QUE
É CIBERNÉTICA SOCIAL PARA O PROPORCIONALISMO?
W. GREGORI
Em
1963, ingressei na pós-graduação da Fundação
Escola de Sociologia Política de São Paulo –
FESP, após completar meu curso de Letras e tendo completado
o curso de filosofia pura. Na época, a FESP era um dos institutos
da USP e mantinha convênios com os EUA que providenciavam
alguns professores norte-americanos. Mas só uma pessoa aí
marcava diferença, tinha algo novo: Antônio Rubbo Müller,
nascido em Jundiaí (SP), de ascendência italiana pelo
lado materno e alemã pelo lado paterno.
A. R. Müller foi dos primeiros alunos da FESP, em 1933. Por
ter-se destacado, foi enviado a Oxford para fazer doutorado em Antropologia.
Esta ciência em ascensão já falava em sistema
econômico, sistema de parentesco, sistema religioso. Müller
fez a pergunta que o celebrizou: quantos sistemas como estes existem
numa comunidade, ou com quantas dessas categorias se poderia descrever
tudo de uma comunidade? Pesquisou, tentou, conferiu e chegou ao
número 14. Foi sua tese de doutorado que publicou com o título
Elementos Basilares da Teoria da Organização Humana
ou, abreviadamente, TOH, que ele ensinava na FESP1.
Sua estratégia didática era o Seminário Pantoisocrático
(significando: todos são iguais). Neste seminário
os alunos apresentavam pesquisas, resenhas, monografias, numa seqüência
de etapas típicas do debate científico, estabelecidas
num rotador. Ao início constituía-se a mesa diretiva;
depois, cada etapa do refaseador/rotador era liderada por um dos
presentes que recebia uma bandeirinha como símbolo do cargo
e a passava ao seguinte quando o rotador indicasse a próxima
etapa. Cada etapa tinha prazo previsto que era assinalado por um
cronômetro que circulava junto com a bandeirinha do poder.
Tudo era ambientado na TOH. Quase ao final do curso, apareceu mais
um “papiro”: Componentes da Estrutura da Personalidade
– Epítome da Teoria da Organização Humana.
Aí foram acrescentados os “imperativos” potencial,
individual, grupal e absoluto. “Imperativos” (categóricos)
é empréstimo tomado de Emmanuel Kant; na Cibernética
Social foram transformados em “dinâmicas ou metas”,
primeiro; depois, em 16 cenários do Global Game Show.
Mencionei acima os dois ingredientes que mais contribuíram
para o desenvolvimento da Cibernética Social:
os 14 Sistemas Sociais,
e a técnica do Seminário PantoIsocrático.
Por que? Porque os 14 sistemas da TOH ordenavam, classificavam e
articulavam a cultura das Ciências Sociais e Humanas, toda
feita de um discurso incontrolável; e a técnica de
seminário ordenava o trabalho de grupo, dando-lhe uma seqüência
que levava a resultados práticos. Na época, isso era
debatido como a possibilidade de ter ciências sociais aplicadas,
pois até então e ainda hoje, em grande parte, as Ciências
Sociais e Humanas não passam de um amontoado de pesquisas
e discursos sem sistematização e sem se transformar
em instrumentos aplicáveis para resolver problemas de suas
áreas. Um belo discurso e um enorme fracasso.
Com essas ferramentas, em 1966 fui trabalhar em organização
comunitária nas favelas do Rio de Janeiro. Pus-me a depurar
o academicismo dos 14 sistemas para ajudar no estudo de comunidades
periféricas. Depurei e simplifiquei os quatro componentes
da TOH, que chamei “quatro fatores operacionais” de
cada sistema e mantive a forma cruzada horizontal e vertical. Disso
saíram os questionários até hoje utilizados
nas comunidades de base para fazer levantamentos ou a tão
badalada pesquisa-ação.
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Depois, pus-me a extrair do Seminário Panto-isocrático
o que me servisse para as reuniões populares de comunidade.
