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A QUINTA AMERÍNDIA NO SHOW DO JOGO MUNDIAL

 

500 ANOS DE PARADIGMA LUSO-BRASILEIRO - ESCLARECIMENTO

 

O texto que segue foi elaborado por ocasião das comemorações dos 500 anos do “achamento/descobrimento/invasão do Brasil. O que foi mesmo? Hipocritamente, as elites contornaram a questão com um novo pseudônimo: “encontro de culturas”

No Brasil, mais que em outras partes, sempre foi difícil o descobrimento da verdade. É a cultura das versões e tergiversações. Por trás das versões históricas estão os paradigmas: modos de usar a cabeça, aqui resumidos em três:

- Monádico , unilateral, personalista, capitalista que é o que comporta mais versões, contraversões, mentidos e desmentidos, sem fim, sem nunca chegar ao término de nenhuma apuração (termina em pizza).

- Diádico , bipolar, dicotômico, dialético, oposicionista, socialista que fez carreira durante o século XX; à versão capitalista/elitista, contrapôs a versão socialista/popular, antagônica, organizada na teoria da dependência ou centro/periferia no cenário internacional e nos partidos de esquerda no cenário nacional.

- Triádico, trilateral, trialético, tri-grupal, tri-cultural, tri-relacionado, tri-dependente que é um dos paradigmas emergentes que é apresentado e usado no presente texto.

Pelo paradigma triádico, o Brasil é visto como um jogo econômico-político-sacral de três blocos de jogadores ou subgrupos, entrelaçados em três níveis verticais (classe alta, média, baixa), em três posições horizontais (direita, centro, esquerda) e em três movimentos de profundidade (dianteira, medíocre, rabeira). É uma tentativa de compreensão mais ampla, mais abrangente e mais inclusiva do existir, acontecer e conviver, que supõe critérios de co-responsabilidade trilateral em proporções a serem atribuídas a cada uma das partes do jogo triádico. É um jogo tri-uno – três que formam um e cada qual apenas um de três – num contexto tri-uno ou tridimensional.

Nenhum dos três subgrupos é bom ou mau, melhor ou pior, positivo ou negativo de por si, conforme o hábito atual de jogar a culpa nos outros. O método triádico ou tri-uno observa se um subgrupo age mais proporcional, neutro, ou mais desproporcional em relação aos outros dois (ou dois contra o terceiro). Observa se a distribuição do PIB foi mais proporcional, inalterada, ou mais desproporcional no ano ou num dado ciclo, não importando muito se o crescimento foi alto ou baixo. É a maneira como os três subgrupos jogam e participam dos resultados.

O presente texto é de autocrítica. Trata de conscientizar o que sabemos-somos-temos como três subgrupos interdependentes e co-responsáveis. Depois de 500 anos de história, de um século XX de lutas neo-independentistas e mudancistas sem superar nossos vícios privados e públicos, sem modificar nosso caráter nacional hipócrita e alienado, sem superar as gritantes desigualdades econômico-sociais e de toda espécie, há que perguntar por que somos e continuamos assim. Somos três C :

C analhas como elites.

C alhordas como esquerda.

C agões como povo.

 

Uma ilustração breve. Muitas áreas de Brasília são tomadas e “legalizadas” por grileiros que as vendem como loteamentos (armadilha) a compradores de boa fé. Durante o período de grilagem e da armadilha da venda, nenhuma autoridade de direita ou de esquerda solta um pio ou um pum. Não sabe de nada. Ao serem levantadas as primeiras construções, as autoridades “despertam” e gritam: invasão, está tudo ilegal! Enviam suas máquinas para invadir/demolir as casas e despejam lá força policial e canina frente à qual a reação das vítimas da armadilha será - atirar nas “autoridades”, despejá-las dos palácios que tomaram e “legalizaram”? Nãããooo! É...chorar. Três C ...


 

 

500 ANOS DE PARADIGMA LUSO-BRASILEIRO E CONSEQÜÊNCIAS

resumidas em 3 C : Elites C analhas; esquerdas C alhordas; povo C agão.

Vamos redescobrir o Brasil (a nós mesmos) no aniversário de 40.500 anos.

Diz-me com que paradigma andas e dir-te-ei quem és".

 

 

 


Prof. Dr. W. GREGORI

wgregori@gmail.com

www.globaltriunity.net

1. DA MONOLÉTICA (unilateral), À DIALÉTICA (bilateral) E À TRIALÉTICA (trilateral).

 

Para perceber melhor o sentido do título, vamos recordar a teoria do desenvolvimento e uso do cérebro. Até uns 30 anos atrás, pensava-se que o cérebro era uma coisa só, um processo só, chamado inteligência ou consciência, com suas faculdades ou funções (memória, vontade, juízo, etc.). Em cima disso, construiu-se toda a pedagogia e psicologia, com seus currículos, com seus testes, principalmente o teste de Quociente Mental (Q. I.).

Depois, apareceu a teoria dos dois hemisférios com funções ou operações diferenciadas (Roger Sperry, 1975). Além do teste de QI, agora começou-se a falar em QE ou Quociente Emocional. Na mesma época, surgiram as pesquisas revelando que o cérebro, de fato, é um sistema com três componentes básicos e três processos mentais básicos correspondentes (teoria de McLean, de Alexander Luria, de Laborit,de Popper e Eccles):

     

Esquerdo:

Lógico.

Poder Civil

Direito:

Intuitivo.

Poder Sacral

Central:

Operacional.

Poder Econômico

Cada um dos 3 cérebros é também triádico, o que é melhor entendido com a analogia do átomo ou do holograma energético, em que cada parte se decompõe ou recompõe de novo em 3: cada componente reproduz a estrutura do todo e vice-versa (ressonância entre o micro e macrocosmo). Tudo é energia que se autotransforma (inputs-outputs) em matéria, em cor, em música, em cérebro, em instituições, em cultura, tudo evoluindo probabilisticamente como em tranças de 3, enrodilhando-se, entrelaçando-se, sem limite e sem fim, formando a cadeia alimentar-reprodutiva do ecossistema global.

A Cibernética Social, baseada nas teorias acima, elaborou o "Revelador do Quociente Mental Triádico" - QT. Após muita pesquisa sobre o método geral das ciências, os métodos gerenciais, os métodos de inspiração e criação artística, fez a junção do percurso geral e universal dos 3 processos mentais num "Ciclo Cibernético de Feedback" - CCF.

Daí pode-se afirmar que a diferença entre indivíduos e entre culturas nasce:

- da programação quase exclusiva favorecendo um só dos 3 cérebros (e seu uso mais monolético, mais dialético, ou mais trialético);

- dos instrumentos conceituais (e tecnológicos) através dos quais os 3 cérebros operam (língua, matemática, esquemas referenciais, regras e procedimentos práticos - a lógica) para o CCF;

- e do nível (baixo ou alto) de desempenho dos 3 cérebros no uso do CCF.

Isso tudo é resumido pelo conceito de "Paradigma-instrumento" ou modelo de cérebro e seus pressupostos e instrumentos primordiais, quase sempre inconscientes para a maioria dos indivíduos e das sociedades. O que se faz, o que se produz com o paradigma-instrumento (uso e desempenho do cérebro) é chamado "paradigma-produto", que são as teorias gerais (como o neoliberalismo ou o economicismo, agora elevados a teoria geral), as teorias específicas (de política, educação, de empresa, de direito, etc.), a cultura científica, as religiões, o Estado, as instituições, a tecnologia, o desenvolvimento material, tudo condicionado pelo tipo de "paradigma-instrumento utilizado.

 

1.1. LÓGlCA TRIÁDICA .

 

Embora cada um dos 3 cérebros tenha sua forma de reportar-se e reagir ao meio (o lógico triádico pelos conceitos; o intuitivo triádico pela intuição, pelo insight, por estalo, por percepção súbita ou sensação; e o operacional triádico pela experimentação e luta) somente o processo do hemisfério esquerdo se chama "lógico" ou "racional", feito com palavras-sentenças-silogismos com regras de coerência para referir-se à realidade. O processo intuitivo e o operacional não são ilógicos ou irracionais, nem primitivos ou selvagens, apenas têm outras maneiras de perceber e expressar ou viver a triadicidade.

O hemisfério esquerdo lógico sempre foi tido, pelos gregos e ocidentais, como sendo o processo mental total, monádico, uniforme, unicista, reducionista: aristotélico-tomista-cartesiano. As filosofias orientais chamavam à razão ocidental "mente", à qual atribuíam todas as angústias e desvios humanos, preferindo o processo meditativo, iluminativo, que hoje identificamos como sendo do cérebro direito com ondas alfa.

