: ciclo histórico que começou em 1517 com o Manifesto do frade agostiniano alemão, Martinho Lutero, contra o oficialismo papal de Roma (depois denominado protestante pela reação oficialista católica do Concílio de Trento em 1536). Era o desfecho do jogo triádico da Europa medieval entre latinos cristãos, eslavos ortodoxos, os islâmicos e os anglo-saxãos, os “bárbaros” do norte. Os países de cultura latina na Europa são: Itália, França, Espanha, Portugal; os países anglo-saxãos são: Inglaterra, Áustria, Alemanha, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega, parte da Bélgica, parte da Suíça; os eslavos são: os da ex-URSS, menos os islâmicos.

     A idade moderna foi precedida pelo Renascimento da arte, literatura e pensamento gregos nos países latinos. O Renascimento foi uma espécie de subgrupo antioficial da cultura oficialista eclesiástica, uma reação mais de cérebro direito romântico (artes, literatura: o poeta Dante Alighieri, o pintor Rafael, o pintor e escultor Miguel Ângelo); e um pouco de cérebro esquerdo com o início do espírito de pesquisa e teorização fora do controle da filosofia/teologia (artista e inventor Leonardo da Vinci, o cientista político Nicolau Maquiavel). Quem derrubou o imperialismo papal não foram os artistas e literatos latinos; foram os pragmáticos e científicos anglo-saxãos (alemães, holandeses e ingleses).

     O início da idade moderna significa: o fim do imperialismo eclesiástico/papal/latino; o fim da presença árabe/islâmica no sul da Europa; significa o começo do imperialismo mercantil-militar europeu com as viagens marítimas ao redor do planeta; o começo do império turco/otomano no Oriente Médio que terminou na primeira guerra mundial; e a consolidação do imperialismo anglo-saxão, iniciado pela Holanda, logo sucedida pela Inglaterra, continuando, hoje, como imperialismo anglo/americano.

     A idade moderna ou o ciclo de 500 anos de reinado dos anglo-saxãos está em transição para a idade pós-moderna (ou outro nome qualquer) desde a queda da antioficial/oficialista URSS (1989-1990) prenunciando o declínio, também, do oficialismo anglo-americano, um gigante perseguindo anões por toda parte.

     3.1.1. Alguns nomes influentes no jogo triádico religioso dos últimos 500 anos:

Do lado anglo-saxão protestante antioficial
Do lado do império oficial papal que sobrou
Martinho Lutero, com suas 92 teses, liderou o rompimento com o oficialismo romano, apoiado pelos príncipes alemães interessados na emancipação. Introduziu a Bíblia em alemão (efeito Guttemberg). Na utilização da Bíblia, o Velho Testamento (que é judaico e judeu) foi adotado para os subgrupos oficiais do dinheiro e do poder e o Novo Testamento (que é consolador dos pobres e perdoador dos opressores) foi adotado para os oscilantes. João Calvino (l509-l564) que, embora francês, aderiu ao protestantismo e completou a doutrina da salvação só pela fé, sem ter que comportar-se de acordo com ela na prática. Conseguir a prosperidade é sinal de bênção de Deus e de salvação (coisa de judeu do tempo do bezerro de ouro). Hoje essa “teologia” unificou meios e fim: dinheiro e Deus são a mesma coisa – divino dinheiro!
Os jesuítas (fundados pelo militar espanhol Inácio de Loyola) como tropa de combate intelectual aos protestantes. O Concílio de Trento reafirmou a Idade média e o poder sobrenatural e superior da Igreja em relação ao poder dos governos e Estados, ditos temporais e manteve isso por 400 anos no mundo latino. Excomungou Lutero, Calvino e todos os protestantes. Negou sempre a renovação religiosa, científica, política e econômica provocada pelos anglo-saxãos protestantes, remando contra a maré histórica. Esta excomunhão ou condenação foi retirada há uns 15 anos. Mas houve um recuo no ecumenismo: o papa voltou a afirmar a superioridade do catolicismo sobre os demais credos.
Os Puritanos da Inglaterra que vão apoiar a revolução de Oliver Cromwell. Os Maçons ingleses e franceses eram os ideólogos das elites.John Bunyan escreveu em 1678: A viagem do peregrino, deste mundo para aquele que há de vir. O livro era a versão protestante da “Imitação de Cristo” dos católicos.
Os fundadores de congregações missionárias para um novo expansionismo católico, em escolas, hospitais e outras obras sociais.
Multiplicação de fundadores das chamadas “seitas” evangélicas. Apareceram teólogos importantes como Martin Buber, Barth e outros, de busca religiosa séria, como o Movimento de Taizé (monges protestantes). Os movimentos carismáticos e curandeiros são de religiosidade caipira.
Fundadores de movimentos leigos de apostolado como a Ação Católica, o Partido Democrata Cristão e outros. Pe. Teilhard de Chardin tentou uma fusão do Evangelho com a teoria evolucionista. Gustavo Gutierrez e Leonardo Boff tentaram uma fusão do Evangelho com o marxismo na América Latina, sem contestar o oficialismo papal medieval, até hoje.

 

