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O PARADIGMA DA DESPROPORÇÃO
1. QUE DIAGNÓSTICO FARIA DE NOSSO ECOSSISTEMA TERRA
UM OBSERVADOR EXTRATERRESTRE?
Somos
todos sistemas-parte de um imenso e único sistema de intercâmbio,
interdependente, complementar, como partes subsidiárias.
Numa ponta do sistema somos usuários ou consumidores de inputs,
de (bens) satisfatores para nossas necessidades; na outra somos
prestadios ou ofertantes de satisfatores para as necessidades dos
demais. Nesse processo - que podemos chamar de USUPRESTADIO ou PRESTUSUÁRIO
- estamos todos os participantes do ecossistema: a água,
o vento, as plantas, os animais, os humanos com suas classes, seu
trabalho, suas idéias, seus amores, etc.
Este modelo gráfico ilustra
o conceito de sistema com seus conceitos de insumo, trabalho/transformação,
produto e circuito de feedback. Em nossa linguagem sistêmica
triádica, “insumos” e “produtos”
quer dizer satisfatores das necessidades de um sistema qualquer.
Como os sistemas são tri-unos, trilaterais, tricerebrais,
os satisfatores podem ser classificados em três categorias,
tri-unos, trilaterais ou tricerebrais. No interior do gráfico
de sistema, aparece uma como “âncora” que representa
a natureza triforme e tridimensional da energia ou o princípio
triádico. A seqüência de três sistemas completos
sugere que todos os sistemas estão em rede, mas não
linear como pode sugerir a ilustração acima. O ecossistema
– ou sistema total que engloba todos os ocupantes do planeta
– é todo trançado, entrelaçado, como
uma teia de aranha, mas tridimensional ou cúbica, como uma
espiral ou uma galáxia, vibrando e retorcendo-se em alta
velocidade.
Um
observador extraterrestre poderá observar que:
-
o ambiente físico-geológico (dinâmica
potencia/ambiental) está depredado, contaminado,
e todo esburacado.
-
no uso de sistemas de informação (dinâmica
noológica, mental) estamos todos desorientados:
as plantas, as baleias, os pingüins, as formigas, as aves migratórias,
as classes humanas altas, as baixas, os ricos, os pobres, os católicos,
os budistas, a direita, a esquerda (os cientistas, os políticos
e os executivos transnacionais mais que todos).
-
a imagem do valente e responsável macho encolheu; e a da
moça de família e da santa mãezinha como sustentáculo
do lar (dinâmica individual e familiar) já
não existe. O santo lar e o sagrado leito transformaram-se
num intenso campo de batalha que, entretanto, continua produzindo
e lançando no mercado grande número de pequenos guerreiros
(filhos,) futuros adultos igualmente confusos. No mundo animal e
florestal, a demografia caminha para a extinção apesar
de bravatas biotecnológicas.
-
as relações de produção e distribuição
de bens satisfatores (dinâmica prestusuária
ou economia) entre todos os comensais do ecossistema planetário
têm concentrações imensas em alguns poucos pontos
e, vazios espantosos na maior parte do planeta para humanos, para
animais, para as plantas, para a água, o oxigênio,
etc.
-
as relações de convivência entre espécies
são um desastre causado pela espécie humana; e as
relações de convivência entre classes, grupos,
partidos políticos, nações e seus Estados continuam
turbulentas como sempre (dinâmica de grupo
ou regulação do poder, política de coexistência
ou convivência em todo o ecossistema) entre o caos e a tirania
com breves descansos de democracia real, para todos, em todos os
aspetos.
-
as expectativas em relação ao novo milênio,
o futuro, o progresso, a conquista do sistema solar, o destino do
ser em relação ao infinito, o eterno, o absoluto (dinâmica
universal) que é o reino da utopia, da ficção
científica, das finalidades últimas, das religiões,
de todas as mitologias, da ficção religiosa, estão
entre extremos de pessimismo e de otimismo: por um lado nota-se
o esgotamento de recursos, a extinção de espécies
e o desmontagem do ecossistema ou planeta: a idéia de progresso
está desmoralizada e o futuro comprometido; por outro, o
ressurgimento do fundamentalismo ou radicalismo religioso, místico,
esotérico, mágico, por toda parte, cria una impressionante
plataforma de otimistas simplórios.
Acima,
foram usados seis conceitos que formam um quadro referencial para
classificar realidades que se interpenetram,
pois não se podem separar umas das outras:
dinâmica universal (sentido
maior da vida);
dinâmica de grupos (poder e
convivência);
dinâmica prestusuária
(economia);
dinâmica individual (personalidade
e carreira);
dinâmica noológica (uso
do cérebro) e
dinâmica ambiental (estoque
de recursos).
O
observador extraterrestre poderá observar também grandes
avanços em ciência, inventos tecnológicos e
de produção, mas com efeitos colaterais desastrosos
que são os produtos-problema ou produtos negativos:
- megalópoles e explosão
demográfica (SO1-Parentesco);
- poluição, lixo e stress
(SO2-Saúde);
- desnutrição, fome
e falta de água (SO3-Manutenção);
- crescente hostilidade, ódios
raciais, étnicos e nacionais (SO4-Lealdade);
- diversão alienante, desencanto
e solidão, drogas e outros sucedâneos (SO5- Lazer);
- transportes urbanos anti-ecológicos;
- monopólio e manipulação
da informação mundial e propaganda (SO6-Viário);
- atraso na educação
básica, analfabetos funcionais, condicionamento mental e
ideológico, e aliança suicida da
ciência com a tecnologia de morte (SO7-Educação);
- riqueza e pobreza extremamente polarizadas,
inflação, guerra econômica, manipulação
de mercados e moedas (SO8-Patrimonial);
- produção transnacional
sem vínculo ecológico e com as necessidades reais,
falsa criação de riqueza pela especulação
financeira, com desemprego e subdesenvolvimento crescentes (SO9-Produção);
- materialismo e comercialização
das religiões messiânicas (S1O-Religioso);
- fabricação de armamentos,
guerras sem sentido, violência urbana (S11-Segurança);
- corrupção política,
ingovernabilidade, imperialismo (Sl2-Político-Administrativo);
- justiça vinculada ao econômico,
decadência ético-moral-legal, desrespeito à
vida e aos direitos básicos (S13-Jurídico);
- valores e êxito reduzidos
a acumulação econômica (S14-Precedência)
etc.
Nesta
listagem anterior, foi utilizado o referencial dos 14 subsistemas
que define as necessidades, define os (bens) satisfatores, as instituições
privadas e públicas que se dedicam a produzir, distribuir
e regular o uso e desfrute desses satisfatores. Juntando os conceitos
anteriores num modelo gráfico, um observador extraterrestre
veria esta construção social brotando do espaço
físico:
Este modelo gráfico quer representar,
como num mapa, os componentes essenciais de um sistema ou ecossistema
movido por seu dinamismo tri-uno. Na parte inferior, o gráfico
ilustra a evolução ou complexização
da energia em seu formato tri-uno – três forças,
três elementos, três sentidos – formando sistemas
tri-unos, com seu dispositivo de feedback, até o aparecimento
do cérebro tri-uno dos mamíferos, principalmente o
humano. Daí em diante, os seres humanos com seu potencial
tri-cérebro-grupal – três cérebros que
geram três subgrupos disputando satisfatores – criaram
a cultura, projetando sempre o mesmo formato de três, ilustrado
pelas setas que nascem de cada parte do cérebro rumo ao poder
político, econômico e sacral, ao alto do gráfico.
Os catorze subsistemas ou setores – na vertical - são
um desdobramento das necessidades de reprodução e
sobrevivência ambiental, individual, empresarial, grupal e
universal. Cada um dos catorze subsistemas ou campos de necessidades
podem ser detalhados pelos 4 fatores operacionais – à
esquerda – que indicam localização no espaço-tempo,
indicam os três subgrupos de atores e seus níveis,
bem como o conjunto de ações, técnicas, custos
e resultados. São uma formalização dos conhecidos
pronomes interrogativos – onde, quando, quem-com-quem-contra-quem,
o que, como, por que, com que, resultados esperados.
O
observador extraterrestre verá belezas e maravilhas; e verá
horrores e tristezas, tanto pelas seis dinâmicas como pelos
catorze subsistemas ou simultaneamente; verá justiça
e equidade numas poucas partes e o contrário nas outras;
verá democracia total ou parcial em algumas partes e tiranias
e caos nas demais; verá uns quantos seres humanos como cidadãos
nacionais e planetários conscientes e participantes e, a
maioria, como massa de marionetes sem consciência cidadã,
sem poder ultrapassar o nível biológico, impotentes
frente ao poder político-econômico dos depredadores.