A diadicidade e triadicidade no processo lógico, no processo intuitivo e no processo operacional universal e em todos seus níveis foi conscientizada e acatada muito recentemente. O contencioso, o contraditório, as trindades, as guerras de blocos rivais sempre existiram, ilustrados no confronto entre Deus, Lúcifer e anjos. O lado intuitivo sempre "sentiu" a triadicidade, mas só no "divino", nas trindades. O operacional sempre se moveu num universo triádico como o são a guerra e o mercado "instintivamente". Mas buscava-se uniformizar, centralizar, absolutizar, unificar, reduzir tudo ao um, ao único.

A dialética de Hegel, Karl Marx e Friedich Engels, que consagrou a diadicidade em pares conflitantes, que ora se polarizam numa contradição e ora se aproximam numa síntese - tanto na teoria de Hegel como na prática Marx - tem apenas 150 anos. Antes disso, os processos lógico, intuitivo e operacional sempre foram reduzidos ao monádico, o qual consiste na observação e no tratamento dos fatos - um a um - e hierarquizá-los numa única pirâmide; em caso de oposição, somente um dos lados é o verdadeiro, o oficial, devendo o outro ser eliminado, negado, suprimido (é a origem de todas as ditaduras, que chamamos de oficialismo de diversas gradações, como o neoliberalismo, hoje).

 

É o "unipensar”, que foi usado para estruturar a cultura, as religiões, a política, para dominar a economia ou disputa dos meios de sobrevivência e reprodução. O que não afinasse com o unipensar, com essa unidimensionalidade, com essa uniformidade, com esse oficialismo era considerado heresia, erro, mentira, falácia, traição, subversão, rebelião (que nasce da crítica ao unipensar, chamando-se "duplipensar”, oposição, anti-oficialismo).

A lógica monádica tem sua eficácia no tratamento de fenômenos com mais regularidade, como a maioria dos que são típicos das ciências "quase" exatas (tudo é dinâmico ou evolutivo em maior ou menor ritmo). Mas a partir dos fenômenos biológicos, individuais e sociais, o processo de movimento evolutivo, cambiante, diferenciador é cada vez mais acelerado, livre e probabilístico, notando-se o predomínio crescente da competição sobre a complementaridade ou a cooperação, requerendo enfoque diádico ou triádico.

Em situações e fatos mais restritos, a diadicidade - polarizada em subgrupo oficial (situação) e subgrupo antioficial (oposição) tem sua aplicação proveitosa, já que contempla mais os opostos e sua equilibração proporcional (por ex.: glóbulos vermelhos X glóbulos brancos). Entretanto, para situações de abrangência maior, de grandes números, será mais produtiva a abordagem trialética ou triádica, que contempla não só o subgrupo oficial e o subgrupo antioficial em oposição, mas também um terceiro que é a porção maior (entre 60 e 80% do todo triádico) e atua como força intermediária, de suporte e estabilização dos outros dois. É o chamado subgrupo oscilante.


A relação entre esses 3 subgrupos (jogo triádico de disputa de bens satisfatores da sobrevivência e reprodução) e os 3 cérebros é:

 

- quem tem predomínio do cérebro central prefere exercer o subgrupo oficial (dono, chefia);

- quem tem predomínio do cérebro esquerdo prefere exercer o antioficial (crítico, que se opõe);

- quem tem predomínio do cérebro direito prefere exercer o subgrupo oscilante (povão conformado ou inconsciente).

Aderir à trialética é um procedimento de inclusivismo, de inter e translateralidade, é soma da monolética com a dialética, formando a trialética. O bom desempenho em trialética supõe que o usuário seja bom em monolética e em dialética, segundo as situações e fatos em questão, buscando a integração e proporcionalidade em todas as manifestações de triadicidade.

Paradigma-instrumento é a concepção básica, com sua lógica, por trás ou por baixo do modelo de organização nacional e planetária que temos ou que cada subgrupo quer ter (paradigma-produto). Ideologia é o esforço de um subgrupo, de uma etnia, de um país para justificar, defender e impor essa concepção básica e seu modelo concreto aos outros (o neoliberal, por exemplo, ou o marxista, ou o religioso). O paradigma-produto (cultura religiosa, cultura científico/informacional e cultura político/econômica) sempre tem parâmetros nos 3 cérebros, parâmetros esses expressos em leis naturais, normas morais e jurídicas, jogos de mercado. Os indicadores de desenvolvimento econômico e de desenvolvimento humano deveriam mostrar o tamanho das vantagens para os oficiais e o custo ou prejuízo para os demais. Geralmente encobrem isso, porque a ideologia é o marketing do paradigma.

Por trás de um paradigma .sempre está um grupo com seus interesses, acobertados por uma ideologia de boa aparência.

Pelos 3 cérebros, vemos que são todos aspectos de um mesmo problema em suas 3 faces, formando o que podemos chamar de megaparadigma que é a interação de todos eles, com seus jogos triádicos

O paradigma maior que domina tudo foi chamado "cartesiano" (de Descartes, filósofo e matemático francês - 1596-1650). Mas ele é só para o cérebro esquerdo, científico, com lógica monádica (para o cérebro esquerdo com lógica diádica funciona o dialético-maxista). O paradigma cartesiano científico coexiste com outros, típicos do cérebro intuitivo e operacional, formando um megaparadigma, ou o paradigma global, que será - científico-religioso-financeiro/político - cada um deles dividindo-se em 3, cruzando-se, trançando-se e recombinando-se entre si, sem fim.

 

É preciso ficar bem atento e apegado à triadicidade, porque a tendência histórica ainda é fixar-se excessivamente num só dos 3 lados do cérebro e, nesse lado, ater-se a um só lado de sua triadicidade (tentação de impor-se como único, máximo, supremo, oficialista, soberano...). Com isso, temos o início de um novo paradigma emergente, que chamamos - sistêmico-triádico ou Proporcionalismo.

2. PARADIGMA CARTESIANO-SACRAL-ECONÔMICO EM PORTUGAL

 

O paradigma da idade moderna identifica-se com os Anglo-saxãos e algo com a França (esta sempre competiu com Inglaterra e Alemanha). Mas que influência terá tido esse paradigma em Portugal? Haverá uma versão lusitana desse paradigma?

Desde seu "descobrimento" ou colonização por D. Diniz ppor volta de 1100, Portugal esteve emaranhado num jogo triádico europeu, que nunca superou. Portugal surgiu como subgrupo independentista frente à Espanha (como o "país" basco, hoje) tendo que socorrer-se do apoio às vezes da França e, quase sempre, da Inglaterra para defender-se, tornando-se oscilante delas. Agora, para fazer parte da União Européia, acontece o mesmo. Essa rixa entre hispanos e lusos prolongou-se na América Latina. Tanto que somos chamados hispano-americanos e luso-americanos.

Portugal nunca teve, como os anglo-saxãos, um surto de cérebro esquerdo que superasse o direito. Por isso ficou subordinado a Roma e a seu paradigma sacral, composição essa em que o poder religioso católico era superior ao poder civil do Rei. Com o I luminismo ou a Revolução Francesa, Pombal subordinou o cérebro direito e esquerdo português à liderança latina da França (até o sotaque de Portugal imita o francês) embora não tivesse assimilado quase nada da nova filosofia iluminista e da robusta literatura francesas. Pelo cérebro central ficou subordinado aos guerreiros, banqueiros e comerciantes da Inglaterra, tendo assimilado muito bem a arte da colonização, da depredação e da truculência.

Em meio à sua formação, enquanto região portucalense-galega, Portugal teve imigração judaica e sofreu uma ocupação e aculturação árabe, sarracena a partir do ano 700, que sempre renegou. Mas aí estão as lutas, a literatura, a arte, as encenações de "mouros X cristãos". E teve a contra-reforma (reação contra os protestantes e todos que não fossem católicos), liderada pelo Concílio de Trento (1536) e pelos jesuítas espanhóis/portugueses (entre 1580 e 1640, Portugal ficou subordinado à Espanha) que criou os problemas das conversões forçadas, expulsões, inquisição, etc.

Resultado: Portugal desenvolveu uma ambigüidade cultural, com uma falta nunca superada de identidade, uma despersonalização bem vestida, uma diplomacia contemporizadora, tirando partido mais de sua posição geográfica do que de sua nacionalidade, de sua cultura, de sua competência. "Portugal quase sempre perdeu no campo de batalha e quase sempre ganhou depois na mesa das negociações" (respaldado pela Inglaterra que o usava como cabeça de ponte para entrada na Europa continental. Portugal sempre foi o terceiro mundo da Europa, uma periferia, uma criança abandonada em busca da mãe Europa.

Foi com esse paradigma sacral medieval, paradigma cartesiano-francês empobrecido e o paradigma econômico britânico primitivizado que Portugal nos invadiu, submeteu, nos depredou e enveredou pela história dos últimos 500 anos. Herdamos uma cultura sem história e sem memória que valha. O que está pois na base de nosso processo não é o paradigma cartesiano que produz ciência (ainda que fragmentária); não é o paradigma sacral protestante que incentiva o trabalho e a honestidade; não é o paradigma econômico britânico que desenvolveu a industrialização e a produtividade. É sua versão empobrecida que chamaremos de "PARADIGMA LUSO-BRASILEIRO", repassado por instituições alienantes: a família (mulher), escola, religiões, meios de comunicação de massa (principalmente TV), empresas, governos que seguem o modelo colonial...