     3.1.2. Alguns nomes influentes em Ciência, Política e Economia no jogo triádico dos últimos 500 anos:

Anglo-saxãos
Adversários
Bacon (1561-1626) estabeleceu as regras do método científico das Ciências exatas, trabalho completado por René Descartes (1596-1650).Thomas Hobbes (1588-1679) foi o filósofo inglês do oficialismo monádico, absoluto, o Maquiavel dos anglo-saxãos.Oliver Cromwell foi quem fez a primeira revolução burguesa em 1649: derrubou o feudalismo na Inglaterra, enforcou o rei católico Carlos I e fundou o primeiro estado parlamentarista moderno.John Locke (1632-1704) filósofo e jurista criou a teoria dos três poderes: executivo, legislativo e judicial.
O astrônomo Pe. Johannes Kepler (1571-1630) aprofunda a teoria heliocêntrica e estabelece a órbita elíptica dos planetas de acordo com a lei Fibonacci ou seção áurea.Gottlieb Leibniz (1646-1716) foi o alemão que tentou defender o catolicismo com uma nova filosofia, ciência, matemática e propostas de reunificação religiosa e ecumenismo. O francês Montesquieu (1689-1755) plagiou a teoria dos três poderes de John Locke e passou à História como seu autor, pelo menos no enganado mundo latino dos últimos 500 anos.
O astrônomo Isaac Newton (1642-1727) estabeleceu matematicamente a teoria da mecânica celeste, dedicando-se depois ao esoterismo.Adam Smith (1723-1790) publicou em 1776: “A riqueza das nações”, o primeiro livro de teoria econômica, que é a teorização do livre mercado do oficialismo imperialista inglês. A teoria era chamada laissez-faire ou liberalismo que incluía a maior liberdade possível para os subgros oficiais econômicos, isto é, supunha a menor interferência possível do Estado para refrear a maximocracia de bancos, indústria, comércio, usura etc. O filósofo alemão Emmanuel Kant (1724-1804) fez a “Summa Teológica” do protestantismo.
Jean Jacques Rousseau (1712-1772) escreveu “O contrato social” iniciando o Iluminismo francês, a democracia popular e a série de oposições ao império britânico: a Revolução americana, a francesa e as guerras napoleônicas, o movimento marxista, as duas guerras da Alemanha contra o imperialismo inglês e, por fim, o socialismo. Rousseau foi o “Marx” da Revolução Francesa.Em 1776, os Estados Unidos se tornaram antioficiais e, com guerrilha revolucionária, proclamaram a Independência. Continuaram antioficiais até o fim da primeira guerra em 1918, quando se tornaram subgrupo oficial da Inglaterra.
O militar austríaco Karl von Clausewitz elaborou a teoria da guerra total ou global em seu livro "Da Guerra” (1812), observando Napoleão.
Em 1789 ocorre a Revolução francesa contra o império papal e o império inglês, luta que continuou com Napoleão Bonaparte até 1815.
O biólogo inglês Charles Darwin (1808-1882) publicou em 1859 “A origem das espécies” com a teoria monádica da sobrevivência do mais apto, do que se adapta e luta melhor entre os animais da floresta, chamada – seleção natural.O cientista social inglês Herbert Spencer (1820-1903) aplicou a teoria da seleção natural às sociedades humanas, chamada “darwinismo social”.
O socialista católico francês Charles Fourier (1772-1837) criou os falanstérios, espécie de comunidades alternativas de hoje.O empresário inglês Robert Owen fundou o Cooperativismo em 1844.Karl Marx e Frederick Engels publicaram o Manifesto comunista em 1848. Os falanstérios, o cooperativismo e o comunismo foram reações ao imperialismo inglês e sua teoria do liberalismo.
Frederick Taylor no fim do século XIX desenvolveu a administração científica ou racionalização do trabalho, elevando muito a produtividade.Henry Ford, no começo de século XX, criou o “fordismo”, isto é, a linha de montagem ou montagem em série na fábricas, aumentando ainda mais a produtividade.Max Weber (1864-1920), tentou fazer sociologia. Seus estudos sobre burocracia deixaram-no pessimista. Sua obra mais notável era um óbvio ululante: A ética protestante e o espírito do capitalismo (protestantes anglo-saxãos ricos e latinos católicos pobres). Foi endeusado para contrabalançar a influência de K. Marx.John Maynard Keynes salvou o capitalismo que se destruía por sua maximocracia e empurrava o povo para o socialismo. O presidente americano Franklin Delano Roosevelt chamou o economista inglês Lord Keynes para fazer um plano de salvação. Em 1935 foi lançado o plano New Deal (novo pacto social) em que o Estado, contrariando o liberalismo, interferiu no mercado criando frentes de trabalho, empreendendo obras e financiando os negócios. Com o colapso do socialismo, Keynes e similares, como a social democracia dos países escandinavos, foram abandonados, já que a ameaça socialista desaparecera. De volta à maximocracia!
Primeira guerra mundial (1914-1918) provocada como “violência 1” pela Inglaterra, por guerra econômica e bloqueio à industrialização dos países emergentes (Alemanha, Japão, Itália, Turquia que reagiram com a “violência 2”).Revolução comunista em 1917 e expansão universal dos ideais socialistas (URSS).Sigmund Freud criou a Psicanálise, combateu o tabu do sexo e das religiões como substrato de todas as opressões individuais e coletivas.Albert Einstein criou a teoria da relatividade e Max Planck a teoria quântica, o que abalou os fundamentos da realidade e da sociedade. A teoria quântica foi definitivamente confirmada por Murray Gell-Man e seus quarks formando “triplets” ou conjuntos sistêmicos triádicos.Segunda guerra mundial (1939-1945). Criou-se a bomba atômica, usada como terrorismo pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki. Richard Nixon queria lançar uma bomba atômica sobre o Vietnam, a fim de criar um impacto que garantisse sua vitória eleitoral no segundo turno.
Frederick von Hayek re-lança a teoria econômica liberal inglesa junto com a primeira ministra Margareth Thatcher, chamando-a de neoliberalismo. Em 1991 John Williamson, em nome do Banco Mundial, do FMI e dos economistas anglo-saxãos, lançou o Consenso de Washington (mandamentos do novo colonialismo anglo-americano).
Em 1990 entraram em colapso a URSS e todos seus satélites com todos seus ideólogos. Mikhail Gorbachev foi o mestre de cerimônias que entregou de bandeja a URSS, querendo crédito por salvar a humanidade da corrida atômica. Todos os países tiveram que se ajustar ao vencedor da batalha da idade moderna, pelo modelito do Consenso de Washington. George W. Bush faz planos de guerra atômica para reativar a economia e combater o “mal”... dos outros, o que prova que Gorbachev foi um mero entreguista.
UE em andamento. NAFTA em andamento. ALCA em andamento. Imperialismo anglo-americano em afoita escalada.
Mercosul sendo detonado com a crise argentina. Bin Laden detonando símbolos capitalistas norte-americanos. Reação ao imperialismo anglo-americano em gestação.