2. PORQUE AS MARAVILHAS E
OS HORRORES SÃO TÃO PRÓXIMOS E PRESENTES EM
TODO O ECOSSISTEMA?
Maravilhas e horrores se misturam
porque o ecossistema tem umas características que é
preciso levar em conta e que temos que aprender a regular melhor,
de acordo com alguns princípios chamados - ético-morais-legais,
ou multidimensionais, ou de interesse ecossistêmico (e não
só individual, ou empresarial, ou nacional, ou só
dos subgrupos oficiais dominadores, ou somente da espécie
humana), princípios esses transformados, primeiro em filosofia
ético-jurídica e depois em regras, normas e leis reguladoras
das interações entre todos, com instituições
encarregadas de sancionar sua observância. Vamos recordar
as características do ecossistema que nos dão uma
nova percepção do que seja a realidade.
ESPAÇO
(ambiente físico)A energia forma os sistemas triúnos,
de expansão holográfica, que se interligam e
intercambiam energia por inputs e outputs, para operar o fluxo
energético; por isso seus extremos são superpostos
no espaço-tempo como escamas de peixe. Os sistemas
formam uma rede universal, vertical (hierarquias), horizontal,
transversal, trançada, quântica, biológica,
mental, grupal, societária, planetária, etc.
São os diversos níveis de organização
e manifestação da trança energética,
em forma fractal, ondulatória. Segundo a física
quântica haverá que redefinir “realidade”
e sua percepção como um ordenamento de conjuntos
triádicos, cada nível com seu código
ou plano estrutural/desenvolvedor. Cada nível sistêmico
acrescenta complexidade e características “emergentes”.
Como a rede universal tem detalhes e interconexões
não de todo desvendados, o risco das ilimitadas iniciativas
intervencionistas da biotecnologia oficialista se deve mais
à sua arrogância e ao vício da riqueza
que ao desejo de cooperar e conviver com a natureza.
CRONOLOGIA - tempo ou
movimento co-evolutivo dos sistemas
Os sistemas estão sempre em movimento transformativo-evolutivo,
por ciclos ondulatórios regulares, irregulares, em
escalas recorrentes, fractais. Cada ciclo é uma epigênese
(ramificação diádica ou triádica
com recorrência) do anterior, sem fim, podendo progredir,
regredir, perder-se... Probabilismo, plausibilidade ou propensão:
incerteza
PERSONAGENS,
Atores ou Actantes
Os agentes, as forças, os sujeitos de qualquer
sistema têm três posições
e formam três subgrupos complementares, reversíveis
ou em rodízio (nada é só sujeito
ou só objeto, só causa, só conseqüência):
OFICIAL (regente); ANTIOFICIAL (divergente); OSCILANTE
(convergente) que ora ficam isolados, ora cooperam,
ora competem (2 contra 1). |
 |
Os
três subgrupos derivam do desempenho dos três
cérebros ou tricerebrar. Por isso, o comportamento
se diz “tri-cérebro-grupal”. Os três
subgrupos se criam, se apóiam e se definem reciprocamente
e se hierarquizam em poucos ou muitos níveis. O modo
de tricerebrar do oficial se diz “oficialismo”;
o do antioficial se diz “antioficialismo”; e o
do oscilante se diz “oscilância”, cada qual
com seu arsenal típico para tirar vantagens máximas
sobre os demais. É o jogo triádico ou democracia
triádica da energia. A experiência histórica
mostra que pessoas, subgrupos e países que exercem
o oficialismo, seja na família, escola, empresa, religião,
política, economia etc., tendem a romper os limites
da proporcionalidade e transformar-se em disfarçados
ou cínicos tiranos, déspotas, e opressores em
relação aos oscilantes, suscitando o antioficialismo,
a reação revolucionária e a guerra civil
ou internacional.
PROCEDIMENTOS
Os sistemas e seus subgrupos são movidos
pela busca e acumulação de satisfatores,
maximocraticamente, baseando-se em informação,
criatividade e esforço ou luta com todos os meios
possíveis. É o comportamento tri-cérebro-grupal,
que pode desempenhar-se com ondas gama, beta, alfa,
theta, delta etc. O conhecimento lógico/científico
não é tão objetivo ou “real”
como pretendem os monádicos; é um misto
proporcional de subjetivo/intuitivo/objetivo, o que
o torna aproximativo porque é em parte “real”
e em parte “criado”, inventado, adaptado
aos vícios de percepção de cada
tricerebrar. |
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|
A
rede ecossistêmica global precisa manter-se nos limites da
proporcionalidade entre os extremos da neguentropia (máximo)
e entropia (nada, mínimo) para que haja intersustentabilidade
e continue a existir. Para isso existe e tem que funcionar o Ciclo
Cibernético de Feedback individual, coletivo, universal.
Até agora as desigualdades,
a injustiça, o sofrimento continuam catastróficos
porque todos os indivíduos, os subgrupos, os países
temos um impulso para o máximo, exercendo a maximocracia
de acordo com o alcance do arsenal de cada subgrupo, sendo que o
oficialismo é o que sempre vai mais longe no abuso. E não
se encontraram métodos eficazes e duradouros para regular
ou controlar os maximocráticos mais ferozes. Isso explica
porque temos ciclos de abundância e de escassez, de paz e
de guerra, de cooperação e de competição,
de democracia e de tirania, de beleza e de horrores na grande rede
sistêmica.
Essa
é uma nova maneira de nos entendermos a nós mesmos:
- cérebro lógico - educação,
informação, pensamento crítico; e poderá
ser também uma nova maneira de nos sentirmos:
- cérebro emocional - convivência
solidária, criatividade, ética, mística; e
poderá ser também uma nova maneira
de nos construirmos, de sobreviver:
- cérebro operativo: trabalho,
negócios, administração.
3. SE ESTE É UM NOVO
PARADIGMA OU MODELO DA REALIDADE, COMO ERAM OS PARADIGMAS ANTERIORES
E SEUS PRINCÍPIOS ÉTICO/REGULA- DORES?
Primeiro,
os humanos viviam em bandos, guiados só por seu instinto
de SOBREVIVÊNCIA/REPRODUÇÃO como qualquer animal,
nos quais predomina o cérebro central, também denominado
reptílico-animal. Charles Darwin caracterizou isso em sua
“Origem das Espécies” em que estabeleceu a lei
da evolução impelida pela disputa selvagem, regulada
pela seleção natural que privilegia os mais aptos,
os que lutam melhor. A lei da selva. Entretanto, pouco a pouco,
a espécie humanóide foi-se diferenciando e conquistando
poder de influenciar o ambiente mais que os outros animais. Descobriu
a arte, descobriu o método de produzir conhecimento e inaugurou
a disputa com crueldade organizada: guerra, tortura, monopólio,
armas, etc. Predominou o cérebro central, reptílico,
subjugando o esquerdo-racional e o direito-moral-ético.
Este modelo gráfico quer representar
o fenômeno tri-cérebro-grupal e seus quatro níveis,
cada um com o título de seu respectivo conteúdo. No
canto extremo esquerdo, está uma seta de polarização
– minimocracia e maximocracia – indicando que a evolução
animal e humana estão emendadas no nível 1 (um), onde
param todos os animais, exceto o humano que prossegue em sua evolução
pelos níveis 2, 3, 4 e mais. O tricerebrar é considerado
38% genético, inato ou hereditário; o resto é
construção social sistêmica, bem ou mal feita,
a partir da família como sistema. No canto extremo direito,
está uma seta e uma espiral para indicar um gradiente ou
escala graduada que vai do mínimo consciente, autodeterminado,
civilizado (máximo de determinismo, primitivismo, escravidão
biológica) ao máximo de livre arbítrio, consciente,
civilizado, elevado. Os três blocos de conceitos abaixo e
acima do cérebro apresentam palavras-chave para referir-se
ao inferior e ao superior dos três processos mentais-grupais,
que se poderia resumir, para o cérebro esquerdo – ignorante
e sábio; para o central – pobre/dominado e rico/dominador;
para o direito – grosso/psicopata e refinado/solidário,
respectivamente. Este gráfico pode ajudar a situar ou dar
mais precisão à linguagem para referir-se a toda a
temática mencionada acima.
Nos
últimos 5.000 anos os humanos começaram a orientar-se
pelos paradigmas religiosos ou tradições espirituais,
nascidos do cérebro direito límbico-intuitivo, com
toda a força posta nos valores de amor, verdade, justiça,
caridade com os semelhantes e salvação eterna como
recompensa. As religiões são grandes sistemas ético-morais,
fundamentados no cérebro direito, quase completamente segregado
do esquerdo e do central. O budismo denunciou a maximocracia tri-cérebro-grupal
como a fonte do sofrimento e pregou a renúncia voluntária.