3. INTRODUÇÃO AO FLUXOGRAMA GERAL DO BRASIL

 

A vida de um país e do planeta se faz com muito mais coisas além da política e da economia (cérebro central). Supõe a conjugação dos 3 lados do cérebro, e o entrelaçamento das esferas de vida daí decorrentes e não só os fatores de produção.

Trata-se de todo o processo usuprestadio (seqüências de insumos-transforma- ções-produtos) dos 3 cérebros:

O desenrolar desses 3 processos, sob a batuta dos 3 poderes (Poder Sacral, Poder Político e Poder Econômico) em permanente jogo triádico entre si formam a história de um país e do planeta:

 


 


Lendo o Fluxograma do Brasil da base ao topo, constatamos que todos os atuais países provêm de humanóides, caçador-coletores, bandos, tribos, aldeias, com seus caciques e pajés/xamãs, que evoluíram para Estados com seu poder político, poder econômico e poder sacral, com suas autoridades políticas, econômicas e religiosas, tendo atravessado com muitos ciclos de co-evolução, tendo muitos outros pela frente. Embora as populações humanas, animais, vegetais e sua base geológica/ambiental tenham sobrevivido e evoluído juntas, a cota de sacrifícios e benefícios não é igualitária, nem proporcional. Existe a divisão e especialização do poder triádico e da agendonomia (trabalho) em pelo menos 4 níveis diferentes de atuação e conseqüente bem-estar:

A estrutura tridimensional da energia, do cérebro, da cultura, do poder e do trabalho criou:

com os inconformados querendo revolucionar a política e o poder, a economia e a propriedade. São os partidos populares de reivindicação política, e são os sindicatos ou movimentos de reivindicação econômica. No tempo da escravatura chamavam-se irmandades, quilombos, etc.

As Américas, cultural e historicamente são, na verdade, Indoamérica ou Ameríndia, cruzamento da cultura indígena com as que chegaram, cuja evolução pode ser analisada em ciclos indoamericanos ou ciclos latinoamericanos ou brasileiros.

Primeiro Ciclo . As Américas tiveram um primeiro ciclo histórico, chamado pré-colombino (antes de 1492) com vestígios humanos de 12.500 anos atrás segundo a arqueologia dominante e, até, de 40.000 anos atrás segundo outros, com população autóctone e seus paradigmas e modos de vida (mayas, aztecas, incas, tupis-guaranis, etc.).

Segundo Ciclo. Começou com doutrinas do paradigma europeu que justificavam a invasão, a escravização dos índios e, depois, dos negros, bem como a pirataria marítima e terrestre, humana e ambiental. O ciclo da colonização e espoliação pelas metrópoles, até a Independência, sempre teve o jogo triádico fervendo: católicos X protestantes; latinos X anglo-saxãos; escravos X senhores; índios X invasores; portugueses X espanhóis; conquistadores X missionários; comerciantes (mascates "burgueses") X senhores de engenho (rurais); crioulos (bandeirantes) X reinóis (emboabas), etc.

Terceiro Ciclo. É o das independências (norte-americana, hispano-americana, brasileira), impregnado de ideais populares franceses, do anarquismo italiano e do socialismo sonhador. O ciclo do império brasileiro (l822-1889) teve diversos movimentos separatistas, surgiram novos movimentos culturais e trabalhistas brasileiros, enquanto as funções da antiga metrópole se concentravam nas elites do triângulo Rio-São Paulo-Minas (Triângulo das Bermudas brasileiro, segundo Ulysses Guimarães), caracterizando o colonialismo religioso, científico, político/econômico interno, inter-regional.

O poder católico de Roma, depois de ter aprovado a escravização de índios e negros em cumplicidade com os colonizadores, instituiu-se em poder moderador com sua doutrina social consolidada na encíclica "Rerum Novarum". Mas tendo que dividir o campo com o protestantismo e a maçonaria, insurgiu-se querendo instaurar as guerras religiosas à moda européia do tempo da Reforma e Contra-Reforma. No Brasil, a Igreja promoveu a chamada "Questão Religiosa", puro corporativismo monopolista católico, enquanto na Colômbia promoveu a "Violência" (guerra do começo do século) e no México promoveu a "Guerra dos Cristeros".

Quarto Ciclo (brasileiro). A velha República, inaugurada com o primeiro golpe militar brasileiro ( l 889), veio sob a bandeira do positivismo de Augusto Comte, um paradigma monádico-direitista-militarista-capitalista-antipovo (o mesmo paradigma britânico, mas à moda francesa). Era mera continuação da Casa Grande & Senzala, que trocava os escravos pelos trabalhadores europeus, porque isso melhorava a produtividade (sem esquecer as imposições da Inglaterra industrial que queria vender suas maquinetas recém inventadas).

Com o início da industrialização, cresceu a urbanização e a proletarização, decorrentes do êxodo rural. Essa urbanização via favelização criou a força de trabalho, a arte popular e a explosão demográfica do século XX.

Pela pressão social e política dessa incipiente massa trabalhadora urbana, pela presença do paradigma socialista soviético entre artistas e intelectuais (Semana de Arte Moderna - 1922), pelo fenômeno da Coluna Prestes, sinalizando uma virada para o socialismo como vinha despontando na Europa, foi desencadeado o quarto ciclo (ciclo e século do sonho socialista). O oportunismo deu origem ao populismo paternalista, à legislação trabalhista, à nova República protagonizada por Getúlio Vargas e aliados, contra o oligopólio do Triângulo das Bermudas (Revolução de 1930 e Contra-Revolução de 1932).

Vargas era apenas um fazendeiro modernizador, dentro do paradigma positivista. Não fez uma virada para o paradigma marxista-socialista, nem fez o extermínio dos subgrupos oficiais elitistas do Triângulo das Bermudas brasileiro. Deu uma leve guinada para os oscilantes urbanos sempre mais numerosos e ameaçadores, fazendo concessões que evitaram a derrubada anunciada do sistema. As direitas nunca entenderam esse favor de Vargas: passado o perigo, as lideranças do Triângulo das Bermudas livraram-se dele e seus sucessores e retomaram o monopólio do poder e da economia.

Com a queda da União Soviética, encerrou-se o século de sonho socialista (CEPAL, teoria da dependência, centro/periferia, partidos comunistas, guerrilha etc.) também no Brasil. Por isso, Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da "era Vargas" e inaugurou a era neoliberal que, abusando de nossa tolerância com a ambigüidade, ele batiza de neo-social. Alguns pensadores negam essa ultrapassagem de Vargas, afirmando que FHC, na realidade, empurrou o Brasil de volta ao período pré-Vargas.

O poder sacral criou um subgrupo antioficial chamado Teologia da Libertação (fusão de Evangelho com o paradigma dialético-marxista) para ter uma ponte para a esquerda e uma opção preferencial pelos pobres (enquanto os subgrupos oficiais religiosos mais altos mantinham sua opção preferencial pelos ricos e pelas direitas).

O poder popular cresceu nos sindicatos urbanos e rurais, nas comunidades de base, nas associações de moradores, de profissionais intelectuais, nos partidos antioficiais, em meio a uma imensa confusão ideológica e de projetos nacionais, chegando a ameaçar, sem êxito, o oligopólio dos subgrupos oficiais, hoje ditos neoliberais.

Quinto Ciclo. Após a derrota da URSS pelo bloco anglo-americano, todos os que militavam sob sua tutela e sob inspiração de seu paradigma socialista, começaram a rever suas convicções, suas estratégias de ação, fazendo novas alianças, rumo à centro-esquerda, ao centro, chegando à centro-direita e, até à própria, com apetite de chegar à extrema direita.

Os partidos, os sindicatos, as organizações populares civis e religiosas antioficiais estão em extinção, revisão, reorganização.

Os subgrupos oscilantes estão agarrados a seu sofrido dia-a-dia e à vã esperança de que os subgrupos oficiais ou os deuses e os extraterrestres venham salvá-los sem que precisem organizar-se, lutar e sofrer para sua auto-salvação.

Os subgrupos oficiais estão envenenadas pelo dinheiro e encanzinados numa competição selvagem, aferrados a seus negócios maximocráticos na economia e na política.

É o paradigma bacon/cartesiano, smithiano, darwiniano, anglo-saxão, neoliberal em toda sua força. Até quando vai durar?