     4. ENTÃO OS PARADIGMAS E SEUS DONOS NÃO DESAPARECEM, APENAS TROCAM DE POSIÇÃO, FAZEM RODÍZIO NO PODER?

     O paradigma maior que suplantou o religioso-medieval foi denominado "cartesiano" (de Descartes, filósofo e matemático francês - 1596-1650). Mas ele é só para o cérebro esquerdo científico, com lógica monádica (para o cérebro esquerdo com lógica diádica funciona o dialético-maxista). Mas ele coexiste com outros, típicos do cérebro emocional e operacional, formando um megaparadigma, ou o paradigma global, que será - cartesiano-sacral-financeiro/político - cada um deles dividindo-se em 3, cruzando-se, trançando-se e recombinando-se entre si, sem fim.

      Este modelo gráfico representa a concordância/contradição de pressupostos, crenças e tradições das três culturas representadas pelos três cérebros e defendidas como ideologia pelos respectivos donos/beneficiários do poder político, econômico e sacral. A repetição/miniaturização dos três cérebros dentro do cérebro indica que o megaparadigma se subdivide, se especializa, se decompõe em unidades sempre menores, até chegar à simplificação dos ditados populares, mas guardando suas características de origem.

     O megaparadigma cartesiano-financeiro-sacral ficou muito bem ajustado no mundo anglo-saxão. No mundo latino, ficou contraditório: o lado econômico tornou-se, abertamente, o oficial; o lado cartesiano científico tornou-se oscilante; e o lado sacral-católico, tomou-se o antioficial. O grupo anglo-saxão, para livrar-se política e economicamente do grupo papal-romano, enfrentou mais de um século de guerras (guerras político-econômicas, espertamente disfarçadas de guerras religiosas, ). Os anglo-saxãos venceram, desenvolveram seu paradigma e criaram a idade moderna, que é eminentemente anglo-saxônica (e não latina), protestante, científica, econômico industrial-financeira.

     Em resumo, o paradigma anglo-americano que governa o planeta tem estas características:
     - a auto-autorização para usar o cérebro esquerdo, do qual resultou a pesquisa, a ciência e a tecnologia, e a      definição de verdade como única, monádica (a da autoridade científica, ou política, ou econômica que mais      convenha, ou a do subgrupo mais forte);
     - a subdivisão, a especialização (fragmentação) do conhecimento e do trabalho em linha de montagem como      estratégia para aumentar a produtividade;
     - a consagração da maximocracia: lei do mais forte, mais tarde formulada por Adam Smith e Charles Darwin      como livre mercado e lei do mais forte como coisa boa e sábia que se auto-regularia;
     - a supressão quase total do cérebro direito e suas funções de amor, solidariedade, compaixão, mística,      valores do viver, e substituição de tudo isso pelo dinheiro como valor único, como se fosse um retorno ao Rei      Midas, ao bezerro de ouro hebraico, à obsessão (neurose) maximocrática por dinheiro.
     - a subordinação da religião e do poder sacral aos interesses econômicos (salvação pelo dinheiro) e
     - a subordinação do poder político e do Estado ao poder econômico (econocracia) e seus banqueiros, bolsas e      grandes empresas.

     Esse paradigma foi contestado pela dialética marxista e a tentativa socialista-igualitarista na URSS. No Oriente, houve ensaios de aliança entre suas filosofias de cérebro direito (hinduísmo, zen-budismo) e o paradigma político-econômico do ocidente, como no Japão, Índia, etc. Na China, houve um ensaio de substituir sua cultura tradicional de Yin/Yang (taoísmo) e do confucionismo pela dialética e o socialismo. Na América Latina houve aliança entre revolucionários marxistas e o Evangelho, na Teologia da Libertação.

     Os problemas derivados desses paradigmas leigos e seus aliados religiosos em todo o planeta são imensos. Fala-se do colapso da modernidade, do fim do jogo capitalismo/socialismo e seus respectivos paradigmas. Fracassam os movimentos éticos, o rearmamento moral, as tentativas de mudança, o ecologismo, a justiça pela via institucional, os valores herdados da tradição familiar e espiritualista. Está nascendo uma época pós-capitalista, pós-socialista, pós-confessional, pós-científica, pós-nacionalista: a cidade ou aldeia planetária, a globalização, dominada pelo jogo dos subgrupos financeiros, especuladores, usurários.

     Todos os filósofos dedicaram um capítulo de seu sistema filosófico aos princípios reguladores ou normatizadores que, desde Aristóteles, se chamaram ética. Todos os grandes reformadores se preocuparam por estabelecer instituições para conseguir algum tipo de equilíbrio ou proporcionalidade em todas as dinâmicas, principalmente no uso do poder político e do poder econômico, com códigos e tribunais para que a sociedade viva em estado de direito e não de força ou de guerra (armada ou econômica) de todos contra todos. Sem dúvida, estamos dentro de uma barbárie urbana, planetária, sem lei, sem ética, sem moral, sem limites, à qual devemos resistir, fazer frente, se quisermos preservar e melhorar a vida individual, familiar, empresarial, nacional e planetária. Aparentemente, os jogos triádicos que compõem os jogos globais estão apontando para o omnicídio!


     5. QUAL SERÁ O PARADIGMA E A ARTE DE VIVER DO NOVO SÉCULO E MILÊNIO?

     Há indicativos de caminhos para a questão ambiental-energística, a questão mental-informacional, a questão da personalidade masculina/feminina/familiar, a questão da democracia entre os três subgrupos de poder político, de ecumenismo no poder sacral e de equidade entre os três subgrupos do poder econômico. Esses indicativos podem-se sintetizar sob o título de - paradigma sistêmico triádico proporcional - que é uma síntese de conhecimentos transdisciplinares da nova época que vivemos.