O cristianismo pregou o amor, o perdão, a equidade. O judaísmo,
e o protestantismo depois, nunca aceitaram isso, nunca renunciaram
à maximocracia, à usura e a proclamar-se a raça
messiânica, superior...
O
paradigma cristão predominou ao redor do Mediterrâneo,
como prolongação do império romano, por uns
15 séculos. Chegou a ser um império mundial com todo
o autoritarismo e crueldade de qualquer outro império. Tinha
uma ética da pobreza (para os oscilantes), proibia os juros
sobre empréstimos de dinheiro (medida anti-usura) e viveu
em pugna permanente com os “bárbaros” do norte
(anglo-saxãos), os judeus e os árabes (os diferentes).
Tinha que haver um só rebanho (império) e um só
pastor (Papa). Cerca do ano 800, os cristãos da Europa Oriental
se separaram (cisma), formando o cristianismo ortodoxo.
A
partir de 1500, com os descobrimentos e o movimento protestante
e burguês, os judeus, os comerciantes e banqueiros das cidades
(burgueses) se emanciparam da Igreja Católica e dos senhores
feudais. Em comum, protestantismo e judaísmo entronizaram
a “teologia da prosperidade” ou ética protestante,
segundo a qual, a salvação se consegue por trabalho,
progresso e riqueza (religionização do dinheiro):
A Reforma. Com isso floresceu a livre economia (mercantilismo) nos
países anglo-saxãos, acompanhada depois por democracia
e desenvolvimento tecnocientífico (cérebro central
e esquerdo, menosprezando o direito) em ciclos sucessivos, conhecidos
como revoluções industriais ou tecnológicas.
Mas estava também reaberto o caminho para a maximocracia
dos subgrupos oficiais, sacramentada pelo primeiro economista inglês
- Adam Smith – ao afirmar que, como os humanos não
podem prever as conseqüências de seus atos, é
melhor deixar de preocupar-se com isso e esperar que tudo seja ajeitado
pela “mão invisível” da natureza (a suposta
sabedoria da Divina Providência ou do mercado) depois reforçada
por Charles Darwin com a teoria da seleção natural
pela sobrevivência do mais apto (biológica e mercadologicamente).
Por maximocráticos e desproporcionais,
os últimos 500 anos de progresso espetacular, tiveram como
efeitos colaterais, nos últimos 150 anos, a usura concentradora,
a tendência ao imperialismo e aos monopólios que provocaram
duas guerras mundiais sangrentas e a histórica reação
do marxismo/socialismo, derrotada pelo império anglo-americano
entre 1989-1991.
3.1.
ALGUNS AUTORES E FATOS DA IDADE MODERNA
Idade
Moderna: ciclo histórico que começou em 1517 com o
Manifesto do frade agostiniano alemão, Martinho Lutero, contra
o oficialismo papal de Roma (depois denominado protestante pela
reação oficialista católica do Concílio
de Trento em 1536). Era o desfecho do jogo triádico da Europa
medieval entre latinos cristãos, eslavos ortodoxos, os islâmicos
e os anglo-saxãos, os “bárbaros” do norte.
Os países de cultura latina na Europa são: Itália,
França, Espanha, Portugal; os países anglo-saxãos
são: Inglaterra, Áustria, Alemanha, Holanda, Dinamarca,
Finlândia, Suécia e Noruega, parte da Bélgica,
parte da Suíça; os eslavos são: os da ex-URSS,
menos os islâmicos.
A idade moderna foi precedida pelo
Renascimento da arte, literatura e pensamento gregos nos países
latinos. O Renascimento foi uma espécie de subgrupo antioficial
da cultura oficialista eclesiástica, uma reação
mais de cérebro direito romântico (artes, literatura:
o poeta Dante Alighieri, o pintor Rafael, o pintor e escultor Miguel
Ângelo); e um pouco de cérebro esquerdo com o início
do espírito de pesquisa e teorização fora do
controle da filosofia/teologia (artista e inventor Leonardo da Vinci,
o cientista político Nicolau Maquiavel). Quem derrubou o
imperialismo papal não foram os artistas e literatos latinos;
foram os pragmáticos e científicos anglo-saxãos
(alemães, holandeses e ingleses).
O início da idade moderna significa:
o fim do imperialismo eclesiástico/papal/latino; o fim da
presença árabe/islâmica no sul da Europa; significa
o começo do imperialismo mercantil-militar europeu com as
viagens marítimas ao redor do planeta; o começo do
império turco/otomano no Oriente Médio que terminou
na primeira guerra mundial; e a consolidação do imperialismo
anglo-saxão, iniciado pela Holanda, logo sucedida pela Inglaterra,
continuando, hoje, como imperialismo anglo/americano.
A
idade moderna ou o ciclo de 500 anos de reinado dos anglo-saxãos
está em transição para a idade pós-moderna
(ou outro nome qualquer) desde a queda da antioficial/oficialista
URSS (1989-1990) prenunciando o declínio, também,
do oficialismo anglo-americano, um gigante perseguindo anões
por toda parte.
3.1.1.
Alguns nomes influentes no jogo triádico religioso dos últimos
500 anos:
|
Do
lado anglo-saxão protestante antioficial |
Do
lado do império oficial papal que sobrou |
|
Martinho
Lutero, com suas 92 teses, liderou o rompimento com o oficialismo
romano, apoiado pelos príncipes alemães interessados
na emancipação. Introduziu a Bíblia
em alemão (efeito Guttemberg). Na utilização
da Bíblia, o Velho Testamento (que é judaico
e judeu) foi adotado para os subgrupos oficiais do dinheiro
e do poder e o Novo Testamento (que é consolador
dos pobres e perdoador dos opressores) foi adotado para
os oscilantes. João Calvino (l509-l564) que, embora
francês, aderiu ao protestantismo e completou a doutrina
da salvação só pela fé, sem
ter que comportar-se de acordo com ela na prática.
Conseguir a prosperidade é sinal de bênção
de Deus e de salvação (coisa de judeu do tempo
do bezerro de ouro). Hoje essa “teologia” unificou
meios e fim: dinheiro e Deus são a mesma coisa –
divino dinheiro! |
Os
jesuítas (fundados pelo militar espanhol Inácio
de Loyola) como tropa de combate intelectual aos protestantes.
O Concílio de Trento reafirmou a Idade média
e o poder sobrenatural e superior da Igreja em relação
ao poder dos governos e Estados, ditos temporais e manteve
isso por 400 anos no mundo latino. Excomungou Lutero, Calvino
e todos os protestantes. Negou sempre a renovação
religiosa, científica, política e econômica
provocada pelos anglo-saxãos protestantes, remando
contra a maré histórica. Esta excomunhão
ou condenação foi retirada há uns 15
anos. Mas houve um recuo no ecumenismo: o papa voltou a
afirmar a superioridade do catolicismo sobre os demais credos. |
|
Os
Puritanos da Inglaterra que vão apoiar a revolução
de Oliver Cromwell. Os Maçons ingleses e franceses
eram os ideólogos das elites.John Bunyan escreveu
em 1678: A viagem do peregrino, deste mundo para aquele
que há de vir. O livro era a versão protestante
da “Imitação de Cristo” dos católicos. |
Os
fundadores de congregações missionárias
para um novo expansionismo católico, em escolas,
hospitais e outras obras sociais. |
|
Multiplicação
de fundadores das chamadas “seitas” evangélicas.
Apareceram teólogos importantes como Martin Buber,
Barth e outros, de busca religiosa séria, como o
Movimento de Taizé (monges protestantes). Os movimentos
carismáticos e curandeiros são de religiosidade
caipira. |
Fundadores
de movimentos leigos de apostolado como a Ação
Católica, o Partido Democrata Cristão e outros.
Pe. Teilhard de Chardin tentou uma fusão do Evangelho
com a teoria evolucionista. Gustavo Gutierrez e Leonardo
Boff tentaram uma fusão do Evangelho com o marxismo
na América Latina, sem contestar o oficialismo papal
medieval, até hoje. |
3.1.2.