4. TÓPlCOS E CONSEQÜÊNCIAS DO PARADIGMA LUSO-BRASILEIRO.

 

4.1. DINÂMICA NOÔNICA (mente, conhecimento).

 

O que temos de pensamento, ciência e métodos de consultoria e administração, são produtos anglo-americanos, monádicos, importados ou imitados por nossas universidades e empresas. Somos assimiladores deslumbrados perante o estrangeiro e pouco criadores originais. Uma invenção portuguesa foi a lobotomia (Egas Moniz)...Nossa produção melhor é de arte, lazer e literatura. Nisso, fomos caudatários quase sempre da França. Fomos ensinados a cultuar “gênios" e "heróis" franceses. Na industrialização, até bem pouco, dependemos de importados. Fomos ensinados a cultuar os produtos importados e a menosprezar os nacionais. Por isso o luso-brasileiro é mais xenófilo e autófobo: não gosta de si (foi escravo) e do seu; gosta do "outro" e do que é do outro (quer ser norte-americano, europeu, senhor, patrão). É um híbrido que abriga esses dois pólos dentro de si, expressando-se ora pelo do escravo submisso quando é subordinado, ora pelo do senhor autoritário e corrupto quando ocupa uma chefia, por mais insignificante que seja.

Esse paradigma tem pouca afeição à filosofia, ao pensamento, à ciência, à pesquisa. Somos ecléticos, misturadores e empobrecidos mentais. O pouco de pensamento positivista só existiu na elite do poder, principalmente entre as forças armadas. "Quem tem um bom slogan não precisa de idéias". Na educação o na espiritualidade, fomos vítimas do monopólio educacional escolástico da Igreja católica via congregações missionárias de França, Itália, Alemanha e suas escolas. A catequese e a pastoral sempre negaram o protestantismo e o modernismo anglo-saxão. Na administração religiosa fomos caudatários do clericalismo jesuítico espanhol.

É a dependência cultural. O cérebro central luso-brasileiro, foi dedicado a conquistas territoriais, negócios ou empreendimentos de preferência truculentos, com a destruição de cultura e da sobrevivência dos nativos. Nunca aperfeiçoamos o Estado, a democracia, nunca civilizamos o trabalho, os negócios, as instituições.

O movimento de arte moderna, a introdução do modo de pensar marxista, a revolução de modernização burguesa de 1930, a resistência à ditadura de 1964, a teologia da libertação criaram admiráveis vertentes de auto-análise da realidade brasileira, mas que não triunfaram. E se dissolveram no tempo. Ficou o predomínio do pensamento monádico-exclusivista, a aversão ao pensamento divergente, ao diádico-dialético-crítico, ao triádico. Vivemos, sem incômodo e sem escrúpulos, na maior salada de filosofias e paradigmas (que se diz ecletismo), sendo que, na prática, impera o absolutismo, o arbítrio autoritário. Do paradigma dos autóctones e dos africanos só ficou algo na culinária, na arte e na língua.

Nossos 3 subgrupos são mero eco das metrópoles internacionais. Os oficialistas copiaram os truques de manipulação político/econômica; os oscilantes copiaram o consumismo; e os antioficiais copiaram os ideais revolucionários aplicáveis em outras realidades (até a Albânia fez escola entre nossa esquerda ... ).

Há uma inconsciência absoluta dos 3 cérebros e de seus 3 processos mentais, da sua interconexão no Ciclo Cibernético de Feedback. Nem mesmo a simples atitude científica cartesiana emplacou. "Importam mais as versões que os fatos". Com um simples desmentido, um fato criminoso atribuído ao subgrupo oficial deixa de existir perante a lei, perante a história, e perante a mente empobrecida e crédula do povo brasileiro. Mas viramos todos doutores em lábia, quando defendemos nossos preconceitos e besteiras (doutores em besteiras). Sabemos demais de horóscopo, de novelas, de jogadores de futebol, de Lady Di...

 

LÍNGUA. A língua luso-brasileira é uma corruptela do galego-castelhano que, por sua vez, era uma corruptela do latim falado na periferia do império romano, por mascates, soldadesca e prostitutas. Com a formação da estrutura social da época, segregou-se em duas: a do povo e a dos soberanos, dos senhores, dos feitores, que se atribuem todos os títulos superlativos (Excelentíssimo, Meritíssimo, Digníssimo, Magnífico, Doutor, Senhor. Va. Sa.). Os títulos para os demais são "galera, plebe, povão, populacho, ralé, seu Zé, D. Maria, zé ninguém, carentes, marginais e, agora, B.O"...

É uma língua que serve pouco para a ciência e para o entendimento social. Mas o povão gosta de palavras e frases bonitas, de propaganda bem-feita, de imagens bonitas nas novelas e na TV, gosta de discurseira oficial grandiloqüente, cheia de promessas mentirosas, mas ... bonitas. Populismo, demagogia, bacharelismo. E a imprensa encena a farsa social, passada como solene verdade. Trabalha para manter a desinformação, esse "gostoso clima de fofoca, de novela, de dubiedade. Depois, começa a falar assim: "como todo mundo sabe"... É o aprisionamento da cultura só no cérebro direito, emotivo, festivo, piadista, gozador.

Por nossa ambígua identidade nacional-cultural, e pela ambigüidade na identificação pessoal (o poderoso senhor se faz passar por um sacrificado, e os coitados querendo fazer-se passar por senhores) a língua costuma ser usada pelo avesso: invasão é chamada de descobrimento; colonização é chamada de civilização; golpe de estado é chamado de revolução; pois sim quer dizer não; pois não quer dizer sim; cartão é uma cartinha; dar baixa no quartel é sair; dar baixa no hospital é entrar; prescrição no hospital é receita, mas no tribunal significa que algo caducou; o cidadão é assaltado pelo Estado por impostos, taxas, confiscos, compulsórios, mas é chamado de "contribuinte"; a semana dos políticos tem 3 dias e o ano deles tem 15 meses; os políticos têm discurso popular de esquerda nas campanhas eleitorais, e fazem, depois de eleitos, governos de uma direita furibunda; os que são tratados de Excelência são, geralmente, consumados patifes; o Estado saqueia os mais fracos e depois finge que se sacrifica para socorrê-los com a devolução de migalhas em campanhas de solidariedade e salários que são realmente mínimos; "compre em 3 vezes sem juros e sem acréscimos", é um truque do comércio para esconder que já está tudo embutido no preço inicial; o governo eleva as tarifas públicas, mas diz que isto não é alta de preços "é, apenas, redução dos subsídios"... E os advogados que (data venia!) falam uma língua morta? Já foi "chic" falar francês. Agora é "in" falar inglês (economês, publicidade, informática, tudo é inglesado). Daí a reação de Oswald de Andrade contra a "estrangeirização": Tupi or not tupi?

"Com nossa ortografia atual, muitas pessoas que escrevem muito bem escrevem ortograficamente muito mal. E idiotas totais escrevem ortograficamente muito bem. Esse elitismo às avessas foi conseguido através de cinco reformas ortográficas neste século" (Millôr).

O poder sacral tem uma linguagem à parte, em paralelo. A comunidade (na igreja católica) é "freguesia"; não tem habitantes, tem "almas"; refere-se ao povão como "os fiéis". Os nomes de lugares são repetição dos topônimos portugueses ou de santos padroeiros da capela ou paróquia; e os nomes de pessoas, principalmente entre o povo, são de origem religiosa (Maria, Fátima, das Dores, Penha, Socorro; Manoel, Joaquim, José, Jesus, João, Pedro, Paulo ... ). O dia-a-dia está cheio de referências a Deus, diabo, "minha Nossa Senhora", "os anjos digam amém", "São Pedro mandou chuva", "virou anjinho" (morreu), "entregou a alma a Deus", "o diabo que o carregue". São Sebastião foi entronizado pelo misticismo português como uma maneira de venerar D. Sebastião (l554-1578), desaparecido em batalha aventureira (invasão) contra os mouros "infiéis" de Marrocos.

Há uma série de ditados de base religiosa que ajudam a manter a mentalidade mágica. Algum dia será feita a filosofia da língua lusitana.

 

4.2. DINÂMICA INDIVIDUAL (família, filhos, educação, personalidade):

 

· Dinâmica Individual Feminina . O feminismo, a urbanização, a escolarização progressiva da mulher e sua entrada no mercado de trabalho fora do lar, estão incrementando os papéis femininos correspondentes ao cérebro central e esquerdo, tornando-a rebelde, combativa, antioficial.

Mas a mulher luso-brasileira, principalmente a de classe média e baixa, ainda tem predomínio do cérebro direito, inconsciente, religionizado, devido a distorções criadas pela estrutura social e pela divisão de trabalho homem/mulher, sendo oscilante em questões de cérebro central e esquerdo. Como meio de sobrevivência, essa mulher aposta tudo no casamento e, nele, faz uso abusivo da força psicológica do cérebro direito (uso da religião, da chantagem emocional, da sedução sexual, da manipulação da prole) produzindo escravização afetiva; e ainda faz o seu maternalismo devorador passar por "amor materno", "mártir do lar", símbolo da generosidade e da doação de si. Faz nas filhas uma programação mental devocionalista, moralista, superficial, casamenteira, modelo N. Sra. de Fátima (projeção da mãe portuguesa) ou N. Sra. Aparecida. Nos filhos, faz programação machista, individualista, dependente das mulheres.