     A relatividade de Einstein, a moderna física de partículas, a Biologia genômica e as neurociências revelaram-nos uma nova imagem do universo, da realidade, do que chamávamos de “natureza” (seria melhor dizer “ex-natureza” porque o conceito “ecossistema” é mais amplo e mais integrador) e de nosso ato de perceber e perceber-nos. Em resumo, o universo é energia triádica que se move por vibrações de partículas ou de ondas de luz em infinitos níveis e formas que se complexificam em sistemas que vemos, que somos, que constituem conosco uma rede de muitos níveis, com as características apresentadas antes: em construção, em expansão, em co-criação, em tensionamento triádico, maximocrático etc.

     Daqui em diante, qualquer um que aceite e queira aplicar suas novas forças mentais à nova visão do mundo ou à nova realidade sistêmica triádica, terá que ajudar a mudar o megaparadigma ou as tri-culturas atuais, enquanto ele muda junto com elas.

     Por onde começar?

     5.1. PROPORCIONALISMO

NEM IGUALAÇÃO, NEM DESIGUALAÇÃO MÁXIMAS!
SIM ÀS DIFERENÇAS, MAS PROPORCIONAIS

     Pela teoria sistêmica triádica, o cosmos é um imenso e supremo efetuador de transformações energísticas em co-criação, em co-evolução, que se move por auto-propulsão triádica da energia e que se auto-regula por inter e intra-feedback. Esse movimento oscila entre dois extremos e um ponto intermédio:
     - um que atrai, empurra, exige, imanta rumo à expansão, chamado neguentropia;
     - outro que pesa, detém, arrasta para baixo, para a contração e o desmanche, chamado entropia.

     Destes dois pólos eletromagnéticos nasce o esforço para ser mais, nascem as necessidades de sobrevivência e reprodução (neguentropia) e o conseqüente medo à morte, o horror ao vazio, ao nada (entropia). A continuação ou sustentabilidade de qualquer sistema situa-se entre os dois extremos, a uma distância chamada proporcional.

     Este modelo gráfico apresenta os pólos de atração/repulsão como num imã, tendo, como ponto intermédio de equilibração na corda bamba, o conceito de proporcionalismo cuja expressão numérica veremos adiante. Esse ponto intermédio representa o espaço possível da vida em que somos movidos ou nos movemos, em meio ao dinamismo bipolar e seus extremos representados pelos ganhos recompensados com endorfina (sensação de vitória e plenificação) à direita e, pelas perdas acompanhadas de frustração e adrenalina (sensação de alerta defensivo e medo) à esquerda do gráfico.

     Os sistemas subsistem enquanto puderem manter-se, adaptar-se e atuar dentro dos limites dessas variações para mais ou para menos. Exemplos são a temperatura do corpo, a velocidade e o equilíbrio de um carro, a adaptação ao sol e à chuva, à variação ambiental, cultural, etc. Manter-se entre os extremos, o qual se denomina – homeostase ou proporcionalidade - requer regulação, que na teoria sistêmica se diz inter-feedback triádico. No reino mineral, vegetal, animal e humano em seu aspeto biológico, esse inter-feedback é inato e automático. Mas não o é para as criações humanas, culturais, para cada acréscimo de livre arbítrio; para isso requer-se inter-feedback consciente, intencional, institucionalizado.

     Os limites, as fronteiras, o piso e o teto, a quantidade e a qualidade, as dimensões e as formas do feedback, tudo isso tem um nome: PROPORCIONALISMO.
Esse conceito resume:
     - os ideais estéticos e de perfeição do cérebro direito e dos que defendem a moral e a estética como valores fundamentais;
     - as exigências de bases racionais e causais do cérebro esquerdo e dos que defendem princípios filosóficos e científicos como fundamentos da ética (normas e limites);
     - e as possibilidades de ação e realização do cérebro central e dos que defendem a lei e as instituições que a sancionam como requisito de convivência humanizada e democrática.

     Para o cérebro direito, Proporcionalismo é sinônimo de harmonia, beleza, estética, virtude, qualidade, valor, ainda que essa seja uma percepção pouco explicável, por ser intuitiva.

     Para o cérebro esquerdo, Proporcionalismo é o princípio matemático da média e extrema razão, tomado da maneira como a natureza construiu os sistemas: por módulos combinados de 62% e 38% (que é um arredondamento do número 1,618 e 0,618, chamado PHI ou Fi que é uma letra grega - .

     Este modelo gráfico é a representação matemática da média e extrema razão, que se lê assim: “A” está para “b”, assim como “b” está para “c”” ou vice-versa. Está escrito “±” (mais ou menos) porque o mundo é vibratório, acelerado, não linear (como se fosse feito de borracha, segundo Einstein) e as medidas podem variar até um certo limite. O matemático Gauss sugeria que a variação fosse entre 62-68% na média razão e, conseqüentemente, entre 38-32% na extrema razão.

     Para o cérebro central, Proporcionalismo é criação de leis, instituições, ações para regular a convivência democrática dos três subgrupos do poder político-econômico (entre humanos ou entre espécies), ou a sobrevivência eqüitativa, justa e digna dos três subgrupos de trabalho, criação e partilha de satisfatores.

     Os chineses tratavam isso como a lei das mutações - Yin-Yang-Tao - ou equilíbrio entre extremos de bem e mal. As religiões ocidentais tratavam isso como – moral, que os filósofos denominaram – ética. Os judeus se guiavam pela lei de talião, mas instituíram o ano sabático de regulação a cada 7 anos e o ano jubilar para uma espécie de regulação niveladora da riqueza entre todos, a cada 50 anos. Pouco a pouco, inventaram-se os códigos como o de Hamurabi; o direito romano imperial, que todos os candidatos a império continuam copiando, porque convém aos subgrupos oficiais; o Alcorão, que além da doutrina religiosa, contém muitas regras de relações econômicas e sociais.