Alguns nomes influentes em Ciência, Política e Economia
no jogo triádico dos últimos 500 anos:
|
Anglo-saxãos |
Adversários |
|
Bacon
(1561-1626) estabeleceu as regras do método científico
das Ciências exatas, trabalho completado por René
Descartes (1596-1650).Thomas Hobbes (1588-1679) foi o filósofo
inglês do oficialismo monádico, absoluto, o
Maquiavel dos anglo-saxãos.Oliver Cromwell foi quem
fez a primeira revolução burguesa em 1649:
derrubou o feudalismo na Inglaterra, enforcou o rei católico
Carlos I e fundou o primeiro estado parlamentarista moderno.John
Locke (1632-1704) filósofo e jurista criou a teoria
dos três poderes: executivo, legislativo e judicial. |
O
astrônomo Pe. Johannes Kepler (1571-1630) aprofunda
a teoria heliocêntrica e estabelece a órbita
elíptica dos planetas de acordo com a lei Fibonacci
ou seção áurea.Gottlieb Leibniz (1646-1716)
foi o alemão que tentou defender o catolicismo com
uma nova filosofia, ciência, matemática e propostas
de reunificação religiosa e ecumenismo. O
francês Montesquieu (1689-1755) plagiou a teoria dos
três poderes de John Locke e passou à História
como seu autor, pelo menos no enganado mundo latino dos
últimos 500 anos. |
|
O
astrônomo Isaac Newton (1642-1727) estabeleceu matematicamente
a teoria da mecânica celeste, dedicando-se depois
ao esoterismo.Adam Smith (1723-1790) publicou em 1776: “A
riqueza das nações”, o primeiro livro
de teoria econômica, que é a teorização
do livre mercado do oficialismo imperialista inglês.
A teoria era chamada laissez-faire ou liberalismo que incluía
a maior liberdade possível para os subgros oficiais
econômicos, isto é, supunha a menor interferência
possível do Estado para refrear a maximocracia de
bancos, indústria, comércio, usura etc. O
filósofo alemão Emmanuel Kant (1724-1804)
fez a “Summa Teológica” do protestantismo. |
Jean
Jacques Rousseau (1712-1772) escreveu “O contrato
social” iniciando o Iluminismo francês, a democracia
popular e a série de oposições ao império
britânico: a Revolução americana, a
francesa e as guerras napoleônicas, o movimento marxista,
as duas guerras da Alemanha contra o imperialismo inglês
e, por fim, o socialismo. Rousseau foi o “Marx”
da Revolução Francesa.Em 1776, os Estados
Unidos se tornaram antioficiais e, com guerrilha revolucionária,
proclamaram a Independência. Continuaram antioficiais
até o fim da primeira guerra em 1918, quando se tornaram
subgrupo oficial da Inglaterra. |
|
O
militar austríaco Karl von Clausewitz elaborou a
teoria da guerra total ou global em seu livro "Da Guerra”
(1812), observando Napoleão. |
Em
1789 ocorre a Revolução francesa contra o
império papal e o império inglês, luta
que continuou com Napoleão Bonaparte até 1815. |
|
O
biólogo inglês Charles Darwin (1808-1882) publicou
em 1859 “A origem das espécies” com a
teoria monádica da sobrevivência do mais apto,
do que se adapta e luta melhor entre os animais da floresta,
chamada – seleção natural.O cientista
social inglês Herbert Spencer (1820-1903) aplicou
a teoria da seleção natural às sociedades
humanas, chamada “darwinismo social”. |
O
socialista católico francês Charles Fourier
(1772-1837) criou os falanstérios, espécie
de comunidades alternativas de hoje.O empresário
inglês Robert Owen fundou o Cooperativismo em 1844.Karl
Marx e Frederick Engels publicaram o Manifesto comunista
em 1848. Os falanstérios, o cooperativismo e o comunismo
foram reações ao imperialismo inglês
e sua teoria do liberalismo. |
|
Frederick
Taylor no fim do século XIX desenvolveu a administração
científica ou racionalização do trabalho,
elevando muito a produtividade.Henry Ford, no começo
de século XX, criou o “fordismo”, isto
é, a linha de montagem ou montagem em série
na fábricas, aumentando ainda mais a produtividade.Max
Weber (1864-1920), tentou fazer sociologia. Seus estudos
sobre burocracia deixaram-no pessimista. Sua obra mais notável
era um óbvio ululante: A ética protestante
e o espírito do capitalismo (protestantes anglo-saxãos
ricos e latinos católicos pobres). Foi endeusado
para contrabalançar a influência de K. Marx.John
Maynard Keynes salvou o capitalismo que se destruía
por sua maximocracia e empurrava o povo para o socialismo.
O presidente americano Franklin Delano Roosevelt chamou
o economista inglês Lord Keynes para fazer um plano
de salvação. Em 1935 foi lançado o
plano New Deal (novo pacto social) em que o Estado, contrariando
o liberalismo, interferiu no mercado criando frentes de
trabalho, empreendendo obras e financiando os negócios.
Com o colapso do socialismo, Keynes e similares, como a
social democracia dos países escandinavos, foram
abandonados, já que a ameaça socialista desaparecera.
De volta à maximocracia! |
Primeira
guerra mundial (1914-1918) provocada como “violência
1” pela Inglaterra, por guerra econômica e bloqueio
à industrialização dos países
emergentes (Alemanha, Japão, Itália, Turquia
que reagiram com a “violência 2”).Revolução
comunista em 1917 e expansão universal dos ideais
socialistas (URSS).Sigmund Freud criou a Psicanálise,
combateu o tabu do sexo e das religiões como substrato
de todas as opressões individuais e coletivas.Albert
Einstein criou a teoria da relatividade e Max Planck a teoria
quântica, o que abalou os fundamentos da realidade
e da sociedade. A teoria quântica foi definitivamente
confirmada por Murray Gell-Man e seus quarks formando “triplets”
ou conjuntos sistêmicos triádicos.Segunda guerra
mundial (1939-1945). Criou-se a bomba atômica, usada
como terrorismo pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki. Richard
Nixon queria lançar uma bomba atômica sobre
o Vietnam, a fim de criar um impacto que garantisse sua
vitória eleitoral no segundo turno. |
|
Frederick
von Hayek re-lança a teoria econômica liberal
inglesa junto com a primeira ministra Margareth Thatcher,
chamando-a de neoliberalismo. Em 1991 John Williamson, em
nome do Banco Mundial, do FMI e dos economistas anglo-saxãos,
lançou o Consenso de Washington (mandamentos do novo
colonialismo anglo-americano). |
Em
1990 entraram em colapso a URSS e todos seus satélites
com todos seus ideólogos. Mikhail Gorbachev foi o
mestre de cerimônias que entregou de bandeja a URSS,
querendo crédito por salvar a humanidade da corrida
atômica. Todos os países tiveram que se ajustar
ao vencedor da batalha da idade moderna, pelo modelito do
Consenso de Washington. George W. Bush faz planos de guerra
atômica para reativar a economia e combater o “mal”...
dos outros, o que prova que Gorbachev foi um mero entreguista. |
|
UE
em andamento. NAFTA em andamento. ALCA em andamento. Imperialismo
anglo-americano em afoita escalada. |
Mercosul
sendo detonado com a crise argentina. Bin Laden detonando
símbolos capitalistas norte-americanos. Reação
ao imperialismo anglo-americano em gestação.
|
4.
ENTÃO OS PARADIGMAS E SEUS DONOS NÃO DESAPARECEM,
APENAS TROCAM DE POSIÇÃO, FAZEM RODÍZIO NO
PODER?
O
paradigma maior que suplantou o religioso-medieval foi denominado
"cartesiano" (de Descartes, filósofo e matemático
francês - 1596-1650). Mas ele é só para o cérebro
esquerdo científico, com lógica monádica (para
o cérebro esquerdo com lógica diádica funciona
o dialético-maxista). Mas ele coexiste com outros, típicos
do cérebro emocional e operacional, formando um megaparadigma,
ou o paradigma global, que será - cartesiano-sacral-financeiro/político
- cada um deles dividindo-se em 3, cruzando-se, trançando-se
e recombinando-se entre si, sem fim.
Este modelo gráfico representa
a concordância/contradição de pressupostos,
crenças e tradições das três culturas
representadas pelos três cérebros e defendidas como
ideologia pelos respectivos donos/beneficiários do poder
político, econômico e sacral. A repetição/miniaturização
dos três cérebros dentro do cérebro indica que
o megaparadigma se subdivide, se especializa, se decompõe
em unidades sempre menores, até chegar à simplificação
dos ditados populares, mas guardando suas características
de origem.
O
megaparadigma cartesiano-financeiro-sacral ficou muito bem ajustado
no mundo anglo-saxão. No mundo latino, ficou contraditório:
o lado econômico tornou-se, abertamente, o oficial; o lado
cartesiano científico tornou-se oscilante; e o lado sacral-católico,
tomou-se o antioficial. O grupo anglo-saxão, para livrar-se
política e economicamente do grupo papal-romano, enfrentou
mais de um século de guerras (guerras político-econômicas,
espertamente disfarçadas de guerras religiosas, ). Os anglo-saxãos
venceram, desenvolveram seu paradigma e criaram a idade moderna,
que é eminentemente anglo-saxônica (e não latina),
protestante, científica, econômico industrial-financeira.