O presidente da sessão foi denominado “Animador”
e o mestre de cerimônias foi chamado “Recepcionista.”
Para os prazos de ca-da lance da reunião foi criado um “Cronometrista”.
E o Secretário teve suas funções redefinidas.
Isso foi suficiente para começar o que veio a se chamar “Movimento
de Criatividade Comunitária”.
Mas logo percebi que o limitante mais sério para as equipes
de trabalho comu-nitário e todas as equipes, é a personalidade
ou conjunto de comportamentos de cada um de seus membros. Como eu
mesmo estava sendo psicanalisado, dediqueime a sistematizar informações
que servissem para autoconhecimento e melhoria das pessoas para
agir mais cooperativamente, mais construtivamente e menos inconscientemente.
Na mesma época, a ditadura militar começava a endurecer
a repressão aos “comunistas”, isto é,
a todos que questionassem ou desafiassem os interesses das elites.
Entendi que não haveria a mudança desejada: não
só o marxismo enquanto método intelectual estava derrotado,
mas os ideais cristãos, socialistas e de humanidade, também.
Decidi que havia que construir uma teoria descontaminada da linguagem
e proposta marxista, mas também superadora da proposta capitalista
cuja cara era militar no momento, mas a verdadeira foi sempre de
monstro camaleônico. Do lado do poder religioso estava em
marcha a revolução de João XXIII – o
Concílio Vaticano II.
Fui entendendo que a TOH de Rubbo Müller não continha
uma teoria, mas apenas um esquema classificatório, um quadro
de referência gráfico de valor extraordinário
porque nos livrava da discurseira universal. Mas não explicava
a estrutura de poder, a injustiça social, o dinamismo que
move o planeta e a história. Por isso não era uma
teoria de sociedade. Havia que ampliar. Saí em busca de elementos
para esta questão, sem abandonar a noção de
sistemas.
A leitura que serviu de fio para o labirinto foi Norbert Wiener2
em seu livro “Cibernética e Sociedade”, donde
se derivou, mais tarde, Cibernética Social. De Norbert Wiener
e, mais tarde, Ludwig Bertalanffy3 e outros, colhi as noções
de “sistema/efetuador”, “fluxo sistêmico”,
“entropia/neguentropia”, feedback etc. Isto levou-me
a redenominar a TOH como 14 “subsistemas” de um todo
sistêmico, acoplando as duas fontes: Wiener/Bertalanffy como
teórico dos “sistemas” e Müller como teórico
dos 14 “subsistemas” que descrevem o que Wiener chamava
“caixa negra” (interior invisível) de um sistema.
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Pela
necessidade de eu mesmo entender-me um pouco melhor e aos outros
atrapalhadores de processos grupais e sociais, fui lendo psicólogos
da linha cultural e evolucionistas como Eric Fromm4, Karen Horney,
Abraham Maslow e outros. Como eu estava debatendo-me no emaranhado
religioso, retomei as leituras de Teilhard de Chardin5 que assumira
a concepção evolucionista e dava uma reinterpretação
à mitologia judaica da criação. Melhorei a
Dinâmica de Grupo, que denominei “Dinâmica de
Grupo Explícita” e desenvolvi o modelo de psicologia
evolutiva denominado “Fluxograma da Dinâmica Individual.
Com estes instrumentos, deixei de trabalhar pessoalmente em organização
comunitária e passei a treinar treinadores e animadores de
comunidades de base, por todo o Brasil e América hispânica.