     Com a modernidade, separaram-se os códigos religiosos (direito canônico) dos civis/políticos (direito civil); no astuto império britânico, separaram-se os códigos civis dos códigos econômicos, estes resumidos em “leis de mercado”. Desde então estabeleceu-se a luta entre códigos morais das religiões, códigos legais dos governos políticos e códigos econômicos de empresários, industriais, banqueiros e especuladores, tornando-se fonte permanente de tensionamento. E a regulação se transformou num problema dramático, porque em meio à confusão, o resultado é a dominação e a concentração de riqueza pelos subgrupos oficiais de cada grupo e sociedade, com os oscilantes apenas sobrevivendo e os antioficiais continuamente pregando revoluções e sendo vigiados pelas polícias secretas.

     A teoria dos jogos analisa os resultados da competição entre dois concorrentes como ganha-ganha, ganha-perde, perde-perde. Como complemento, o economista John Forbes Nash Jr., prêmio Nobel de Economia em 1994, defendeu em sua tese de 1948 – O Equilíbrio de Nash – o ponto em que dois competidores aceitam um determinado resultado (como o obtido em processos de mediação) pois um forçamento além desse ponto por qualquer um dos dois conduziria a um resultado econômico pior para ambos. Isso seria racionalidade econômica. Outro prêmio Nobel de Economia, James Tobin, propõe uma “taxa Tobin” sobre o capital especulativo para controlar a pirataria e acumulação financeira máxima, enquanto o A.M.I. (Acordo Multilateral de Investimentos, redenominado TRIMs – Trade-Related Investment Measures ou Regulamento para Investimentos) propõe que os países nos quais seus investimentos têm prejuízos paguem multas ou façam ressarcimentos. Mas não é só financeiro o desvario e necessidade de regulagem: é dos três cérebros, de todas as dinâmicas, dos 14 subsistemas, de todo o ecossistema.

     Na teoria sistêmica triádica são três os jogadores e o resultado desejado de qualquer esforço participativo seria - ganha-ganha-ganha - proporcionalmente, que é a repetição em cascata da escala 62% por 38% (se não for proporcional, qualquer modelo acumulador maximocrático pode dizer que todos ganham: o banqueiro ganha 60%, o governo ganha 39% e o trabalhador ganha 1%...).

     O socialismo surgiu como uma iniciativa dos subgrupos antioficiais inovadores, apoiados pelos oscilantes depredados, para a regulação dessa desmesura, acreditando que seria possível estabelecer a igualação ou justiça e harmonia entre os humanos, desapropriando a todos. Com medo ao socialismo, os subgrupos oficiais se moderaram e aceitaram a democracia social, o cooperativismo, aceitaram os sindicatos de empregados e, momentaneamente, a política social de um Estado empresário e regulador proposto pelo keynesianismo, a partir de 1935.

     Com o colapso do socialismo isso tudo foi descartado e desmontado, pois o “perigo” passou. Agora, propugna-se o Estado mínimo, não intervencionista na economia (não intervencionista a favor dos oscilantes, para intervir só em socorro aos banqueiros e ricos) e a supremacia dos subgrupos oficiais do mercado concentrador, em substituição ao subgrupo oficial político regulador. A palavra de ordem da pós-modernidade é: Neoliberalismo, tudo é dinheiro e só dinheiro! Deus é o mercado e os economistas são seus profetas! Ao assalto... e ao desastre das bolsas, dos excluídos, do ambiente, da solidariedade. Salve-se quem puder.

     Estamos em busca de uma base ética, estética, lógica, operacional, que regule as frentes científica, espiritual e finacista/política de todo o Show de Jogos Globais. Não se trata de ressuscitar ou recriar a proposta de algum profeta, de algum cientista/filósofo, de algum grupo revolucionário. Não se trata de proposta para uma espécie destruir as outras, para um grupo excluir os outros, para uma facção derrotar a outra e explorá-la, como sempre aconteceu historicamente. Terá que ser uma proposta inclusivista, de aceitação e de convivência de todos os conjuntos triádicos de jogadores, mas em relações proporcionais.

     5. 2. A PROPORÇÃO NA PROGRESSÃO HOLÍSTICA

     Chama-se proporção às relações operacionais (dimensões, peso, tempo, força de estímulo/resposta, regras/informação que regem a interação etc.) entre as partes de um sistema tri-uno (tomado, sempre, como um composto mínimo de três “inter-atores”):

- dois segmentos de uma linha:
- dois lados de um plano:
- arestas de um volume ou cubo:

     Essas relações são determinadas, sempre, por um número chamado razão (progressão de razão 2, de razão 3, de razão 4, etc.; ou progressão aritmética, progressão geométrica ou exponencial) o que acentua o caráter matemático próprio da proporção.

     Buscamos um conceito ou parâmetro móvel, elástico, com centro regulável, para expressar as relações entre as três partes que compõem a estrutura, funcionamento e movimento de um sistema. A intenção é encontrar algo que substitua a idéia de igualdade como no círculo, no quadrado, no triângulo eqüilátero, no pêndulo, aplicável às questões sócio-ecológicas, já que tudo está sempre em movimento multidirecional em ciclos oscilatórios progressivos, regressivos, variáveis, em fluxogramas cônicos, fractais.

     Queremos, também, encontrar algo que substitua a idéia de caos e acaso permanente e a lei do mais forte ou da seleção natural na selva, em que indivíduos ou grupos individualizados mais fortes se permitem tudo, até a desmontagem do ecossistema.

     Queremos, também, encontrar algo em substituição à crença ingênua na regulação divina ou extraterrestre direta, como uma divina providência ou uma mão invisível que corrige e regula a insensatez maximocrática individual, ajeitando os desmandos do egoísmo individual para convergirem no maior bem possível para todos.

     Essas três idéias ou crenças fundamentais coexistem, orientando a ação de diferentes grupos, sendo, ao mesmo tempo, expressão do esforço em busca de princípios, forças, mecanismos de regulação, de feedback, de direcionamento na rede ecossistêmica universal.