Em
resumo, o paradigma anglo-americano que governa o planeta tem estas
características:
- a auto-autorização
para usar o cérebro esquerdo, do qual resultou a pesquisa,
a ciência e a tecnologia, e a definição
de verdade como única, monádica (a da autoridade científica,
ou política, ou econômica que mais convenha,
ou a do subgrupo mais forte);
- a subdivisão, a especialização
(fragmentação) do conhecimento e do trabalho em linha
de montagem como estratégia
para aumentar a produtividade;
- a consagração da maximocracia:
lei do mais forte, mais tarde formulada por Adam Smith e Charles
Darwin como livre mercado e lei do
mais forte como coisa boa e sábia que se auto-regularia;
- a supressão quase total do
cérebro direito e suas funções de amor, solidariedade,
compaixão, mística, valores
do viver, e substituição de tudo isso pelo dinheiro
como valor único, como se fosse um retorno ao Rei Midas,
ao bezerro de ouro hebraico, à obsessão (neurose)
maximocrática por dinheiro.
- a subordinação da
religião e do poder sacral aos interesses econômicos
(salvação pelo dinheiro) e
- a subordinação do
poder político e do Estado ao poder econômico (econocracia)
e seus banqueiros, bolsas e grandes
empresas.
Esse
paradigma foi contestado pela dialética marxista e a tentativa
socialista-igualitarista na URSS. No Oriente, houve ensaios de aliança
entre suas filosofias de cérebro direito (hinduísmo,
zen-budismo) e o paradigma político-econômico do ocidente,
como no Japão, Índia, etc. Na China, houve um ensaio
de substituir sua cultura tradicional de Yin/Yang (taoísmo)
e do confucionismo pela dialética e o socialismo. Na América
Latina houve aliança entre revolucionários marxistas
e o Evangelho, na Teologia da Libertação.
Os
problemas derivados desses paradigmas leigos e seus aliados religiosos
em todo o planeta são imensos. Fala-se do colapso da modernidade,
do fim do jogo capitalismo/socialismo e seus respectivos paradigmas.
Fracassam os movimentos éticos, o rearmamento moral, as tentativas
de mudança, o ecologismo, a justiça pela via institucional,
os valores herdados da tradição familiar e espiritualista.
Está nascendo uma época pós-capitalista, pós-socialista,
pós-confessional, pós-científica, pós-nacionalista:
a cidade ou aldeia planetária, a globalização,
dominada pelo jogo dos subgrupos financeiros, especuladores, usurários.
Todos
os filósofos dedicaram um capítulo de seu sistema
filosófico aos princípios reguladores ou normatizadores
que, desde Aristóteles, se chamaram ética. Todos os
grandes reformadores se preocuparam por estabelecer instituições
para conseguir algum tipo de equilíbrio ou proporcionalidade
em todas as dinâmicas, principalmente no uso do poder político
e do poder econômico, com códigos e tribunais para
que a sociedade viva em estado de direito e não de força
ou de guerra (armada ou econômica) de todos contra todos.
Sem dúvida, estamos dentro de uma barbárie urbana,
planetária, sem lei, sem ética, sem moral, sem limites,
à qual devemos resistir, fazer frente, se quisermos preservar
e melhorar a vida individual, familiar, empresarial, nacional e
planetária. Aparentemente, os jogos triádicos que
compõem os jogos globais estão apontando para o omnicídio!
5. QUAL SERÁ O PARADIGMA
E A ARTE DE VIVER DO NOVO SÉCULO E MILÊNIO?
Há
indicativos de caminhos para a questão ambiental-energística,
a questão mental-informacional, a questão da personalidade
masculina/feminina/familiar, a questão da democracia entre
os três subgrupos de poder político, de ecumenismo
no poder sacral e de equidade entre os três subgrupos do poder
econômico. Esses indicativos podem-se sintetizar sob o título
de - paradigma sistêmico triádico proporcional - que
é uma síntese de conhecimentos transdisciplinares
da nova época que vivemos.
A
relatividade de Einstein, a moderna física de partículas,
a Biologia genômica e as neurociências revelaram-nos
uma nova imagem do universo, da realidade, do que chamávamos
de “natureza” (seria melhor dizer “ex-natureza”
porque o conceito “ecossistema” é mais amplo
e mais integrador) e de nosso ato de perceber e perceber-nos. Em
resumo, o universo é energia triádica que se move
por vibrações de partículas ou de ondas de
luz em infinitos níveis e formas que se complexificam em
sistemas que vemos, que somos, que constituem conosco uma rede de
muitos níveis, com as características apresentadas
antes: em construção, em expansão, em co-criação,
em tensionamento triádico, maximocrático etc.
Daqui
em diante, qualquer um que aceite e queira aplicar suas novas forças
mentais à nova visão do mundo ou à nova realidade
sistêmica triádica, terá que ajudar a mudar
o megaparadigma ou as tri-culturas atuais, enquanto ele muda junto
com elas.
Por
onde começar?
5.1.
PROPORCIONALISMO
NEM
IGUALAÇÃO, NEM DESIGUALAÇÃO MÁXIMAS!
SIM ÀS DIFERENÇAS, MAS PROPORCIONAIS |
Pela
teoria sistêmica triádica, o cosmos é um imenso
e supremo efetuador de transformações energísticas
em co-criação, em co-evolução, que se
move por auto-propulsão triádica da energia e que
se auto-regula por inter e intra-feedback. Esse movimento oscila
entre dois extremos e um ponto intermédio:
- um que atrai, empurra, exige, imanta
rumo à expansão, chamado neguentropia;
- outro que pesa, detém, arrasta
para baixo, para a contração e o desmanche, chamado
entropia.
Destes
dois pólos eletromagnéticos nasce o esforço
para ser mais, nascem as necessidades de sobrevivência e reprodução
(neguentropia) e o conseqüente medo à morte, o horror
ao vazio, ao nada (entropia). A continuação ou sustentabilidade
de qualquer sistema situa-se entre os dois extremos, a uma distância
chamada proporcional.
Este modelo gráfico apresenta
os pólos de atração/repulsão como num
imã, tendo, como ponto intermédio de equilibração
na corda bamba, o conceito de proporcionalismo cuja expressão
numérica veremos adiante. Esse ponto intermédio representa
o espaço possível da vida em que somos movidos ou
nos movemos, em meio ao dinamismo bipolar e seus extremos representados
pelos ganhos recompensados com endorfina (sensação
de vitória e plenificação) à direita
e, pelas perdas acompanhadas de frustração e adrenalina
(sensação de alerta defensivo e medo) à esquerda
do gráfico.
Os sistemas subsistem enquanto puderem
manter-se, adaptar-se e atuar dentro dos limites dessas variações
para mais ou para menos. Exemplos são a temperatura do corpo,
a velocidade e o equilíbrio de um carro, a adaptação
ao sol e à chuva, à variação ambiental,
cultural, etc. Manter-se entre os extremos, o qual se denomina –
homeostase ou proporcionalidade - requer regulação,
que na teoria sistêmica se diz inter-feedback triádico.
No reino mineral, vegetal, animal e humano em seu aspeto biológico,
esse inter-feedback é inato e automático. Mas não
o é para as criações humanas, culturais, para
cada acréscimo de livre arbítrio; para isso requer-se
inter-feedback consciente, intencional, institucionalizado.
Os
limites, as fronteiras, o piso e o teto, a quantidade e a qualidade,
as dimensões e as formas do feedback, tudo isso tem um nome:
PROPORCIONALISMO.
Esse conceito resume:
- os ideais estéticos e de
perfeição do cérebro direito e dos que defendem
a moral e a estética como valores fundamentais;
- as exigências de bases racionais
e causais do cérebro esquerdo e dos que defendem princípios
filosóficos e científicos como fundamentos da ética
(normas e limites);
- e as possibilidades de ação
e realização do cérebro central e dos que defendem
a lei e as instituições que a sancionam como requisito
de convivência humanizada e democrática.
Para
o cérebro direito, Proporcionalismo é sinônimo
de harmonia, beleza, estética, virtude, qualidade, valor,
ainda que essa seja uma percepção pouco explicável,
por ser intuitiva.
Para o cérebro esquerdo, Proporcionalismo
é o princípio matemático da média e
extrema razão, tomado da maneira como a natureza construiu
os sistemas: por módulos combinados de 62% e 38% (que é
um arredondamento do número 1,618 e 0,618, chamado PHI ou
Fi que é uma letra grega - .
Este
modelo gráfico é a representação matemática
da média e extrema razão, que se lê assim: “A”
está para “b”, assim como “b” está
para “c”” ou vice-versa. Está escrito “±”
(mais ou menos) porque o mundo é vibratório, acelerado,
não linear (como se fosse feito de borracha, segundo Einstein)
e as medidas podem variar até um certo limite. O matemático
Gauss sugeria que a variação fosse entre 62-68% na
média razão e, conseqüentemente, entre 38-32%
na extrema razão.