A mulher de classe alta tem seu modelo em rainhas e cortesãs, cujo poder ilimitado de manipulação foi registrado por Shakespeare no mundo anglo-saxão. Em nosso paradigma temos D. Maria - a louca - que programou os filhos e manipulou a sucessão de D. João VI; temos Carlota Joaquina que programou os filhos e manipulou a sucessão de Portugal e do Brasil; Temos Chica da Silva, a Marquesa de Santos e Dona Flor; temos D. Ana Fonseca que programou seus filhos para morrerem pela Pátria para ela promover festas em homenagem à gloriosa mãe desses "heróis" (que não sabiam que morriam pela mãe mesmo, e não pela mãe Pátria); temos Léda Collor que programou e manipulou Fernando e Pedro Collor, protagonistas da mais recente tragédia nacional brasileira.

Por muito tempo, a mulher de classe média alta foi educada pelo modelo francês de prendas domésticas, religião, piano, etiqueta, moda. Ultimamente, inspira-se na futilidade de top models de silicone.

Dinâmica Individual Masculina. O luso-brasileiro oficialista é feroz, depredador, truculento, que é um traço herdado do pretenso fidalgo luso, aqui chegado como conquistador, confiscador e autoritário (cérebro central primitivo), acompanhado de criminosos e degredados recolhidos em toda a Europa.

O homem oscilante, sucessor de servos, de escravos nativos, africanos e mamelucos, hoje empregado e desempregado "livre", usa o cérebro para levar tudo no jeitinho, cujo protótipo é Macunaíma (que não é um tipo racial; é um tipo mental-comportamental de cérebro direito). Daí o burocratismo, o formalismo, o extremo legalismo que o oficial monta para fazer o malandro espertinho cair na rede. Nossos rebeldes, revolucionários, inconfidentes (cérebro esquerdo crítico) eram inspirados pelos ideais da Revolução francesa e pelo modelo da Revolução norte-americana. Neste século foram inspirados pelas revoluções socialistas. Suas tentativas, idéias e coragem foram sempre derrotadas não tanto pelas forças armadas ou por golpes, mas pela covardia e omissão da massa oscilante que não adere e nem tem muito respeito por seus candidatos a libertadores. O gosto, a devoção é pelo ditador paternalista, pelo autoritário cordial (reminiscência do senhor da casa grande, do chefe de bandeirantes, o bom burguês).

Afetivamente, o luso-brasileiro é superficial. Tem mais gosto pela aventura e grossura sexual, do que muito se vangloria. Esquece-se de ter caráter, mas esmera-se em fingir que o tem e em disfarçar o vazio.

 

A família é de modelo árabe - o esposo (polígamo ou usuário de um harém) acreditando que é o lado oficial por sua força físico/econômica - e a esposa (concubina, amante ou parte do harém) aparentando fraqueza de oscilante, mas impondo subtilmente seus interesses pela força psicológica, pelo sexo e pelo controle da prole. O europeu que veio para cá já era um mestiço árabe. O modelo de família e individualidade autóctone foi destruído ou descaracterizado pela assimilação (mamelucos); o mesmo aconteceu com os africanos que eram só força de trabalho e não tidos como pessoas e famílias. Depois de tudo, nos tornamos culturalmente luso-árabe-indo-afro-brasileiros (raça é preconceito).

Em relação aos filhos, a incompetência de pai e mãe é encoberta por paternalismo e maternalismo que impedem ou retardam a emancipação dos filhos, prolongando a adolescência e a dependência (ou parasitagem). A maioria da nossa juventude tem amadurecimento retardado nos 3 cérebros. Fica dependente, inconsciente, infantil, desorientada pela droga e pela "cultura" de shopping ianque, com preguiça de estudar, de lutar para abrir caminho. Depois, vai compor a grande massa oscilante e sem cidadania que somos, manipulados pelo poder econômico manipulador do poder civil-estatal e pelo poder sacral-religioso.

A tradição familiar ou de clã (família extensa) cultua vínculos parentais até terceiro grau, mais um vasto compadrio que é a base do nepotismo, do apadrinhamento em todos os níveis. A psicologia, a noologia, as técnicas de Relações Humanas quase não visitam e não afetam a família tradicional, cujos maiores assessores ainda são as religiões, as novelas e os cantores românticos. Somos saudosistas, nostálgicos, mazombos, emigrantes longe da terra natal e dos entes queridos (Portugal, Europa, África). "Não querem bem à terra, pois têm afeição a Portugal".

O paradigma luso-brasileiro não produziu heróis, revolucionários, nem civis, nem religiosos. Cultuam-se mais os "santos" populares (Pe. Cícero, Santa Dica) e os anti-heróis (Macunaíma, um Leonardo Pareja ou um PC Farias, o herói-corrupto, cujo único defeito foi deixar-se apanhar). Somos crianças grandes, inconscientes, ingênuas, individualistas, brincalhonas, supersticiosas, na maioria das vezes sem projeto existencial próprio, ficando à mercê de manipuladores oficialistas ou antioficialistas.

 

4.3. DINÂMICA DE GRUPO (relações de subgrupos, de classe, luta de poder).

A representação mental do oficialista luso-brasileiro é a de um monarca, rei ou barão disso e daquilo, que o oscilante também tem e revela nas fantasias de carnaval. Em número, os oficialistas são um grupelho. Mas na prática são salazaristas impiedosos, donatários, caciques, caudilhos, coronéis exploradores e truculentos, travestidos de padrinhos protetores, manipulando uma maioria de cidadãos infantis, despolitizados, dependentes, dando jeitinhos para escafeder-se do "pega prá capar". É o autoritarismo cordial, que disfarça o abuso de poder, o arbítrio, o casuísmo, a prepotência acima da lei e da moral. É a impunidade ou anonimato de responsabilidade ("não tenho culpa, sou apenas funcionário, estou apenas cumprindo ordens").

Essas lideranças e chefias imperiais e absolutistas adoram rituais, encenações, comitivas, beija-mãos, beija-pés, puxações... enquanto os demais são considerados súditos, vassalos, peões, serventes e escravos. Esse modelo mental/político/econômico cristalizou-se em Casa Grande & Senzala, descrito (e disfarçadamente justificado) por Gilberto Freyre. É o que ainda prevalece em todo o Brasil, com variantes.

O povo submisso, escravo-propriedade ou escravo-assalariado, é tão domesticado e conformado que se torna a vítima dócil, aliada e defensora do seu algoz e carrasco. Os ex-perseguidos e torturados do período 64-85, hoje se confraternizam com os militares e policiais torturadores, numa boa. Os poucos ricaços brasileiros assaltam todos os pobres há 500 anos. Agora que alguns pobres se autorizaram a assaltar alguns ricos (via seqüestro) os pobres são convocados e comparecem para defender os ricos, como na passeata "Reage Rio" (que os críticos interpretaram corretamente como "Reage Rico").

A reação dos oscilantes (vítimas que amam seu algoz) é pela piada, pela banalização grosseira contra o português, contra o "senhor"; ou é pela música de protesto, pelo show humorístico politizado, tudo como substitutivo pobre da luta real contra a opressão e a extrema desigualdade. O carnaval do ano 2000 foi isso. E os festejos dos 500 anos do "achamento" do Brasil ou do "encontro" de duas culturas continuam a farsa que disfarça o genocídio, a fúria saqueadora, a inquisição brutal, o modelo social de exclusão e de abuso dos fracos. Que tipo de defesa, de resistência apresentam as vítimas?

A revolta surda e impotente manifesta-se em lugar deslocado: de cada indivíduo contra o indivíduo mais próximo tipo "fura-filas", o amigo da onça, o malandro, o cafajeste, o vigarista, o "fominha" no trânsito e no esporte, o chefe de gangue que se justificava por não atirar no Presidente-ditador assim: "Ele nunca me fez nada". Do fominha individual, passamos ao bando assaltante, mas nunca à revolução organizada. Age pela "Lei de Gerson" nunca pela lei do bem comum, da luta de classes ou das revoluções. É o mongolóide social. A busca do interesse individual desconsidera o interesse coletivo. "Mineiro (brasileiro) só é solidário no câncer (em calamidades naturais)".

Nem Portugal nem Brasil tiveram uma revolução que destronasse seus subgrupos oficiais e substituísse seu paradigma, como ocorreu na Inglaterra, EUA, França. Os poucos e pobres ensaios (Santidade do Jaguaribe - precursora de Canudos, Quilombos, Reduções Jesuíticas, Cabanos, Farrapos, Canudos, Juazeiro, gangues de morro, etc.) foram e são ferozmente reprimidos e desmantelados. Temos aristocracias militarizadas (brutocracia). As Forças Armadas sempre agiram como defensoras das elites antipopulares. E as forças judiciais, também.