     As três suposições básicas que mencionamos e queremos reformular com o conceito de Proporcionalismo correspondem:
     - ao igualitarismo das revoluções utópicas ou românticas, das religiões, do cérebro direito e esquerdo, apropriado ultimamente pelo socialismo ou paradigma dialético, que era o preferido pelos subgrupos antioficiais e oscilantes até ha pouco;
     - ao maximalismo da lei do mais forte, da liberdade de mercado onde os poderosos sempre vencem, apropriado pelo capitalismo e seu paradigma monolético, de cérebro esquerdo e central, preferido pelos anglo-saxãos e todos os subgrupos oficiais, pelo corporativismo que lhes é inerente.
     - ao providencialismo primitivo, cármico, que vê a vida e a história como um destino superior, um determinismo que vem de fora da terra, baseado no cérebro direito monádico, isolado do esquerdo e central, de paradigma mítico e de prática mágica, preferido pelos oscilantes "puros" ou associados ao paradigma monádico capitalista (que sofre de carência de cérebro direito).

     O providencialismo mágico faz do ecossistema e do ser humano uma máquina digestora cega; o igualitarismo é o mais recente sonho desfeito, por contradizer as leis da diferença e hierarquia estrutural da energia ou natureza. O maximalismo monádico neoliberal força o Show de Jogos Globais e as diferenças (riqueza-pobreza, força-debilidade, sabedoria-ignorância, etc.) ao máximo, ilimitadamente, levando uns poucos à maxivivência e a maioria à subvivência e à exclusão e extinção.

     A proporcionalidade que buscamos não provém de uma progressão aritmética, em confronto com a progressão geométrica, como pensava Malthus comparando a progressão demográfica com a progressão dos meios de sobrevivência. Trata-se de um tipo especial: a série geométrica de progressão ou razão harmônica, usada desde tempos imemoriais na geometria sagrada, proposta por Pitágoras e mencionada por Platão. Euclides chamou de "média e extrema razão" à divisão de uma linha em dois segmentos cuja razão (divisão de um pelo outro) é dada pela letra grega (fi) cuja expressão numérica é 1,618 ou seu inverso 0,618 (em porcentagens é aproximadamente 62% por 38%. Isso corresponde a:

     A concepção de mundo de Euclides era linear, de linha reta. A física e astronomia modernas nos fizeram ver um mundo curvo, ondulado, fractal, vibratório, não linear. Isso não invalida a progressão harmônica ou modular de média e extrema razão.

     Pode-se ver uma aproximação do mesmo princípio na seqüência Fibonacci das progressões harmônicas -1,1,2,3,5,8,13,21,34,55 etc. em que o último número é a soma dos dois anteriores, que o arquiteto Le Corbusier denominou “modulor”.

     Se somarmos dois desses números contíguos e formarmos uma linha de 89 centímetros, sua divisão pela média e extrema razão ou pela progressão harmônica será 55 por 34. Se dividirmos 55 por 34, obteremos 1,618; se dividirmos 89 por 55, obteremos 1,618, o que, portanto, se pode ler 34:55 :: 55:89 (34 está para 55 assim como 55 está para 89 ou vice-versa, que vem a dar 1,618 ou 0,618). Com isso nos re-encontramos com a média e extrema razão de Pitágoras, Euclides e Platão, Fibonacci, Leonardo da Vinci, Kepler, Leibniz, Gauss etc.

     Se tomarmos dois desses números contíguos e usamos um como base e outro como altura, teremos o formato retangular da maioria dos livros, quadros, portas, paisagens, desenhos arquitetônicos, que dão a sensação de harmonia, por isso chamado de seção áurea, proporção áurea ou ponto de ouro. As seitas e corporações antigas (os “collegia” que eram precursores dos atuais sindicatos) como a dos ferreiros, dos construtores (maçons), os essênios, os rosa-cruzes, os pansofistas, os alquimistas, os templários etc., combinavam seus rituais de magia e feitiçaria com o estudo dos números e proporções. Daí surgiram a cabala, a numerologia, o I-Ching, a astrologia.

     A distância entre o elétron e o núcleo de um átomo é variável. No átomo de hidrogênio, é de 0,62 angstrom.

     Quando as partes de um sistema perdem sua diferenciação e tendem à igualação, o sistema desaba sobre si mesmo, implode.

     “Os extremos são viciosos” (Aristóteles).
     “Quando alguém vai para uma extremidade está saindo da realidade” (Buda).

     5.3. PROPORÇÃO NA PROGRESSÃO SOCIAL.

     Até aqui examinamos a proporção entre dois segmentos ou fizemos uma abordagem diádica. E a abordagem triádica?!... Na seqüência Fibonacci, podemos tomar três números; podemos decompor cada um em escalas repetitivas progressivas ou regressivas auto-semelhantes. Podemos ilustrar essa estrutura triádica "curvilínea" e sua reprodução escalar, observando um dedo da mão em suas três partes. Se observamos a mão, o antebraço e o braço, notamos a mesma composição por três módulos em escala proporcional progressiva; se observamos o corpo humano na vertical, a mesma escala se repete entre cabeça, tronco e membros inferiores. E assim por diante.

     Podemos tomar a seqüência Fibonacci numa linha ou curva fractal bem conhecida que é a Curva de Gauss, também chamada de curva da normalidade na distribuição de uma série qualquer. A curva de Gauss põe como medida da média razão a faixa entre 62% e 68%; e distribui a extrema razão - 38% - parte abaixo e parte acima da média. Por exemplo:

     Este modelo gráfico é a Curva de Gauss ou curva de sino para representar distribuições. Lê-se assim: uma série distributiva suficientemente ampla tem concentração média por volta de 62-68%, tendo o segmento distribuído parte (por exemplo - 23,5%) acima da média e parte (por exemplo – 14,5%) abaixo da média. As escolas aplicam esse critério de distribuição para saber se uma matéria foi bem ensinada e a prova foi bem elaborada: por volta de 62-68% dos alunos terão média 7; por volta de 23-24% dos alunos terão nota acima de 7; e por volta de 14-15% dos alunos terão nota abaixo de 7 (a porcentagem de alunos acima e abaixo da média não precisa ser esta, mas estará sempre por volta de 38%). Note-se que a curva de distribuição acima é coerente com a seqüência Fibonacci, tanto se dividindo 61,8 (arre-dondado para 62) por 38,2 (arredondado para 38) como se dividindo 23,5 por 14,5.