Para
o cérebro central, Proporcionalismo é criação
de leis, instituições, ações para regular
a convivência democrática dos três subgrupos
do poder político-econômico (entre humanos ou entre
espécies), ou a sobrevivência eqüitativa, justa
e digna dos três subgrupos de trabalho, criação
e partilha de satisfatores.
Os
chineses tratavam isso como a lei das mutações - Yin-Yang-Tao
- ou equilíbrio entre extremos de bem e mal. As religiões
ocidentais tratavam isso como – moral, que os filósofos
denominaram – ética. Os judeus se guiavam pela lei
de talião, mas instituíram o ano sabático de
regulação a cada 7 anos e o ano jubilar para uma espécie
de regulação niveladora da riqueza entre todos, a
cada 50 anos. Pouco a pouco, inventaram-se os códigos como
o de Hamurabi; o direito romano imperial, que todos os candidatos
a império continuam copiando, porque convém aos subgrupos
oficiais; o Alcorão, que além da doutrina religiosa,
contém muitas regras de relações econômicas
e sociais.
Com
a modernidade, separaram-se os códigos religiosos (direito
canônico) dos civis/políticos (direito civil); no astuto
império britânico, separaram-se os códigos civis
dos códigos econômicos, estes resumidos em “leis
de mercado”. Desde então estabeleceu-se a luta entre
códigos morais das religiões, códigos legais
dos governos políticos e códigos econômicos
de empresários, industriais, banqueiros e especuladores,
tornando-se fonte permanente de tensionamento. E a regulação
se transformou num problema dramático, porque em meio à
confusão, o resultado é a dominação
e a concentração de riqueza pelos subgrupos oficiais
de cada grupo e sociedade, com os oscilantes apenas sobrevivendo
e os antioficiais continuamente pregando revoluções
e sendo vigiados pelas polícias secretas.
A
teoria dos jogos analisa os resultados da competição
entre dois concorrentes como ganha-ganha, ganha-perde, perde-perde.
Como complemento, o economista John Forbes Nash Jr., prêmio
Nobel de Economia em 1994, defendeu em sua tese de 1948 –
O Equilíbrio de Nash – o ponto em que dois competidores
aceitam um determinado resultado (como o obtido em processos de
mediação) pois um forçamento além desse
ponto por qualquer um dos dois conduziria a um resultado econômico
pior para ambos. Isso seria racionalidade econômica. Outro
prêmio Nobel de Economia, James Tobin, propõe uma “taxa
Tobin” sobre o capital especulativo para controlar a pirataria
e acumulação financeira máxima, enquanto o
A.M.I. (Acordo Multilateral de Investimentos, redenominado TRIMs
– Trade-Related Investment Measures ou Regulamento para Investimentos)
propõe que os países nos quais seus investimentos
têm prejuízos paguem multas ou façam ressarcimentos.
Mas não é só financeiro o desvario e necessidade
de regulagem: é dos três cérebros, de todas
as dinâmicas, dos 14 subsistemas, de todo o ecossistema.
Na
teoria sistêmica triádica são três os
jogadores e o resultado desejado de qualquer esforço participativo
seria - ganha-ganha-ganha - proporcionalmente, que é a repetição
em cascata da escala 62% por 38% (se não for proporcional,
qualquer modelo acumulador maximocrático pode dizer que todos
ganham: o banqueiro ganha 60%, o governo ganha 39% e o trabalhador
ganha 1%...).
O
socialismo surgiu como uma iniciativa dos subgrupos antioficiais
inovadores, apoiados pelos oscilantes depredados, para a regulação
dessa desmesura, acreditando que seria possível estabelecer
a igualação ou justiça e harmonia entre os
humanos, desapropriando a todos. Com medo ao socialismo, os subgrupos
oficiais se moderaram e aceitaram a democracia social, o cooperativismo,
aceitaram os sindicatos de empregados e, momentaneamente, a política
social de um Estado empresário e regulador proposto pelo
keynesianismo, a partir de 1935.
Com
o colapso do socialismo isso tudo foi descartado e desmontado, pois
o “perigo” passou. Agora, propugna-se o Estado mínimo,
não intervencionista na economia (não intervencionista
a favor dos oscilantes, para intervir só em socorro aos banqueiros
e ricos) e a supremacia dos subgrupos oficiais do mercado concentrador,
em substituição ao subgrupo oficial político
regulador. A palavra de ordem da pós-modernidade é:
Neoliberalismo, tudo é dinheiro e só dinheiro! Deus
é o mercado e os economistas são seus profetas! Ao
assalto... e ao desastre das bolsas, dos excluídos, do ambiente,
da solidariedade. Salve-se quem puder.
Estamos em busca de uma base ética,
estética, lógica, operacional, que regule as frentes
científica, espiritual e finacista/política de todo
o Show de Jogos Globais. Não se trata de ressuscitar ou recriar
a proposta de algum profeta, de algum cientista/filósofo,
de algum grupo revolucionário. Não se trata de proposta
para uma espécie destruir as outras, para um grupo excluir
os outros, para uma facção derrotar a outra e explorá-la,
como sempre aconteceu historicamente. Terá que ser uma proposta
inclusivista, de aceitação e de convivência
de todos os conjuntos triádicos de jogadores, mas em relações
proporcionais.
5. 2. A PROPORÇÃO
NA PROGRESSÃO HOLÍSTICA
Chama-se proporção às
relações operacionais (dimensões, peso, tempo,
força de estímulo/resposta, regras/informação
que regem a interação etc.) entre as partes de um
sistema tri-uno (tomado, sempre, como um composto mínimo
de três “inter-atores”):
| -
dois segmentos de uma linha: |
 |
| -
dois lados de um plano: |
 |
| -
arestas de um volume ou cubo: |
 |
Essas
relações são determinadas, sempre, por um número
chamado razão (progressão de razão 2, de razão
3, de razão 4, etc.; ou progressão aritmética,
progressão geométrica ou exponencial) o que acentua
o caráter matemático próprio da proporção.
Buscamos um conceito ou parâmetro
móvel, elástico, com centro regulável, para
expressar as relações entre as três partes que
compõem a estrutura, funcionamento e movimento de um sistema.
A intenção é encontrar algo que substitua a
idéia de igualdade como no círculo, no quadrado, no
triângulo eqüilátero, no pêndulo, aplicável
às questões sócio-ecológicas, já
que tudo está sempre em movimento multidirecional em ciclos
oscilatórios progressivos, regressivos, variáveis,
em fluxogramas cônicos, fractais.
Queremos,
também, encontrar algo que substitua a idéia de caos
e acaso permanente e a lei do mais forte ou da seleção
natural na selva, em que indivíduos ou grupos individualizados
mais fortes se permitem tudo, até a desmontagem do ecossistema.
Queremos,
também, encontrar algo em substituição à
crença ingênua na regulação divina ou
extraterrestre direta, como uma divina providência ou uma
mão invisível que corrige e regula a insensatez maximocrática
individual, ajeitando os desmandos do egoísmo individual
para convergirem no maior bem possível para todos.
Essas
três idéias ou crenças fundamentais coexistem,
orientando a ação de diferentes grupos, sendo, ao
mesmo tempo, expressão do esforço em busca de princípios,
forças, mecanismos de regulação, de feedback,
de direcionamento na rede ecossistêmica universal.
As três suposições
básicas que mencionamos e queremos reformular com o conceito
de Proporcionalismo correspondem:
- ao igualitarismo das revoluções
utópicas ou românticas, das religiões, do cérebro
direito e esquerdo, apropriado ultimamente pelo socialismo ou paradigma
dialético, que era o preferido pelos subgrupos antioficiais
e oscilantes até ha pouco;
- ao maximalismo da lei do mais forte,
da liberdade de mercado onde os poderosos sempre vencem, apropriado
pelo capitalismo e seu paradigma monolético, de cérebro
esquerdo e central, preferido pelos anglo-saxãos e todos
os subgrupos oficiais, pelo corporativismo que lhes é inerente.
- ao providencialismo primitivo, cármico,
que vê a vida e a história como um destino superior,
um determinismo que vem de fora da terra, baseado no cérebro
direito monádico, isolado do esquerdo e central, de paradigma
mítico e de prática mágica, preferido pelos
oscilantes "puros" ou associados ao paradigma monádico
capitalista (que sofre de carência de cérebro direito).
O providencialismo mágico faz
do ecossistema e do ser humano uma máquina digestora cega;
o igualitarismo é o mais recente sonho desfeito, por contradizer
as leis da diferença e hierarquia estrutural da energia ou
natureza. O maximalismo monádico neoliberal força
o Show de Jogos Globais e as diferenças (riqueza-pobreza,
força-debilidade, sabedoria-ignorância, etc.) ao máximo,
ilimitadamente, levando uns poucos à maxivivência e
a maioria à subvivência e à exclusão
e extinção.