No embate ideológico de então, entre cristãos
conservadores, cristãos da Teologia da Libertação,
marxistas, Escola Superior de Guerra, seguidores das filosofias
orientais de libertação pessoal, ecologistas, ativistas
em geral, redescobri uma palavra que resumia toda a problemática
em jogo: cosmovisão (hoje se diz “paradigma”,
embora esta palavra tenha sido deturpada ao ponto de dizer que,
andar na empresa com gravata ou sem gravata, é uma mudança
de paradigma...). Entendi que a questão máxima da
humanidade gira em torno dos paradigmas que a orientam e que os
principais eram:
o aristotélico/sacral (Deus, criação e conseqüências);
o evolucionismo de Charles Darwin (Deus e evolução
em lugar de criação de modelos fixos);
e o evolucionismo social de Marx e Engels (matéria e evolucionismo
sócio-econômico rumo ao comunismo; chamado também
“materialismo dialético”).
Para ordenar os elementos da cosmovisão, eu precisava de
alguma escala ou esquema classificador e lancei mão dos “imperativos”
(A.R. Müller), que reduzi a cinco e chamei “dinâmicas”
ou metas. Enquanto “cosmovisão” e paradigma são
teorias ou princípios “fundantes” (que fundamentam
e fundam uma teoria geral), as dinâmicas são teorias
consideradas de “porte médio”. Ajusteias ao referencial
dos 14 subsistemas, assim:
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Tratava-se,
agora, de encontrar princípios ou leis comuns fundamentais
ou universais que perpassassem e dessem coerência às
dinâmicas, aos operacionais e subsistemas, como pretendiam
fazer as religiões, o evolucionismo e o marxismo, estes dois
últimos empenhados em entender o “motor da história”.
Aplicando o teste de sociometria de J.A.Moreno6 para descobrir lideranças
nos grupos de treinamento, julguei deparar-me com um padrão
recorrente, que se repetia. Quando o grupo era mais conhecido, coincidia
com a observação: dois personagens como pólos
rivais com seus seguidores e um “regra três”,
um terceiro ponto intermédio com seus seguidores também
(outros apareciam, mas sem maior significância). Levantei
algumas hipóte-ses sobre a “lei do três”,
presente nas diversas dinâmicas:
Na dinâmica universal, as religiões falam em trindades,
Deus uno e trino (tri-úno).
Na dinâmica de grupo, três poderes; partidos de esquerda,
centro e direita.
Na dinâmica social (produção e economia), Marx
dava uma nova versão das forças em operação
evolutiva/transformativa que, enquanto Darwin chamava de luta pela
sobrevivência/reprodução regulada pela lei da
seleção natural, ele chamava de luta de classes. Os
grupos em questão eram o opressor, o oprimido consciente/militante,
e o oprimido inconsciente, conformado, “lumpen”. Nesta
colocação, Marx tinha visão da lei do três,
embora os discípulos o tenham repassado como um teórico
da dialética de base dois – opressor/oprimido.
Na dinâmica individual, Freud havia farejado a lei do três
sem mencionála como tal, quando propôs a mente como
camadas de Id, Ego, Superego e quando postulou as ligações
de filho com a mãe e em competição com o pai.
Na dinâmica de potencialidades, o átomo era a estridente
“base três” de tudo; e começavase a discutir
sobre as partículas elementares que compunham cada parte
do átomo. Hoje está cientificamente estabelecido que
formam blocos de três, por trabalhos de Murray Gell-Mann,
seguido por Carlo Rubbia e outros, divulgados por autores como Fritjoff
Capra7, Heinz Pagels8, Thérèse Bosse9 e outros.
Convencime, então, que havia uma lei do três que chamei,
filosoficamente, “princípio triádico”
e chamei sua aplicação prática “jogo
triádico”. Integrando essa descoberta com o acervo
anterior deu no paradigma da “Trialética Sistêmica”:
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A
nova etapa seria aperfeiçoar a descrição do
sistema triádico e fazer o desdobramento de suas aplicações
nas diversas dinâmicas. O paradigma sistêmico já
estava avançando no meio científico, mas era sistemismo
que não se preocupava com o dinamismo que o movia, embora
o marxismo se preocupasse e afirmasse que era um dinamismo em três
tempos - tese-antítese-síntese, em que os agentes
eram duas forças ou dois pólos. Para marcar bem essa
diferença essencial, passei a usar as expressões “paradigma
monádico, diádico, triádico”. Ou monolética,
dialética, trialética. Ou dialética de base
1, dialética de base 2, dialética de base 3. Com isso,
o sistemismo de Wiener e de Niklas Luhman era monádico; o
de Marx era diádico; e agora se inaugurava o sistemismo triádico.