     O termo médio é o integrador, é o "atrator" do movimento orbital dos outros dois, fenômeno que ocorre com o nêutron, com a terça nas três notas de um acorde musical, com o amarelo nas três cores fundamentais etc. Aplicado o mesmo princípio à organização social, que é triádica e que representamos por triângulos, podem-se distribuir os três subgrupos correspondentemente, mas em proporções móveis ou em diferentes graus de concentração e dispersão. Como todo movimento e formas da energia é um trançado em linhas "rosqueadas" em formato côncavo/convexo (ou em imagens invertidas como ao espelho) podemos relacionar a distribuição dos três subgrupos e a distribuição dos meios de sobrevivência entre eles, em dois triângulos invertidos ou duas curvas de Gauss em posição inversa:

     Este modelo gráfico apresenta a correlação entre pares de grupos populacionais no triângulo sobre a base, e correspondente porcentagem de satisfatores no triângulo invertido. Vale lembrar que os satisfatores podem ser classificados pelos três cérebros ou, de forma mais ampla, pelos 14 subsistemas. O modelo acima, lê-se, a partir do meio, assim: 38% da população na parte superior com 62% de satisfatores (no triângulo invertido); e 62% da população na parte inferior com 38% dos satisfatores. Afastando-se dessa proporção, lê-se: 20% da população com 80% dos satisfatores e, vice-versa, 80% da população com 20% dos satisfatores. Obviamente, a correlação não é tão simétrica, mas é aproximada, pois a tendência é para os extremos e não para a proporção áurea de 38% por 62%. O modelo facilita o entendimento do dito que já é um lugar comum – “poucos em cima com muito, muitos embaixo com pouco”. O modelo gráfico do lado direito representa uma distribuição do tipo classe média majoritária (62-68%) com uma classe alta (23-24% o que é improvável, por excesso) e uma classe baixa residual (14,5 o que é improvável por pequena demais, embora desejável). Pode-se ler o gráfico da direita pelos três subgrupos: o subgrupo oficial de ±23-24% da população com ±51-52% dos satisfatores; o subgrupo antioficial de ±14-15% com ±11-12% dos satisfatores; e o subgrupo oscilante-centrista de ±62-68% com ±38-32% dos satisfatores.

     A proporcionalidade triádica pode ser a raiz, o ponto de referência, o centro gravitacional da co-gestão ou inter-governabilidade social, porque pode fundamentar uma nova Justiça, uma nova legislação, uma nova atitude e um novo comportamento em todos os níveis e esferas do Show de Jogos Globais. Os três subgrupos têm duas alternativas: optar pelo proporcionalismo se desejam uma convivência mais pacífica, preservadora das condições de sobrevivência a longo prazo; ou permanecer na opção consciente ou inconsciente pelo paradigma monádico darwiniano de individualismo maximalista predatório, justificado e mal disfarçado pela invocação de poderes reguladores divinos ou mercadológicos, se gostam de uma convivência cada vez mais conflitiva e se desejam apressar a extinção da vida e seu pequeno hábitat - o ecossistema terráqueo.

     Há muitas outras evidências e manifestações de que existe um algoritmo, uma fórmula, uma equação, uma sabedoria, uma arte, um coração, uma força que distribui partes proporcionalmente, que gera movimentos em ciclos e escalas, oscilações que vem e vão, dentro de certas medidas. Como exemplo, podemos observar ou mover a progressão tanto a partir da média como da extrema razão, ou tanto da parte maior que está no meio, como da parte acima da média ou da parte abaixo dela, modificando o tamanho das porções ou porcentagens. Podemos observar um rosto a partir do queixo, fixar o olhar num ponto entre as sobrancelhas e subir até o cabelo; ou começar pela fronte, baixar o olhar até a ponta do nariz e seguir até o queixo (pode-se repetir isso em qualquer outra direção e em escala maior ou menor).

     Isso quer dizer que a distribuição da proporcionalidade não tem um centro e limites fixos; desloca-se como se fosse de borracha que se espicha, e ao espichar-se altera as bordas e força o centro que pode pender mais para o lado superior da média ou mais para o lado inferior ou outra direção. É o movimento instável/reajustável de deslocamento do centro de gravidade mais para a neguentropia ou mais para a entropia. Em termos de três subgrupos, equivale a dizer que o subgrupo oscilante oscila, ziguezagueia entre o subgrupo oficial e anti-oficial modificando sua forma, tamanho e peso ao fazê-lo, acontecendo o mesmo com qualquer dos outros dois subgrupos.

     5.4. MANIFESTAÇÕES PROPORCIONALISTAS EM ALGUNS SUBSISTEMAS.

     No S01 - Parentesco:
     As construções ocupam normalmente 38% de um terreno que, por sua vez, já tem o formato do retângulo áureo. As construções consideradas estéticas também guardam a proporcionalidade áurea, até nas janelas e portas. A fertilidade da mulher obedece a uma divisão de mês lunar em três fases proporcionais entre si. As etapas da vida podem ser divididas em três módulos proporcionais: juventude, madurez, velhice. A diferença média de idade entre pais e filhos fica em torno da média e extrema razão. O incremento demográfico em países mais proporcionalistas gira em torno do número F (fi) - 1,6% ou seu oposto 0,6%. Estudos da oscilação de populações animais em relação ao ecossistema parecem seguir a equação da diferença logística:

               x (do próximo ano) = rx(1-x)

em que x é a população atual, r é a taxa de incremento e (1-x) é o feedback limitador que mantém o crescimento dentro de limites proporcionais, já que quando x aumenta, (1-x) faz cair, mantendo as variações em torno da proporcionalidade.

     No S02 - Saúde:
     O corpo humano é montagem de módulos escalares proporcionais: entre os pés e a cabeça, a seção áurea está no umbigo; entre os dois braços abertos, está num ombro; as mesmas proporções podem ser vistas no rosto; a forma corporal masculina e feminina é inversa, bem como muitas de suas partes. A água do corpo humano é de 60% a 70% do total. A temperatura oscila entre 36 e 42 graus, etc. A pressão sangüínea deve estar próxima de 8 por 12.