A
proporcionalidade que buscamos não provém de uma progressão
aritmética, em confronto com a progressão geométrica,
como pensava Malthus comparando a progressão demográfica
com a progressão dos meios de sobrevivência. Trata-se
de um tipo especial: a série geométrica de progressão
ou razão harmônica, usada desde tempos imemoriais na
geometria sagrada, proposta por Pitágoras e mencionada por
Platão. Euclides chamou de "média e extrema razão"
à divisão de uma linha em dois segmentos cuja razão
(divisão de um pelo outro) é dada pela letra grega
(fi) cuja expressão
numérica é 1,618 ou seu inverso 0,618 (em porcentagens
é aproximadamente 62% por 38%. Isso corresponde a:
A concepção
de mundo de Euclides era linear, de linha reta. A física
e astronomia modernas nos fizeram ver um mundo curvo, ondulado,
fractal, vibratório, não linear. Isso não invalida
a progressão harmônica ou modular de média e
extrema razão.
Pode-se ver uma aproximação
do mesmo princípio na seqüência Fibonacci das
progressões harmônicas -1,1,2,3,5,8,13,21,34,55 etc.
em que o último número é a soma dos dois anteriores,
que o arquiteto Le Corbusier denominou “modulor”.
Se somarmos dois desses números
contíguos e formarmos uma linha de 89 centímetros,
sua divisão pela média e extrema razão ou pela
progressão harmônica será 55 por 34. Se dividirmos
55 por 34, obteremos 1,618; se dividirmos 89 por 55, obteremos 1,618,
o que, portanto, se pode ler 34:55 :: 55:89 (34 está para
55 assim como 55 está para 89 ou vice-versa, que vem a dar
1,618 ou 0,618). Com isso nos re-encontramos com a média
e extrema razão de Pitágoras, Euclides e Platão,
Fibonacci, Leonardo da Vinci, Kepler, Leibniz, Gauss etc.
Se tomarmos dois desses números
contíguos e usamos um como base e outro como altura, teremos
o formato retangular da maioria dos livros, quadros, portas, paisagens,
desenhos arquitetônicos, que dão a sensação
de harmonia, por isso chamado de seção áurea,
proporção áurea ou ponto de ouro. As seitas
e corporações antigas (os “collegia” que
eram precursores dos atuais sindicatos) como a dos ferreiros, dos
construtores (maçons), os essênios, os rosa-cruzes,
os pansofistas, os alquimistas, os templários etc., combinavam
seus rituais de magia e feitiçaria com o estudo dos números
e proporções. Daí surgiram a cabala, a numerologia,
o I-Ching, a astrologia.
A
distância entre o elétron e o núcleo de um átomo
é variável. No átomo de hidrogênio, é
de 0,62 angstrom.
Quando
as partes de um sistema perdem sua diferenciação e
tendem à igualação, o sistema desaba sobre
si mesmo, implode.
“Os
extremos são viciosos” (Aristóteles).
“Quando alguém vai para
uma extremidade está saindo da realidade” (Buda).
5.3.
PROPORÇÃO NA PROGRESSÃO SOCIAL.
Até aqui examinamos a proporção
entre dois segmentos ou fizemos uma abordagem diádica. E
a abordagem triádica?!... Na seqüência Fibonacci,
podemos tomar três números; podemos decompor cada um
em escalas repetitivas progressivas ou regressivas auto-semelhantes.
Podemos ilustrar essa estrutura triádica "curvilínea"
e sua reprodução escalar, observando um dedo da mão
em suas três partes. Se observamos a mão, o antebraço
e o braço, notamos a mesma composição por três
módulos em escala proporcional progressiva; se observamos
o corpo humano na vertical, a mesma escala se repete entre cabeça,
tronco e membros inferiores. E assim por diante.
Podemos tomar a seqüência
Fibonacci numa linha ou curva fractal bem conhecida que é
a Curva de Gauss, também chamada de curva da normalidade
na distribuição de uma série qualquer. A curva
de Gauss põe como medida da média razão a faixa
entre 62% e 68%; e distribui a extrema razão - 38% - parte
abaixo e parte acima da média. Por exemplo:
Este
modelo gráfico é a Curva de Gauss ou curva de sino
para representar distribuições. Lê-se assim:
uma série distributiva suficientemente ampla tem concentração
média por volta de 62-68%, tendo o segmento distribuído
parte (por exemplo - 23,5%) acima da média e parte (por exemplo
– 14,5%) abaixo da média. As escolas aplicam esse critério
de distribuição para saber se uma matéria foi
bem ensinada e a prova foi bem elaborada: por volta de 62-68% dos
alunos terão média 7; por volta de 23-24% dos alunos
terão nota acima de 7; e por volta de 14-15% dos alunos terão
nota abaixo de 7 (a porcentagem de alunos acima e abaixo da média
não precisa ser esta, mas estará sempre por volta
de 38%). Note-se que a curva de distribuição acima
é coerente com a seqüência Fibonacci, tanto se
dividindo 61,8 (arre-dondado para 62) por 38,2 (arredondado para
38) como se dividindo 23,5 por 14,5.
O termo médio é o integrador,
é o "atrator" do movimento orbital dos outros dois,
fenômeno que ocorre com o nêutron, com a terça
nas três notas de um acorde musical, com o amarelo nas três
cores fundamentais etc. Aplicado o mesmo princípio à
organização social, que é triádica e
que representamos por triângulos, podem-se distribuir os três
subgrupos correspondentemente, mas em proporções móveis
ou em diferentes graus de concentração e dispersão.
Como todo movimento e formas da energia é um trançado
em linhas "rosqueadas" em formato côncavo/convexo
(ou em imagens invertidas como ao espelho) podemos relacionar a
distribuição dos três subgrupos e a distribuição
dos meios de sobrevivência entre eles, em dois triângulos
invertidos ou duas curvas de Gauss em posição inversa:
Este
modelo gráfico apresenta a correlação entre
pares de grupos populacionais no triângulo sobre a base, e
correspondente porcentagem de satisfatores no triângulo invertido.
Vale lembrar que os satisfatores podem ser classificados pelos três
cérebros ou, de forma mais ampla, pelos 14 subsistemas. O
modelo acima, lê-se, a partir do meio, assim: 38% da população
na parte superior com 62% de satisfatores (no triângulo invertido);
e 62% da população na parte inferior com 38% dos satisfatores.
Afastando-se dessa proporção, lê-se: 20% da
população com 80% dos satisfatores e, vice-versa,
80% da população com 20% dos satisfatores. Obviamente,
a correlação não é tão simétrica,
mas é aproximada, pois a tendência é para os
extremos e não para a proporção áurea
de 38% por 62%. O modelo facilita o entendimento do dito que já
é um lugar comum – “poucos em cima com muito,
muitos embaixo com pouco”. O modelo gráfico do lado
direito representa uma distribuição do tipo classe
média majoritária (62-68%) com uma classe alta (23-24%
o que é improvável, por excesso) e uma classe baixa
residual (14,5 o que é improvável por pequena demais,
embora desejável). Pode-se ler o gráfico da direita
pelos três subgrupos: o subgrupo oficial de ±23-24%
da população com ±51-52% dos satisfatores;
o subgrupo antioficial de ±14-15% com ±11-12% dos
satisfatores; e o subgrupo oscilante-centrista de ±62-68%
com ±38-32% dos satisfatores.
A
proporcionalidade triádica pode ser a raiz, o ponto de referência,
o centro gravitacional da co-gestão ou inter-governabilidade
social, porque pode fundamentar uma nova Justiça, uma nova
legislação, uma nova atitude e um novo comportamento
em todos os níveis e esferas do Show de Jogos Globais. Os
três subgrupos têm duas alternativas: optar pelo proporcionalismo
se desejam uma convivência mais pacífica, preservadora
das condições de sobrevivência a longo prazo;
ou permanecer na opção consciente ou inconsciente
pelo paradigma monádico darwiniano de individualismo maximalista
predatório, justificado e mal disfarçado pela invocação
de poderes reguladores divinos ou mercadológicos, se gostam
de uma convivência cada vez mais conflitiva e se desejam apressar
a extinção da vida e seu pequeno hábitat -
o ecossistema terráqueo.
Há muitas outras evidências
e manifestações de que existe um algoritmo, uma fórmula,
uma equação, uma sabedoria, uma arte, um coração,
uma força que distribui partes proporcionalmente, que gera
movimentos em ciclos e escalas, oscilações que vem
e vão, dentro de certas medidas. Como exemplo, podemos observar
ou mover a progressão tanto a partir da média como
da extrema razão, ou tanto da parte maior que está
no meio, como da parte acima da média ou da parte abaixo
dela, modificando o tamanho das porções ou porcentagens.