A elite luso-brasileira política, econômica e sacral sempre foi intolerante e implacável com os subgrupos antioficiais, os questionadores, os discordantes. Basta ver como foram tratadas as minguadas esquerdas e os quase-herejes, lá e cá. Quando não há outro motivo para exercer o autoritarismo sádico sobre o fraco, alega-se "desacato à autoridade". Mas se o criminoso é alguém do subgrupo oficial, manda-se prender e punir a testemunha ou a vítima (como no caso do Rio Centro, do SIVAM, da pasta rosa, dos precatórios, das teles, etc.). Os processos contra algum membro dos subgrupos oficiais mais altos são sempre arquivados por "insuficiência de provas".

Essa vocação para funcionar às avessas é ilustrada pelo caso Ronald Biggs, uma das pessoas mais benquistas e protegidas pelo governo brasileiro (Biggs assaltou o trem pagador na Inglaterra e refugiou-se no Brasil). Até atestado de probidade obteve do Banco Central e, uma expedição para seu resgate quando foi seqüestrado.

Portugal sempre viveu de expedientes, truques, tergiversações, alianças duvidosas, oportunismo, traições. Daí os vários dizeres populares: O Estado é forte com os fracos e fraco com os fortes; sabe com quem está falando?; para os amigos tudo, para os inimigos a lei; eu ganhei, nós empatamos, eles perderam; quem rouba um tostão é ladrão, quem rouba um milhão é barão; a lei, ora a lei;... quem não tem padrinho morre pagão.

Só para camuflar o unilateralismo, o monadismo, a fúria direitista e capitalista exploradora dos subgrupos oficiais e evitar um acerto de contas histórico é que se prega a lorota da imparcialidade, da democracia racial, se defende que os brasileiros são cordatos, são centristas, não extremistas ("deixa como está para ver como é que fica"; "no Brasil se fazem revoluções sem sangue" ... ; é preciso combater o extremismo, o fanatismo, a radicalização, a violência"). Estão propondo a covardia como virtude, uma covardia justificada pelo ecletismo cultural, para evitar a tomada de posição dos humilhados, dos deserdados contra seus opressores e espoliadores. "No Brasil não existe oposição, só birra"...

A máquina estatal luso-brasileira sempre foi propriedade privada dos subgrupos oficiais, sempre centralizada (idéia de Coroa ou Metrópole) em aliança com oligarquias regionais, por motivos sempre e exclusivamente mercantis. O Brasil foi, no começo, um conchavo de elites de Roma e Portugal; depois, foi um conchavo elitista romano-lusitano-britânico. De 1806 em diante passou a ser um conchavo elitista romano-iusitano-britânico-brasileiro. Hoje é um conchavo anglo-americano-brasileiro: consenso de Washington dos ricos contra os pobres, da campanha de solidariedade máxima com os banqueiros e da solidariedade mínima com os mais necessitados.

Inicialmente, o poder lusitano fixou-se na Bahia. Daí para Minas e, por fim, para o Rio de Janeiro que, com São Paulo, forma o "Triângulo das Bermudas" brasileiro como o chamaram os insuspeitos Golbery do Couto e Silva e Ulysses Guimarães. Nesse triângulo, foi-se construindo a conspiração de poder político, econômico e cultural civil-sacral que se vêm perpetuando, com alianças secundárias regionais (nordestinas, principalmente). Brasília, enquanto sede de governo, é apenas uma filial, um escritório de negócios.

Eleições são apenas mecanismos de legitimação da continuidade do mesmo esquema. Quando dá zebra, apela-se para golpes como o cancelamento das "Diretas Já" (pois ganharia Brizola) ou golpes militares, cujos estratos superiores funcionam como reserva e tropa de choque da elite nacional e internacional (o de 1964 foi a favor da elite anglo-americana e européia capitalista). Esse paradigma não produziu revoluções civis, nem culturais (como o I luminismo filosófico que precedeu a revolução francesa) nem religiosas (como a de Lutero ou de Gandhi). É uma cultura ambígua, contemporizadora, centrã, que não busca definições claras, decididas, mas que se diz democrática, se finge de séria e severa, que vive mais do discurso do que dos fatos, dois extremos quase completamente desconhecidos entre si e geralmente sendo o avesso um do outro. É a busca da perfeição em mau-caratismo.

 

4.4. DINÂMICA PRESTUSUÁRIA (agendonomia, produção, divisão de renda) :

 

"O poder emana do dinheiro e em seu nome será exercido".

"A guerra contra a pobreza terminou; e os pobres foram vencidos (ai dos vencidos)". São lemas da seita ou peste econômica que nos assola. A extorsão do valor agregado continua truculenta como sempre foi (a derrama, os bandeirantes, a Casa Grande, a inflação, os pacotes, o PROER para banqueiros/especuladores internacionais, os salários congelados e os preços soltos, os incentivos fiscais, a corrupção, as mordomias, os impostos vorazes tendo o leão como símbolo, e tantos outros truques de espoliação, justificados em economês pelos catequistas da nova seita econômica levando à pior distribuição de renda do mundo, "O Brasil (Governo) vai bem e o povo vai mal" dizia um ex-Presidente militar, menos desalmado que certos outros. Mas o marketing faz os infelizes declararem-se felizes e otimistas, convence as vítimas a aplaudirem seus algozes.

Se os oscilantes não cumprem algum prazo de pagamento aos subgrupos oficiais, é multa, mais juros, mais anotação no Serviço de Proteção ao Crédito e até cadeia. Entretanto, os subgrupos oficiais congelam e atrasam salários, cortam ou negam benefícios e faltam a compromissos e prazos, sem cerimônia e impunemente, Mas se a vítima reclama é desacato à autoridade. O oficialismo só faz concessões, só entrega algo, só se rende - na marra - como no caso das invasões, no caso do morros do Rio, etc. Estamos ficando um país em guerra social entre assaltantes legalizados e assaltantes não legalizados.

A separação entre o público e o privado, o estatal e pessoal, sempre foi ambígua, bem como o interesse nacional e o da corte portuguesa (agora norte-americana). O Estado português sempre foi mercantilista e pirata, arrendador de territórios que nunca desenvolveu, nunca industrializou. Por isso, quer capital estrangeiro, quer multinacionais.

É o Estado patrimonialista (o rei, o governante crê e age como se o país fosse propriedade particular dele). Por isso, de vez em quando, os governantes luso-brasileiros confiscam através de estatização (como no começo do Banco do Brasil, da ferrovia do Barão de Mauá e casos mil), através da voracidade fiscal (como na derrama), através de pacotes e reformas constitucionais e econômicas a seu bel-prazer, como o confisco da poupança no governo Collor. Agora confisca através da privatização das estatais que não passa de transferência do patrimônio que todos ajudamos a formar para proprietários particulares, sem que o dinheiro da venda apareça para nós. Um governo novo quase sempre desmancha ou paralisa, com nosso dinheiro, as obras que o anterior fez com nosso dinheiro. E, quando interessa, privatiza ou entrega ao capital estrangeiro o que construímos com nosso dinheiro, como se fosse dele. E os oscilantes aprenderam a aplaudir quem "rouba mas faz", porque os outros... Por isso o dito ou fórmula popular: GDO (gastador do dinheiro dos outros) é sempre fdp.

Democracia, ditadura, controle estatal ou livre mercado, nacionalismo ou entreguismo não é uma questão fundamental: é um casuísmo a ser usado conforme as conveniências do oficialismo. Os problemas do bem comum são empurrados para o futuro, deixados para depois, acumulando lenha para alguma fogueira, forca, guilhotina ou fuzilamento. Nacionalismo é só de futebol, de esportes e de "proteção" de crianças para não serem adotadas por casais do primeiro mundo. Para disfarçar, difunde-se um ufanismo verde/amarelo bobo, encobridor da pobreza. Aqui, tudo é "o maior do mundo"; "Meu Brasil eu te amo"; "ninguém segura a juventude do Brasil"; "Brasil ame-o ou deixe-o"; "país do futuro"...

Estado é sinônimo de privilégio e arrogância dos subgrupos oficiais. Estes sempre coibiram e arrasaram ferozmente qualquer solução popular fora do controle estatal, como a pequena agricultura, o mercado informal, o jogo do bicho, os camelôs, os meninos de rua que sobrevivem contando apenas com seu instinto animal, etc. Até a campanha contra a fome foi estatizada. Os lares, asilos, patronatos e outras iniciativas particulares de compaixão pública foram estatizadas na forma da FEBEM e agora serão "terceirizadas" (leia-se: comercializadas). Tudo centralizado, controlado, discriminado, como continuidade da Casa Grande & Senzala, que é continuidade da tradição feudal lusitana. A urbanização ainda separa a Casa Grande (bairros residenciais) e senzala (favelas, vilas, invasões, amontoados). Na residência, separa a parte do escravo (quartinho nos fundos ou "dependência completa de empregada") do resto que é o espaço do senhor. Nos prédios, separa-se o elevador social (do senhor) do de serviço (da empregada) ... A tentativa de fuga ao trabalho continua. O descumprimento do dever tem toda uma cultura de atestados médicos, desculpas por problemas da saúde ou de família, impontualidades, escapadelas de interesse particular...