     No S03 - Manutenção:
     As partes de carboidratos, vegetais e proteínas numa refeição normal são proporcionais, assim como a dosagem de PH (proporcionalidade de ácidos e álcalis). Numa escala de 1 a 14, a proporcionalidade do PH está entre 4 y 6. Os dentes têm esta proporção: 20 dentes (62% do total) são pré-molares e molares para cereais; 8 dentes (25%) são incisivos para vegetais; e 4 dentes (13%) são caninos para carnes. A nutroterapia recomenda comer 38% de vegetais crus e 62% de cereais para melhorar a saúde; 38% de cereais e 62% de vegetais crus para curar enfermidades.

     No S07 - Pedagógico:
     Além da curva de sino ou de Gauss, consagrada em educação, a distribuição de conhecimentos num currículo é de aproximadamente 38% de cultura geral e 62% de formação específica. Uma prova está bem construída quando pelo menos 62% dos alunos ficam na média, com alguns acima dela e outros abaixo dela. A hierarquização dos três processos mentais num teste tricerebral deve guardar proporções que variam entre 28 e 45 cada um. Mas cada um dos três poderá ter, como diferença máxima, 7 pontos.

     No S08 - Patrimonial (que é o principal pomo da discórdia entre paradigmas e subgrupos):
     O índice de renda per capita esconde a má distribuição triádica e disfarça a concentração maximalista do subgrupo oficial. O índice de Gini que agrupa a renda em níveis de 0,1 a 0,9 começa a revelar as desproporções entre segmentos sociais, embora sem agrupação triádica. Os países considerados mais proporcionalistas são Canadá e os países escandinavos. Os Estados Unidos já foram mais proporcionalistas e caminham, agora, para uma acelerada concentração de renda. O imposto de renda progressivo (quanto mais ganha mais paga) obedece ao mesmo princípio da progressão harmônica (em países sérios). A lei de mercado também seria mais proporcional se os três subgrupos tivessem o mesmo grau de poder e de informação (atualmente os subgrupos oficiais manipulam isso como querem, diante de populações atônitas e impotentes).

     No S09 - Produção:
     A divisão da idade do ser humano em fase educadora/formadora, fase produtiva e fase de aposentadoria, aproxima-se da distribuição pela curva de Gauss. Com o aumento da expectativa de vida, estão mudando as porções de vida dedicadas aos três grandes períodos: 25 anos de educação dedicados ao desenvolvimento do capital mental; 40 anos dedicados ao trabalho; 15 anos de aposentadoria... Há uma relação de média e extrema razão no crescimento do PIB com o crescimento demográfico. O mesmo acontece com a relação entre uso (alto) de tecnologia e nível de emprego (baixo) e vice-versa.

     No S12 - Político-Administrativo:
     O multi-partidismo leva a alianças que se aproximam da proporcionalidade. As eleições de segundo turno geralmente expressam isso melhor. A alternância no poder ou as reviravoltas políticas podem ser representadas pelo atrator de Lorenz: uma força - uma roda movida a água, por exemplo - vai acelerando num sentido (direita ou situação política) até começar a parar e inverter o sentido do movimento (para a esquerda ou oposição). Todos os temas agudos da política e do poder como hegemonia; centralismo e descentralização; estatização e privatização; votação pelo princípio da maioria ou pelo princípio da proporcionalidade dos subgrupos culturais ou econômicos - terão que encontrar seu caminho para a democracia triádica proporcionalista, que se aproxima a 62% por 38%.

     No S13 - Jurídico:
     Frente à proporcionalidade triádica, percebe-se imediatamente que a idéia de igualdade de direitos na teoria, é apenas um truque e um despistamento usado pelos oficialistas para trapacear os desfavorecidos na prática. Comparando o triângulo da população com o triângulo invertido da distribuição de satisfatores, vê-se que a justiça é a proporcionalidade e não a igualdade: os que tem posição mais alta, já que tem mais direitos teriam, também, maiores responsabilidades e penalidades que os de posição mais baixa, diante de uma mesma infração. "Justo é o que é proporcional" é noção inata, a priori. Mas é preciso traduzir isso em medidas lógicas e legais e, instituições político-econômicas proporcionais para os três subgrupos, do contrário a discurseira “ética” vai continuar o faz-de-conta.

     6. ALTERNATIVAS DE VIDA PARA O PLANETA

     Por ocasião dos aniversários de muitos manifestos, nos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao início do terceiro milênio celebrado com um ano jubilar, é urgente lançar um novo manifesto a favor do ecossistema, a favor da vida e da felicidade, o qual requer uma nova "evangelização" do cérebro direito, uma nova libertação mental ou conscientização do cérebro esquerdo, uma nova ordem tri-una (não só econômica) para o cérebro central. Trata-se de buscar a proporcionalidade nos três cérebros, nas relações familiares, nas relações de poder, nas relações econômicas, nas relações com o ambiente total.
     Não basta mudar de paradigma no cérebro esquerdo (só mudaria a linguagem ou o modo de mentir, ideologizar e auto-enganar-se). É preciso mudar o megaparadigma atual, lutando por:
     - uma nova lógica triádica (informação verdadeira);
     - uma nova sensibilidade ética (justiça triádica);
     - uma nova organização do Estado (substituição dos legislativos pela democracia direta, substituição dos      executivos políticos pela auto-gestão por profissionais de cada um dos 14 subsistemas, tudo sob controle de      um único Poder Arbitrador Tri-uno, eletivo, direto, regulando o jogo triádico dos subgrupos dentro dos limites      da proporcionalidade.

     A proposta mais completa pode ser vista no Manifesto da Proporcionalidade, lançado no Quinto Fórum Social

Mundial de Porto Alegre, disponível na página:
www.globaltriunity.net

VÍTIMAS DO OFICIALISMO DESPROPORCIONAL, UNI-VOS!