Criei conceitos para identificar cada lado, ângulo, manifestação
das três forças da energia em todas as dinâmicas:
· subgrupo oficial, regente, coordenador;
· subgrupo antioficial (antes, era denominado “natural”),
oponente, ativador;
· subgrupo oscilante, neutro, indiferenciado, quimicamente
polivalente.
Além de aperfeiçoar a descrição do sistema
triádico, havia que depurálo, o mais possível,
de intrusões e linguagens de outros paradigmas (daí
o esforço para criar neologismos e resignificações
que se podem ver no glossário sociocibernético, anexado
a todos os meus livros). Fiz uma distinção entre paradigma-instrumento
(pressupostos básicos dos quais tudo o mais se deriva) e
paradigma-produto (conhecimentos, teorias, propostas que derivam
do paradigma-instrumento). Fiz diversos quadros de coincidências
e discrepâncias entre o paradigma sistêmico triádico
com cada um dos outros.
Em 1978 fui trabalhar em Chicago. Aí deu-se a “completação”
do essencial da teoria. Falava-se em processo lógico e criativo,
em relação ao cérebro. O lógico tinha
um elaborado tratamento, assimilado dos Seminários do Prof.
Müller. O criativo tinha sido assimilado das leituras de Alex
Osborn10, Edward de Bono11 e Roger Sperry12 com suas pesquisas sobre
funções predominantes no hemisfério esquerdo
e direito. Mas isso discrepava do contexto triádico do resto
do corpo teórico. Até que encontrei a teoria de Paul
MacLean13 que apresentava o cérebro em três camadas;
depois descobri Alexander Luria14 descrevendo os processos mentais
como sendo três. A teoria ganhou em coerência porque
todas as dinâmicas têm em comum o mesmo princípio
triádico como fio propulsor e unificador do movimento, da
evolução:
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Com
isso, foi possível desenvolver um instrumento central da
teoria que é o Ciclo Cibernético de Feedback (roteiro
de pensar, criar e implementar).
A
conexão do Ciclo Cibernético com a trialética
sistêmica e seus referenciais permitiu chegar ao sonho de
qualquer propositor de teorias: Um quadro único, um mapa
integrado, uma matriz compactada. É o Hológrafo Social
(descritor geral):
Depois
disso, a preocupação é fazer a “triadização”
das áreas de conhecimento tidas como de porte médio,
como ecologia e teoria da cultura e das áreas específicas
correspondentes aos 14 subsistemas, como saúde, educação,
direito, economia, tudo baseado no princípio sistêmico
do três. Esta é uma preocupação típica
de transição de era histórica.
No começo da Idade Moderna (séculos XVI e XVII) a
preocupação foi reorganizar o conhecimento pelo novo
paradigma protestante e científico monádico. Depois
o marxismo também tentou reorganizar todo o conhecimento
pelo paradigma diádico, o que foi interrompido recentemente.
Quando surge um novo paradigma, há uma reacomodação
das coisas, da vida e do conhecimento. Agora, com o paradigma triádico,
surge de novo a imensa tarefa de reorganizar o conhecimento triadicamente,
o que já está sendo feito em algumas áreas.
A última inserção na teoria é o conceito
de Proporcionalismo. Embora a teoria sistêmica tenha o conceito
de homeostase lábil, em ajustamento permanente via Ciclo
Cibernético de Feedback, ele é mais aplicável
no mundo mecânico e mais monádico; fora dele, no mundo
da organização social e do entrechoque triádico
cada vez mais violento dos atores sociais ou subgrupos, debatemse
conceitos de equidade, leis, justiça, equilíbrio,
igualdade, diferenças, enfim, moral e ética, alimentando
discurseiras infindas por não se chegar a dimensionar nada.