O poder civil, econômico e sacral português foi o colonizador mais brutal e mais retrógrado entre todos os países bandidos da "canalha Europa" (só largou as colônias - abandonando-as e fomentando a guerrilha contra elas - em 1975 - sob pressão internacional. Moçambique, rejeitando essa brutal colonização, aderiu, ultimamente, à língua e à comunidade britânica (Commonwealth), dando adeus a Camões e Vasco da Gama).

A elite luso-brasileira, no papel de patrão estatal ou privado, consegue impor e manter preços de primeiro mundo e o pior salário do terceiro. Mesmo a empresa ou banco indo à falência, o dono fica mais rico... "Quem deve não teme". A mais-valia ou o valor agregado é quase todo para o subgrupo oficial; já os prejuízos financeiros ou ecológicos são, infalivelmente, socializados, isto é, repassados aos mais fracos, aos de baixo, "que passam a vida pagando e morrem devendo". Isso, com a perplexidade das elites inglesa, francesa, russa, que já foram destronadas, enforcadas, guilhotinadas, fuziladas, pelo menos uma vez, e que invejam a longevidade das elites luso-brasileiras, incólumes, intocadas, sem sofrer um revés mais sério até hoje.

Mas até quando?

 

4.5. DINÂMICA UNIVERSAL (futuro, progresso, utopia, ideal de humanidade)

 

Os índios tinham uma utopia, a da "Terra sem Mal". Os oficialistas luso-brasileiros nunca tiveram uma utopia, um projeto de Pátria, de grandeza, de liberdade, como os franceses ou os pioneiros norte-americanos. As viagens marítimas portuguesas eram pirataria. "Os Lusíadas" quiseram forjar uma grandeza e glória semi-plagiada da Eneida e da Odisséia.

Pelo lado sacral, o luso-brasileiro oficialista ficou preso à religiosidade medieval da contra-reforma, feita para combater protestantes, combater a religiosidade indígena, a afro-brasileira, feita para submeter os "bárbaros" e as classes oscilantes inferiores através do terrorismo espiritual (inferno, demônio, excomunhão, inquisição). É o abuso do poder psico-espiritual. Com isso, os oficialistas, do Presidente ao síndico do condomínio, ficaram amorais, ficaram com a moralidade oportunista típica dos mais fortes e mais espertos.

O exclusivismo religioso católico, concedido quase até ontem, foi um protecionismo à Igreja católica como instituição comparsa, mais do que intenção de ajudar na evolução espiritual do ser humano. O monopólio católico da educação até o império e que impregna, até hoje, a escola e a família, não cessou ainda seu efeito medievalista e antimodernização. Ficamos no primitivismo que aceita qualquer fenômeno de nível alfa ou de cura psíquica como manifestação divina. A maioria dos brasileiros continua na infância psicológica e espiritual, manipulados através de símbolos maternos (as diferentes devoções a Nossa Senhora) ou através da mercantilização das relações súdito/soberano (quanto mais dinheiro você der a um governo ou a um autoproclamado representante de um Deus soberano, mais benefícios você receberá). É o estelionato psicológico e espiritual que facilita o estelionato econômico.

Estado e Igreja chegam aos 500 anos como cúmplices da colonização e exploração, denominadas às avessas de "civilização" e "evangelização". Por eles, vamos continuar sem utopia, sem esperança de redenção, sem profetas ... para sempre. Por que não começar os próximos 500 anos repensando um Brasil para Todos?

 

 

MANIFESTO DA PROPORCIONALIDADE - PLATAFORMA 1

Nem igualação, nem desigualação máximas: sim às diferenças, mas proporcionais.

 

 

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MANIFESTO - PLATAFORMA 2: PLANETA PARA TODOS!

Democratização proporcionalista do jogo mundial

 

Ambiente/Ecologia: CIDADÃO DA NATUREZA!

Reintegrar-se ao ecossistema ou à natureza como rede universal, defendê-la como mãe da vida e fonte preservável de satisfatores em cada eco-região ou município.

Abaixo os exterminadores do futuro!

 

Mente e Pessoa: CIDADÃO DE SI MESMO!

Elevar-se do comportamento instintivo ao mental, desenvolvido em seus três blocos e três culturas. Educação fundamental obrigatória até os 16 anos para todos, pelo currículo dos três cérebros (não só o das ciências), visando à capacitação para a autonomia, para o autoprovimento e a autocondução, com reciclagens periódicas. Ser consciente, ser produtivo e ser feliz solidariamente.

Não entregue sua cabeça a ninguém!

 

Economia: CIDADÃO DA RIQUEZA MUNDIAL!

Reorganizar as atividades humanas em co-propriedades eco-regionais, com intercâmbio global de bens satisfatores, disputados triadicamente via mercado proporcional. Proteção à livre iniciativa, ao trabalho, à renda que garanta a minivivência e ao esforço para alcançar níveis mais altos, reprimindo a especulação e modos de obter riqueza danosos à sociedade e ao ecossistema. A propriedade de indivíduos, empresas e países é garantida, mas tendo um teto que será uma porcentagem do PIB regional, estabelecido entre os três subgrupos, por eco-região.

Trabalho-Moeda-Distribuição Proporcionais!

 

Estado: CIDADÃO DA DEMOCRACIA DIRETA!

Reorganizar as instituições eco-regionalmente, particulares e coletivas (em torno de 62% e 38 % respectivamente), em comunidades e sociedades de tri-gestores, com predomínio do Poder Local. Como poder superior central, só um Poder Arbitrador triúno, eletivo por voto livre eco-regional, destituível a qualquer hora, com poder de arbitragem, de fisco e segurança, articulando-se por eco-regiões, progressivamente, em forma mais esférica e menos piramidal. O Poder Legislativo fica substituído por votação direta via eletrônica. O poder Executivo é substituído pela autogestão de cada um dos 14 subsistemas ou áreas de interesse e suas especialidades, sob arbitragem do Poder Judiciário. A contribuição para manter o que é coletivo será por imposto sobre renda e bens, e alguns poucos impostos seletivos, não declaratórios, baseados no valor agregado.

 

Fora Políticos: Poder Arbitrador Tri-uno!

 

 

Espiritualidade Estético-Mística: CIDADÃO DO INFINITO!

Promover uma espiritualidade mística e uma estética que inclua características da cultura de cada eco-região. Criar solidarismo e fraternidade holística, incluindo todos os seres do ecossistema, superando segregações raciais, étnicas, de gênero, nacionalistas, religiosas, suprimindo toda forma de depredação, de violência físico-econômica, de violência psicológica e religiosa, em favor da paz. Promover a perten desde a local até a planetária num universo triádico único, propiciando o desfrute de uma vida sempre mais gratificante.

Religiosidade sim! Manipulação não!

 

 

PLATAFORMA 3: PARTICIPE NA ELABORAÇÃO DA PLATAFORMA 3 CONTATANDO:

wgregori@gmail.com

 

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ALGUNS MANIFESTOS HISTÓRICOS.

 

Para reconhecer que você, militante da humanidade e de suas utopias, é um continuador de um longo processo, examine os Manifestos abreviados que seguem.

 

 

A) MAGNIFICAT. Manifesto cristão, atribuído a Maria, mãe de Jesus, frente à tirania e avareza do poder judaico e romano.

“A minha alma glorifica o Senhor ... porque... dissipou os soberbos no pensamento de seus corações; depôs do trono os poderosos e elevou os humildes; encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada... (Lucas, I, 46-53).

Pode-se também tomar o Sermão da Montanha ou as bem-aventuranças como o manifesto cristão. Embora seja dirigido à convivência justa, solidária e amorosa dos três subgrupos, o Manifesto cristão original tem um forte tom popular contra as elites judaicas e romanas.

 

B. MANIFESTO DE LUTERO E DA REFORMA PROTESTANTE. Foi o Manifesto de independência e autonomia cultural dos anglo-saxãos (1517), frente ao império dos Papas.

As 95 teses, em duas folhas pregadas na porta da igreja, podem ser resumidas assim:

Pelo cérebro esquerdo : uso da língua e cultura local (não mais do latim) para leitura da Bíblia com autorização para a interpretação pessoal. (Comentário: Com isso libertou o cérebro esquerdo do controle do clero, o que originou o método de pesquisa e toda a ciência e tecnologia modernas).

Pelo cérebro direito : a salvação espiritual é alcançada pela fé, pelo trabalho e prosperidade, sem intermediação de padres, bispos e papas. (Comentário: Com isso libertou as pessoas da estrutura de autoridade e dominação que reinava nas religiões).