Podemos observar um rosto a partir do queixo, fixar o olhar num
ponto entre as sobrancelhas e subir até o cabelo; ou começar
pela fronte, baixar o olhar até a ponta do nariz e seguir
até o queixo (pode-se repetir isso em qualquer outra direção
e em escala maior ou menor).
Isso
quer dizer que a distribuição da proporcionalidade
não tem um centro e limites fixos; desloca-se como se fosse
de borracha que se espicha, e ao espichar-se altera as bordas e
força o centro que pode pender mais para o lado superior
da média ou mais para o lado inferior ou outra direção.
É o movimento instável/reajustável de deslocamento
do centro de gravidade mais para a neguentropia ou mais para a entropia.
Em termos de três subgrupos, equivale a dizer que o subgrupo
oscilante oscila, ziguezagueia entre o subgrupo oficial e anti-oficial
modificando sua forma, tamanho e peso ao fazê-lo, acontecendo
o mesmo com qualquer dos outros dois subgrupos.
5.4.
MANIFESTAÇÕES PROPORCIONALISTAS EM ALGUNS SUBSISTEMAS.
No S01 - Parentesco:
As construções ocupam
normalmente 38% de um terreno que, por sua vez, já tem o
formato do retângulo áureo. As construções
consideradas estéticas também guardam a proporcionalidade
áurea, até nas janelas e portas. A fertilidade da
mulher obedece a uma divisão de mês lunar em três
fases proporcionais entre si. As etapas da vida podem ser divididas
em três módulos proporcionais: juventude, madurez,
velhice. A diferença média de idade entre pais e filhos
fica em torno da média e extrema razão. O incremento
demográfico em países mais proporcionalistas gira
em torno do número F (fi) - 1,6% ou seu oposto 0,6%. Estudos
da oscilação de populações animais em
relação ao ecossistema parecem seguir a equação
da diferença logística:
x
(do próximo ano) = rx(1-x)
em
que x é a população atual,
r é a taxa de incremento e (1-x)
é o feedback limitador que mantém o crescimento dentro
de limites proporcionais, já que quando x
aumenta, (1-x) faz cair, mantendo as variações
em torno da proporcionalidade.
No S02 - Saúde:
O corpo humano é montagem de
módulos escalares proporcionais: entre os pés e a
cabeça, a seção áurea está no
umbigo; entre os dois braços abertos, está num ombro;
as mesmas proporções podem ser vistas no rosto; a
forma corporal masculina e feminina é inversa, bem como muitas
de suas partes. A água do corpo humano é de 60% a
70% do total. A temperatura oscila entre 36 e 42 graus, etc. A pressão
sangüínea deve estar próxima de 8 por 12.
No S03 - Manutenção:
As partes de carboidratos, vegetais
e proteínas numa refeição normal são
proporcionais, assim como a dosagem de PH (proporcionalidade de
ácidos e álcalis). Numa escala de 1 a 14, a proporcionalidade
do PH está entre 4 y 6. Os dentes têm esta proporção:
20 dentes (62% do total) são pré-molares e molares
para cereais; 8 dentes (25%) são incisivos para vegetais;
e 4 dentes (13%) são caninos para carnes. A nutroterapia
recomenda comer 38% de vegetais crus e 62% de cereais para melhorar
a saúde; 38% de cereais e 62% de vegetais crus para curar
enfermidades.
No S07 - Pedagógico:
Além da curva de sino ou de
Gauss, consagrada em educação, a distribuição
de conhecimentos num currículo é de aproximadamente
38% de cultura geral e 62% de formação específica.
Uma prova está bem construída quando pelo menos 62%
dos alunos ficam na média, com alguns acima dela e outros
abaixo dela. A hierarquização dos três processos
mentais num teste tricerebral deve guardar proporções
que variam entre 28 e 45 cada um. Mas cada um dos três poderá
ter, como diferença máxima, 7 pontos.
No S08 - Patrimonial (que é
o principal pomo da discórdia entre paradigmas e subgrupos):
O índice de renda per capita
esconde a má distribuição triádica e
disfarça a concentração maximalista do subgrupo
oficial. O índice de Gini que agrupa a renda em níveis
de 0,1 a 0,9 começa a revelar as desproporções
entre segmentos sociais, embora sem agrupação triádica.
Os países considerados mais proporcionalistas são
Canadá e os países escandinavos. Os Estados Unidos
já foram mais proporcionalistas e caminham, agora, para uma
acelerada concentração de renda. O imposto de renda
progressivo (quanto mais ganha mais paga) obedece ao mesmo princípio
da progressão harmônica (em países sérios).
A lei de mercado também seria mais proporcional se os três
subgrupos tivessem o mesmo grau de poder e de informação
(atualmente os subgrupos oficiais manipulam isso como querem, diante
de populações atônitas e impotentes).
No S09 - Produção:
A divisão da idade do ser humano
em fase educadora/formadora, fase produtiva e fase de aposentadoria,
aproxima-se da distribuição pela curva de Gauss. Com
o aumento da expectativa de vida, estão mudando as porções
de vida dedicadas aos três grandes períodos: 25 anos
de educação dedicados ao desenvolvimento do capital
mental; 40 anos dedicados ao trabalho; 15 anos de aposentadoria...
Há uma relação de média e extrema razão
no crescimento do PIB com o crescimento demográfico. O mesmo
acontece com a relação entre uso (alto) de tecnologia
e nível de emprego (baixo) e vice-versa.
No
S12 - Político-Administrativo:
O multi-partidismo leva a alianças
que se aproximam da proporcionalidade. As eleições
de segundo turno geralmente expressam isso melhor. A alternância
no poder ou as reviravoltas políticas podem ser representadas
pelo atrator de Lorenz: uma força - uma roda movida a água,
por exemplo - vai acelerando num sentido (direita ou situação
política) até começar a parar e inverter o
sentido do movimento (para a esquerda ou oposição).
Todos os temas agudos da política e do poder como hegemonia;
centralismo e descentralização; estatização
e privatização; votação pelo princípio
da maioria ou pelo princípio da proporcionalidade dos subgrupos
culturais ou econômicos - terão que encontrar seu caminho
para a democracia triádica proporcionalista, que se aproxima
a 62% por 38%.
No S13 - Jurídico:
Frente à proporcionalidade
triádica, percebe-se imediatamente que a idéia de
igualdade de direitos na teoria, é apenas um truque e um
despistamento usado pelos oficialistas para trapacear os desfavorecidos
na prática. Comparando o triângulo da população
com o triângulo invertido da distribuição de
satisfatores, vê-se que a justiça é a proporcionalidade
e não a igualdade: os que tem posição mais
alta, já que tem mais direitos teriam, também, maiores
responsabilidades e penalidades que os de posição
mais baixa, diante de uma mesma infração. "Justo
é o que é proporcional" é noção
inata, a priori. Mas é preciso traduzir isso em medidas lógicas
e legais e, instituições político-econômicas
proporcionais para os três subgrupos, do contrário
a discurseira “ética” vai continuar o faz-de-conta.
6. ALTERNATIVAS DE VIDA PARA
O PLANETA
Por ocasião dos aniversários
de muitos manifestos, nos 50 anos da Declaração Universal
dos Direitos Humanos, ao início do terceiro milênio
celebrado com um ano jubilar, é urgente lançar um
novo manifesto a favor do ecossistema, a favor da vida e da felicidade,
o qual requer uma nova "evangelização" do
cérebro direito, uma nova libertação mental
ou conscientização do cérebro esquerdo, uma
nova ordem tri-una (não só econômica) para o
cérebro central. Trata-se de buscar a proporcionalidade nos
três cérebros, nas relações familiares,
nas relações de poder, nas relações
econômicas, nas relações com o ambiente total.
Não basta mudar de paradigma
no cérebro esquerdo (só mudaria a linguagem ou o modo
de mentir, ideologizar e auto-enganar-se). É preciso mudar
o megaparadigma atual, lutando por:
- uma nova lógica triádica
(informação verdadeira);
- uma nova sensibilidade ética
(justiça triádica);
- uma nova organização
do Estado (substituição dos legislativos pela democracia
direta, substituição dos executivos
políticos pela auto-gestão por profissionais de cada
um dos 14 subsistemas, tudo sob controle de um
único Poder Arbitrador Tri-uno, eletivo, direto, regulando
o jogo triádico dos subgrupos dentro dos limites da
proporcionalidade.
A
proposta mais completa pode ser vista no Manifesto da Proporcionalidade,
lançado no Quinto Fórum Social
Mundial
de Porto Alegre, disponível na página:
www.globaltriunity.net
VÍTIMAS
DO OFICIALISMO DESPROPORCIONAL, UNI-VOS!
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