Recorri à Matemática didatizada por Malba Tahan15
e daí extraí a teoria da média e extrema razão,
representada pelo número 1,618 (arredondado para 1,62 ou
62%) trabalhada desde Pitágoras, Fibonacci e, mais modernamente,
por Gauss, Matila Ghyka16 e outros. Fiz as adaptações
correspondentes aos três subgrupos mantendo diferenças
pro-porcionais, para fugir tanto da igualação máxima
propugnada pelo paradigma diádico marxista, como da desigualação
máxima forçada pelo paradigma monádico capitalista.
A síntese está neste gráfico:
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“Ponto
de Ouro” é distribuição em módulos
ou porcentagens aproximadas de 62% por 38%, repetitivamente, como
a que existe entre cabeça, trono e membros ou entre mão,
antebraço e braço etc. Quanto mais longe do “Ponto
de Ouro”, maior a desproporção, a injustiça,
o conflito. A coluna de números à direita é
a “seqüência Fibonacci” (em que cada novo
número é a soma dos dois anteriores). Aqui ela está
sendo usada para indicar o intervalo entre o piso mínimo
e o teto máximo de ganhos numa dada sociedade ou grupo. Nas
sociedades desenvolvidas a diferença entre os ganhos mínimos
e os ganhos máximos fica em torno de vinte vezes. Em sociedades
subdesenvolvidas e perversas a diferença passa de cem vezes.
Um
balanço mais que sucinto, para demarcar as posições
do atual desenvolvimento da Cibernética Social para quem
quiser retomá-la e testá-la ou expandi-la, é
o que segue:
INSTRUMENTOS E “POSTULADOS” DA CIBERNÉTICA SOCIAL
pelo referencial das Dinâmicas:
DINÂMICA
UNIVERSAL
Instrumentos ou modelos: Fluxograma da Dinâmica universal.
Fluxograma do Alfa-místico (meditação) que
é a maneira de percepção da tri-unidade universal,
superior, permanente.
Postulados (leis, padrões, axiomas):
O universo é um efetuador sistêmico tri-unitário,
superior, infinito, eterno, dentro do qual e de acordo com o qual
e com o qual tudo co-evoluiu e co-evolui inclusive o ser humano
que deve reverenciá-lo, conhecê-lo e preservá-lo;
daí o sentido de identidade e de missão co-criadora,
co-evolutiva, aqui, agora e sempre. A identidade pessoal e coletiva
brota na Dinâmica energística (veja abaixo), perpassa
por todas as dinâmicas e se estende pela Dinâmica universal
– cidadão global, cidadão do infinito.
DINÂMICA
DA SIMBOLOSFERA (realidade virtual):
Instrumentos ou modelos: Fluxograma da simbolosfera (Cibernética
Social II). O Hológrafo Social como representação
de um sistema-toto-total com susbistemas toto-parciais (porque tudo
é holográfico). Glossário sociocibernético.
Manifesto Proporcio-nalista. Fluxograma de endoculturação
do Proporcionalismo. Show de Jogos Globais. Gramática do
dinheiro.
Postulados
(leis, padrões, axiomas):
As três simbolosferas ou culturas são complementares
e proporcionais e não, independentes, monádicas e
desproporcionais.
A cultura é pluralista mas não monádica e caótica:
é pluralista mas ordenada. “Três” é
o princípio ordenador primordial, desdobrável, complexificável
ao infinito.
Cada uma das Ciências Sociais e Humanas só é
válida como eixo (núcleo específico referente
a algum dos 14 subsistemas) das demais (área generalista
descrita pelo Ho-lógrafo) e não como especialidade
autônoma, independente das demais.