Pelo cérebro central : a prosperidade e o progresso decorrentes do trabalho são sinal da bênção de Deus e de garantia de salvação eterna. (Comentário: Com isso criou a ética do trabalho, apresentou a riqueza como do agrado de Deus e desencadeou o surto econômico anglo-saxão dos últimos 500 anos; foi a vitória do Velho Testamento sobre o Novo.

 

•  MANIFESTO COMUNISTA. Em nome de trabalhadores e intelectuais, Marx e En gels redigiram esse Manifesto em 1848, como um desafio ao império britânico capitalista.

Para o cérebro esquerdo : propôs o paradigma de pensamento baseado na dialética, reinterpretando o mundo como um fluxo evolutivo da matéria em ziguezagues conflitivos de tese-antítese-síntese que, nas sociedades humanas, são representados pelas classes em luta pela sobrevivência e pela riqueza.

Para o cérebro direito : propôs solidariedade, igualdade, cooperação e camaradagem para eliminar as diferenças de classe, e fechou qualquer saída para a religiosidade (depois, a Teologia da Libertação tentou fazer uma síntese para resgatar esse aspecto no socialismo).

Para o cérebro central : propôs a redução da propriedade particular ao mínimo, colocando a co-propriedade coletiva como suprema, administrada pelo Estado (criticada como “capitalismo de Estado”) durante a fase de transição para uma sociedade sem classes, sem conflitos e sem Estado, plenamente comunista.

 

D. MANIFESTO DO NEOLIBERALISMO. São as “ordenações” dos neocolonizadores anglo-americanos sobre grupos humanos, classes sociais e países neocolonizados, após a queda do Socialismo (1989). É a retomada do Manifesto protestante anglo-saxão, após a freada sofrida com o sindicalismo, o trabalhismo, doutrina social da Igreja Católica e o socialismo, desde a metade do século XIX até 1990. Voltamos ao século XIX.

Os ideólogos são os economistas da dupla anglo-americana Margareth Tatcher e Ronald Reagan, principalmente Von Hayeck e Milton Friedman. Depois veio o consenso de Washington cuja figura central é John Williamson, tendo como executores o Banco Mundial e o FMI.

Resumo do Consenso de Washington em 10 “mandamentos”.

 

1. Não consumirás: poupar é preciso para pagar a dívida externa a qualquer custo.

2. Não gastarás demais: governos precisam ser enxugados e controlados (privatizar, demitir, livrar-se de compromissos trabalhistas e com o social, etc.).

•  3. Não tributarás demais, principalmente os ricos porque são os que “investem”.

4. Salvarás os bancos (agora é: controlarás os bancos).

5. Não congelarás o câmbio e as bolsas, nem tributarás o capital externo.

•  6. Não protegerás o mercado interno: a abertura comercial era e é fundamental.

•  7. Competirás com os mais fortes, só os melhores têm direito a sobreviver.

•  8. Respeitarás o know-how alheio e pagarás royalties.

•  9. Construirás instituições confiáveis para o mercado e o capital.

•  10. A escola deve educar o povo para o mercado e para a guerra do dinheiro.

 

 

 

TRIMs – TRADE RELATED INVESTMENT MEASURES

“Com esse documento estamos escrevendo a Constituição da economia mundial”.

Uma vez estabelecida a supremacia do dinheiro e da atividade especulativa pelos anglo-americanos, foi revelada a “sagrada escritura” do bezerro de ouro, guardada na “arca da aliança” da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Europa) e da OMC (Organização Mundial do Comércio).

O principal objetivo de TRIMs ou A.M.I. é tornar o investimento e empréstimo internacional mais seguro e mais fácil, uniforme, diminuindo o risco das transnacionais, garantindo-lhes novos direitos, retirando dos governos locais o poder de controle sobre os investidores. Ou seja, o acordo trata de regras de proteção, salvaguarda, livre circulação, lucratividade e de não intervenção governamental sobre a riqueza financeira de pessoas físicas ou jurídicas ao investir. O país que aceite o TRIMs não poderá retirar-se antes de 5 anos, se não pagará multa.

A característica principal do acordo é que será único e unificado para todo o planeta, reduzindo a necessidade de tantos acordos bilaterais com cada país. Só receberão investimentos os que sejam mais confiáveis, segundo as instituições que avaliam os países (Moody's, Duff & Phelps, Standard & Poor's, etc.) em termos de risco, segurança e rentabilidade imediata do investimento...

Por investimento, entende-se todo tipo de bens tangíveis e intangíveis, licenças, direitos intelectuais, bens culturais, instituições, direitos de propriedade até de águas fluviais, lacustres e marítimas e outras coisas que sejam de interesse para as corporações, como patentes sobre genes, plasma, sementes, plantas, florestas, animais, políticos, órgãos humanos, etc., enfim, tudo o que acrescente rentabilidade para o investidor.

Além de poder investir em qualquer área sem restrições, as empresas têm o direito de recusar qualquer ato governamental ou política pública de interesse do país em questão, desde medidas fiscais, até regulamentação ambiental, do trabalho, do desenvolvimento regional, de apoio a pequenas e médias empresas, de reforma agrária ou de defesa do consumidor que signifiquem restrições aos ganhos dos investidores.

Os investidores estrangeiros não têm nenhuma responsabilidade ou obrigação com o país em que investem, mas devem exigir indenização no caso de intervenções governamentais que afetem a capacidade de investidores e empresas lucrar com seu investimento. As cláusulas incluem indenizações também no caso de greves, manifestações sociais, como perturbações civis, revoluções, estados de emergência, toques de recolher etc. “A perda de uma oportunidade de ganho será suficiente para reclamar indenização.”

De volta à farra da maximocracia dos mais fortes!

Planeta e vida em perigo!!!


BIBLIOGRAFIA

 

As informações contidas neste folheto fazem parte de uma vasta bibliografia de História, Literatura, História das Idéias, Memórias, Ensaios Filosóficos e Políticos que correspondem aos momentos álgidos de cada cicio de nossa história. Na colônia, relatos do descobrimento, de missionários e viajantes, os movimentos independentistas. No império, o Movimento Nativista, Abolicionista, Republicano, cada ciclo com seus nomes e seus escritos.

Neste século, os mais destacados foram o Movimento Modernista, seguido pela era getulista. Destes dois momentos, nasceu a principal força de introspecção nacional, com reformulação artística, aparecimento de estudos sobre formação histórico/econômica do Brasil, oposições à ditadura Vargas. Depois veio o ISEB; depois, o Movimento de 64 e sua segurança nacional, provocando, como reação, outro ciclo de estudos da realidade brasileira, sempre presente a questão dos paradigmas que estão por trás de nossos conflitos: capitalismo, socialismo, cristianismo e seus respectivos subgrupos. Foram feitas várias dessas listagens por diferentes autores.

Vamos reapresentar uma delas. O interesse, aqui, não era discutir autores, mas reordenar os mesmos conteúdos dessas bibliografias sob o enfoque da Cibernética Social e seus conceitos básicos de "princípio triádico, "cérebro triádico", "jogo triádico", esferas de vida ou dinâmicas etc.

 

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(Biografia do autor)

W. De Gregori (70), consultor e escritor, é formado em Filosofia e Teologia, em Letras, com Mestrado e Doutorado em Ciências Sociais e Políticas. Como formulador da teoria "Cibernética Social para o Proporcionalismo" percorreu mais de 20 vezes o Brasil e as Américas para sua divulgação, dando cursos, conferências, ensinando nas universidades e lançando seus livros. Residiu 3 anos nos Estados Unidos, quando lecionou na Northeastern University. Recentemente tornou-se Professor Visitante da University of North Texas em Forth Worth. Deu cursos no Japão e foi consultor das Nações Unidas em Moçambique, ex-colônia portuguesa na África oriental.

Reside em Brasília e Miami, de onde preside a Tri-Uni Proporcional (ex-Associação Internacional de Cibernética Social para o Proporcionalismo) que tem grupos na maioria dos países da Indoamérica.

 

OBRAS DO AUTOR:

Cibernética Social I . São Paulo, Cortez, 1984. Segunda ed.: Perspectiva, 1988.

Hacia la Quinta Amerindia. Bogotá, ISCA Ed., 1986.

Educação Comunitária. Goiânia, EDIGRAF, 1988.

Sociologia Política Pós-Capitalista, Pós-Socialista. Goiânia, EDIGRAF, 1990.

Saúde Autoconduzida. São Paulo, Ícone, 1992.

Construção Familiar-Escolar dos Três Cérebros. São Paulo, Pancast, 1994.

Capital Intelectual e Administração Sistêmica. São Paulo: PANCAST, 2001.

Proporcionalismo ou Caos (org. com Silvio Sant'Anna). São Paulo: Lorosae, 2003.

Manifesto da Proporcionalidade . Goiânia: Kelps, 2005.