A comunicação número-verbal depende de referenciais
gráficos e de “modelagem” (desenho de modelos
que representam a estrutura e o funcionamento daquilo que se quer
compreender) para aperfeiçoar-se. Cada eixo do conhecimento
deve ser reformulado pelo método triádico. As Paraciências
(parapsicologia, por exemplo) correspondem à percepção
em nível mental alfa.
DINÂMICA
DE GRUPO (inter-governabilidade triádica)
Instrumentos ou modelos: Fluxograma de Prestusuárias (qualquer
organização). Jogo triádico trigrupal e gradiente
de comportamentos correspondentes. Proporciona-lismo como ética
de convivência.
Postulados (leis, padrões, axiomas):
A ecorregião municipal é a unidade de organização
social que se amplia e progride pelo princípio de federalismo
e republicanismo até o global.
A posição subgrupal impõe seu comportamento
típico a quem a ocupa (as três posições
são fixas; os ocupantes é que vêm e vão).
A predação corre da periferia e de baixo, para o centro
e para cima (lei da predação).
O oficialismo depreda a tudo e a todos e força a maximocracia
aos extremos, contornando ou rompendo os controles, buscando álibis
e disfarces para manter-se “sujeito social oculto” e
impune. O desafio são os limites das diferenças para
impedir a maximocracia e permitir uma convivência aceitável,
mais pacífica e reciprocamente respeitosa e cooperativa.
Entre um micro (mãe) e um macro oficialismo (império)
a diferença é só de quantida-de e não
de qualidade, embora os graus entre positivo, positivo menor e não
positivo (negativo) possam variar.
Todos os sistemas nascem guerreiros (assassinos) com predomínio
absoluto do cé-rebro central no nível um dos 4 cérebros
(luta por sobrevivência e reprodução); o de-senvolvimento/construção
do cérebro direito/moral e do esquerdo/racional em dose suficiente
para ficar em proporcionalidade com o central, e os três em
níveis superiores, é o que torna o guerreiro inicial
num cidadão socialmente aceitável (isto é:
“desreptilizado”, “civilizado”).
O oposto da guerra não é a paz (uniformidade); é
a proporcionalidade tri-unitária no show de jogos globais.
Os três subgrupos usam meios graduais de forçamento,
defesa e neutralidade para sair ganhando mais no jogo triádico;
mas o subgrupo oficial visa o monopólio e é o gerador
número um de resultados desproporcionais por qualquer meio
de forçamento (violência 1), que gera outras formas
de meios de defesa (violência 2, 3 etc.). Só o império
universal de uma justiça triádica e proporcionalista
garante a paz.
DINÂMICA
PRESTUSUÁRIA
Instrumentos ou modelos: Fluxograma evolutivo dos tipos de energia
e tecnologia. Fluxograma do processo prestusuário ou de Agendonomia
(ex-Economia). Fluxograma de Criatividade Comunitária.
Postulados (leis, padrões, axiomas):
A co-propriedade coletiva do ecossistema é princípio
superior (res publica) à propriedade particular.
O jogo triádico do livre mercado deve ser protegido da maximocracia
dos oficialistas de todas as esferas e níveis.
A competição horizontal (mesmo nível, mesmas
oportunidades) é salutar: a competição vertical
é mortal porque é a lei do mais forte (de cima) atropelando
o mais fraco (de baixo).
Produtividade ou progresso individual é a transição
do usuarismo ao prestadismo ca-da vez maior; produtividade ou progresso
coletivo é a razão harmônica ou proporcional
entre prestadismo e usuarismo.
A acumulação tem que ter como limite uma porcentagem
do PIB ou um intervalo ba-seado na Lei Fibonacci. O problema não
é “pobreza” (o planeta nunca produziu tanta riqueza
como agora), nem é em prego/desemprego, nem desenvolvido/subdesenvolvido,
nem de economistas e sua esfarrapada cienciazinha: é o direito
de todos ao nível de minivivência definido em 14 subsistemas
pela Cibernética Social
DINÂMICA
INDIVIDUAL-FAMILIAR (autocondução, libertação
pessoal)
Instrumentos ou modelos: “Ambiente e Ciclos de Nossa Vida”
ou “Fluxograma evolutivo da personalidade em 12 ciclos”.
Postulados (leis, padrões, axiomas):
Não viemos a este mundo: nascemos aqui, não somos
corpo/alma, mas sistemas tri-únos, produto da evolução.
O ser humano não é rei do ecossistema: é apenas
um dos elos da rede ou um dos estágios evolutivos.
A mulher (ou a feminilidade: predomínio de cérebro
direito) é o subgrupo oficial.
Os filhos/cidadãos são produto parte (38%) da genética
e 62%) do upaya/upayadores que são repassadores das determinações
da estrutura social. Os pais são responsáveis só
até os 18 anos quando deve ocorrer a autonomização.
A dinâmica familiar é recorrência das dinâmicas
energística, ambiental e noônica; e é matriz
ou projeta-se como recorrência nas demais dinâmicas,
sendo a mais grave a dinâmica universal com a invenção
do sobrenatural e dos deuses como álibi e máscara
do oficialismo monádico para os oficialistas, como necessidade
permanente de pai/irmãos/família/autoridade para os
oscilantes; os antioficiais combatem isso como mitologia a ser substituída
por alguma “racionalidade” ou pela auto-entronização
deles mesmos.
DINÂMICA
NOÔNICA/MENTAL (MÉTODO TRIÁDICO)
Instrumentos ou modelos: Cérebro triúno e CCF - Ciclo
Cibernético de Feedback. Fluxograma evolutivo dos 3 cérebros
em 4 níveis.
Postulados
(leis, padrões, axiomas):
O nível 1 (um) dos três cérebros é hereditário
ou congênito: a estrutura sintática da in-formação;
a combatividade para a sobrevivência/reprodução;
a criação de laços para a convivência.
Transcendência é distanciamento ou elevação
acima deste nível inconsciente, mecânico, determinista
e superação de sua recorrência nos níveis
superiores com mais consciência, mais liberdade e autocondução.
A todas as dinâmicas aplicam-se os postulados da Dinâmica
energística/ambiental (no caso do cérebro, há
que enfatizar a lei da evolução: o cérebro
tem o nível 1 inato, hereditário e os demais construídos
ou programados pelo ambiente triádico).
A comunicação número-verbal deve ser desenvolvida
como uma disciplina unificada e não como ”língua”
e “matemática”. A linguagem geométrica
e não a algébrica é pri-mordial para a visão
sistêmica triádica.
DINÂMICA
AMBIENTAL
Instrumentos ou modelos: Energia como efetuador ou sistema em rede
unitriádica universal.
PADRÕES DO SISTEMA/EFETUADOR UNITRIÁDICO
ESPAÇO
(mecânica quântica e ambiente)
A energia é triúna e está em expansão
ou complexificação formando sistemas unitriádicos,
de expansão holográfica, que se interligam e intercambiam
energia por inputs e outputs, por isso seus extremos são
superpostos no espaço-tempo como escamas de peixe. Todos
os sistemas são eletromagnéticos ou têm força
de gravidade, formando por isso uma rede universal, vertical (hierarquizante),
horizontal, transversal, trançada, quântica, biológica,
mental, grupal, societária, planetária, etc. São
os diver-sos níveis de organização e manifestação
da energia, em forma trançada, fractal, ondulatória
enrolando-se como fluxogramas ou espirais cônicas (veja a
forma das galá-xias e das orelhas...). Segundo a física
quântica há que redefinir “realidade” e
sua percepção como um ordenamento de conjuntos triúnos,
cada nível com seu código ou plano estrutural/desenvolvedor.
Cada nível sistêmico acrescenta complexidade e características
“emergentes”.
CRONOLOGIA
Os sistemas estão sempre em movimento transformativo-evolutivo,
por ciclos ondulatórios regulares, irregulares, em escalas
recorrentes, fractais. É um movimento de diástole,
platô e sístole, sendo a primeira fase construtiva/organizativa,
sendo o platô estável (ordem) e sendo a fase terminal
desconstrutiva/caótica, prenunciando o começo de novo
ciclo. Cada ciclo é uma epigênese (ramificação
diádica ou triádica com recorrência) do anterior,
sem fim, podendo progredir, regredir, perder-se... Quanto mais próximo
da dinâmica energística do cosmos e do ambiente físico
(não na esfera subatômica), mais regular/linear é
a evolução ou movimento da energia para os interesses
dos humanos (leis mais estáveis e previsíveis); quanto
mais se afasta ou quanto mais próximo à dinâmica
universal mais irregular/não-linear é o movimento
evolutivo (menos estáveis e menos previsíveis são
as leis).Trata-se de probabilismo, plausibilidade ou propensão
triádica ou de maior incerteza quanto ao futuro.
PERSONAGENS,
ATORES OU ACTANTES
Os agentes, as forças, os sujeitos de qualquer sistema têm
três posições ou formam três subgrupos
complementares, reversíveis ou em rodízio (nada é
só sujeito ou só objeto, só causa, só
conseqüência): OFICIAL (regente); ANTIOFICIAL (divergente);
OSCILANTE (convergente) que ora ficam isolados, ora cooperam, ora
competem (2 contra 1). É o Jogo triádico ou democracia
triádica da energia. Entre mamíferos, os três
subgrupos se caracterizam por seu comportamento interativo originado
na estrutura tricerebral. Os três subgrupos se criam, se apóiam
e se definem reciprocamente e se hierarquizam em poucos ou muitos
níveis. O uso do cérebro é triúno e
transcorre numa seqüência chamada CCF – Ciclo Cibernético
de Feedback, em diferentes freqüência (alfa, beta, gama,
theta, delta etc.). O tricerebrar é considerado 38% genético;
o resto é construção social sistêmica
bem ou mal feita a partir da família como sistema, tendo
a mulher como subgrupo oficial.
PROCEDIMENTOS
Os sistemas e seus subgrupos são movidos pela busca e acumulação
de satisfatores, maximocraticamente, baseando-se em informação,
criatividade e esforço ou luta, o que resulta em hierarquias
ou classes que redenominamos “níveis (4) de informação,
de agendonomia e de vivência. Mas o conhecimento não
é tão objetivo ou “real” como pretendem
os monádicos; é um mixto proporcional de subjetivo/objetivo
o que o torna aproximativo porque é em parte “real”
e em parte “criado”, inventado, adaptado aos vícios
e limitações de percepção de cada tricerebrar.
A rede ecossistêmica global precisa manter-se nos limites
da proporcionalidade entre os extremos da neguentropia (máximo)
e entropia (nada, mínimo) para continuar a existir. O mercado
“humano“ passa a ser ecomercado incluindo todos os seres
do planeta no prestadismo e usuarismo para que haja intersustentabilidade.
Para isso existe e tem que funcionar o Ciclo Cibernético
de Feedback individual, coletivo, universal.
A Cibernética Social é uma re-síntese cultural
e uma integração transdisciplinar que leva à
reconceituação de “natureza”, de “matéria”,
de energia, de Big Bang e suas “leis” de composição,
funcionamento e complexificação em substituição
ao conceito de sobrenatural, de matéria e espírito,
de natureza monádica das ciências exatas, de evolucionismo
darwiniano, de livre mercado do poder econômico anglo-americanosionista,
de materialismo dialético marxista etc. É transição
do modernismo para o pós-modernismo, ou da era imperial anglo-americanasionista
para a era da comunidade humana global.
BIBLIOGRAFIA
1. MÜLLER, A. R. Teoria da Organização Humana.
São Paulo: Ed. Sociologia e Polí-tica, 1958.
2. WIENER, Norbert. Cibernética e sociedade. O uso humano
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